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Alemanha

A Stasi e a longa sombra da espionagem

As acusações de espionagem para o Serviço de Segurança do Estado (Stasi) da Alemanha comunista já acabaram com a carreira política de vários alemães orientais e agora atingem um ícone da esquerda alemã.

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Jornalista G. Wallraff defende-se de acusação de espionagem

Conhecido internacionalmente por seu livro Cabeça de turco ( Ganz unten), no qual relata as situações discriminatórias por que passou na Alemanha ao disfarçar-se de turco e viver como um trabalhador estrangeiro, o escritor e jornalista Günther Wallraff volta às manchetes acusado de ter sido informante da Stasi entre 1968 e 1971. A informação partiu da repartição encarregada dos arquivos do famigerado serviço secreto alemão oriental, mais precisamente de sua diretora Marianne Birthler.

Fontes exploradas

Na verdade já houve denúncias anteriores de espionagem para a República Democrática Alemã, que Wallraff conseguiu desmentir de forma convincente. Segundo Marianne Birthler, o escritor nascido em Colônia foi registrado pela Stasi como "IM Wagner". IM é a abreviatura de inoffizieller Mitarbeiter (colaborador não-oficial).

A Stasi chegou a ter tantos colaboradores, a ponto de dar a impressão de que na RDA metade da população espionava a outra metade. O escritor seria uma "Fonte A", isto é, teria que cultivar relações com detentores de segredos de Estado e "motivá-las a entregar as informações sem que estas percebessem o caráter das operações", conforme consta das instruções da espionagem alemã oriental.

A defesa de Wallraff

Em entrevista à DEUTSCHE WELLE, Wallraff tratou de minimizar a questão: "São as mesmas acusações de antes, de 1998, só que apareceram mais algumas fichas de arquivo, agora me classificando como Fonte A." Segundo o jornalista, nessa época havia muito interesse por seus livros críticos na Alemanha comunista.

Mas a benevolência logo acabou quando ele passou a defender o compositor e dissidente Wolf Biermann, expatriado da RDA. Günther Wallraff reconhece agora que a "outra Alemanha" tentou usá-lo. Atualmente ele está pesquisando outros casos semelhantes, de pessoas conhecidas que foram parar nos arquivos do Stasi somente por manter contatos na Alemanha Oriental.

Os arquivos Rosenholz: a fonte das suspeitas

As novas acusações contra ele surgiram depois que os Estados Unidos devolveram a Berlim as chamadas "atas Rosenholz", um nome que faz lembrar filmes de espionagem ou mesmo de Orson Welles.

Die Bundesbeauftragte für die Unterlagen des Staatssicherheitsdienstes der ehemaligen DDR MfS, Marianne Birthler, zeigt eine CD-ROM mit so genannten Rosenholz Daten

Marianne Birthler mostra o CD-ROM com o arquivo Rosenholz.

Trata-se do registro completo dos espiões e informantes que o Stasi mantinha no Ocidente. Em circunstâncias misteriosas, esses arquivos foram parar nas mãos da CIA no início dos anos 90. Desde agosto de 2003, as atas contendo 200 mil nomes estão disponíveis na repartição dirigida por Marianne Birthler.

A vez dos "espiões" ocidentais

O curioso foram as reações à notícia. Para o historiador Hubertus Knabe, foram divulgadas até agora somente as atividades de espionagem dos alemães orientais e estaria na hora de esclarecer quem foram os informantes da Stasi no ocidente. "Depois de 13 anos de segredos, agora é a vez de saber a verdade sobre a participação dos alemães ocidentais. Eu acho isso justo", disse ao jornal Bild. Knabe hoje dirige o Memorial Berlin-Hohenschönhausen, onde se encontrava até 1990 a "Casa de Detenção" da Stasi.

A lideração das atas Rosenholz também já atingiu Lothar Birsky. O presidente do Partido do Socialismo Democrático (PDS), o sucessor do PC alemão oriental (SED), também teria sido informante da Stasi. Mas, com o caso Wallraff, a discussão tomou uma nova dimensão: aumentam as vozes dos que exigem uma investigação geral, principalmente dos políticos do Ocidente. O ministro do Exterior, Joschka Fischer, manifestou-se contrário à ação.

Mãos limpas e transparência

No leste do país, onde persistem dúvidas e desconfianças, os secretários estaduais de Brandenburgo decidiram submeter seu passado novamente a uma investigação - por via das dúvidas. O exemplo fez escola e será imitado em Berlim e na Turíngia.

O deputado Dieter Wiefelspütz, especialista da bancada social-democrata em Política Interna, defende a maior transparência possível: "Por mim, os arquivos Rosenholz deveriam estar acessíveis na internet."

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