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Alemanha

Fim do segredo

Dossiê Rosewood perde caráter confidencial. Microfilmes do arquivo do serviço de espionagem da Alemanha Oriental levados de Berlim pela CIA em 1990 serão investigados.

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Somente uma parte do arquivo do Stasi ainda existe na forma de fichário

Se as cópias dos fichários do Stasi vão deixar de ser segredo, isso não se aplica à forma como elas foram parar do outro lado do Atlântico. Os microfilmes foram produzidos um ano antes da queda do Muro de Berlim, em 1988. Dois anos depois, ainda antes da reunificação da Alemanha, o material passou para as mãos da CIA na operação Rosewood ( Rosenholz, em alemão), que deu o nome ao dossiê. Acredita-se que membros da KGB, o serviço secreto da então União Soviética, entregaram os microfilmes aos adversários.

Desde que o destino do dossiê tornou-se público, o governo alemão reivindicou de Washington a repatriação do material. Os apelos só começaram a ser atendidos em 2000, quando um primeiro CD com 1800 arquivos de dados chegou às mãos da Chancelaria Federal em Berlim. Agora, todos os microfilmes, reunidos em 381 CDs, estão à disposição do órgão alemão encarregado da conservação, organização e investigação do antigo acervo do Stasi. Desde 1º de julho, após muita pressão, eles perderam o status de confidencial.

Pesquisa histórica em vez de fofoca Encarregada do material, Marianne Birthler adverte entretanto que não se espera mais grandes revelações. "Temos mais interesse no esclarecimento da ditadura do que fome de sensacionalismo. Preferimos fatos a histórias reveladoras. Estamos obrigados a trabalhar sério e a proteger os direitos de privacidade", disse a ex-deputada do Partido Verde no último parlamento da Alemanha Oriental.

Marianne Birthler vor Stasi Akten

Marianne Birthler, pouco interessada em fofocas sobre espiões

A abertura do dossiê deve beneficiar sobretudo historiadores. "Partimos do princípio de que, pela primeira vez na história da espionagem mundial, um serviço de informações será desnudado de tal forma. Das fontes aos consumidores finais (o politburo, a economia, os militares), poderemos fechar cadeia de informações", festeja Helmut Müller-Enbergs, do Departamento de Pesquisa do órgão federal para o arquivo do Stasi.

Por pelo menos um semestre, um grupo de trabalho de 50 pessoas irá avaliar os dados, principalmente fichários e formulários estatísticos, com todos os tipos de cifras, abreviaturas e palavras-chave. Informações das quais só gente experimentada consegue depreender detalhes importantes.

O conteúdo dos 381 CDs

O dossiê Rosewood compõe-se dos arquivos F16 e F22 do Stasi. Da antiga administração central do Serviço de Segurança do Estado, o primeiro possui 290 mil arquivos, com uma relação de 230 mil nomes, além de codinomes e números de registro. No entanto, somente uma minoria dos fichados atuava como espião ou colaborador informal. A maior parte não passa de espionados e de terceiros que giravam em torno dos agentes. Além disto, há pessoas registradas duas ou três vezes com nomes diversos.

Stasi Archiv in Berlin

Prateleiras cheias de velhas pastas de documentos do Stasi, em Erfurt

O arquivo F22 reúne 57.400 relatórios de agentes. O cruzamento destas informações com os dados do F16 pode, entretanto, permitir a identificação de espiões. Quando o regime da Alemanha Oriental se desfez, o Departamento de Reconhecimento, responsável pela espionagem no exterior, tinha ainda quase 1600 informantes no lado ocidental e o apoio de 10 mil cidadãos na parte comunista. Eles cediam imóveis, telefones e endereços para atividades conspirativas.

De todos os crimes eventualmente cometidos pelos integrantes e colaboradores do Stasi, somente um ainda não prescreveu: o de traição à pátria.

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