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Angola

Mais uma ativista perseguida em Angola

Ativistas angolanos dos direitos humanos continuam a queixar-se de perseguições por parte das autoridades governamentais. Rosa Conde, do Movimento Revolucionário, diz estar a ser alvo de ameaças de morte.

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Manifestação contra o Presidente José Eduardo dos Santos em Benguela, Angola

Em Angola, mais uma ativista queixa-se de perseguições. Rosa Conde, do Movimento Revolucionário, diz estar a ser alvo de ameaças de morte após ter anunciado a realização de uma manifestação para exigir a libertação dos ativistas detidos no passado dia 13 de junho, em Luanda, acusados de incitarem a rebelião para o derrube do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e do seu Governo.

A ativista disse à DW África que teve de abandonar a sua casa, onde vivia com a mãe, e que se encontra neste momento a viver em casa de amigos. Rosa Conde alega que as ameaças se estenderam igualmente a vários membros da sua família, devido ao seu ativismo e às suas críticas contra o regime do Presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 35 anos.

Família ameaçada

A integrante do Movimento Revolucionário afirmou que as perseguições se agravaram depois de ter concedido uma entrevista à DW África, na qual anunciou a preparação de uma manifestação para exigir a libertação dos ativistas detidos em Luanda.

Ouvir o áudio 02:46

Mais uma ativista perseguida em Angola

“Por volta das 10 horas recebi uma chamada da minha irmã, que me perguntou onde é que eu estava, e eu disse-lhe que estava no tribunal. Ela respondeu-me: “é melhor não vires a casa porque apareceram aqui uns senhores a perguntar por ti e fizeram ameaças à nossa mãe”. A minha mãe também pegou no telefone e falou comigo a chorar, dizendo: “não podes continuar aqui, tens mesmo que sair daqui, não te quero perder”. Disse também que tenho de desistir desse grupo [Movimento Revolucionário] porque posso perder a vida, como já aconteceu a tantos outros”, conta Rosa Conde.

Por considerar estar a correr perigo de vida, Rosa Conde abandonou a casa onde vivia com a mãe e refugiou-se em casa de amigos em busca de proteção: “Neste momento não me encontro em casa, estou afastada da minha família. A qualquer momento algo de errado pode acontecer.”

"Vou trabalhar com medo"

Nos últimos dias, a ativista confessa que o medo tomou conta da sua vida, e afirma que corre sérios riscos de ser raptada em qualquer lugar pelos órgãos de segurança, nomeadamente os serviços secretos.

“Hoje fui trabalhar mas com muito medo. Quando vou trabalhar vou sempre sozinha. Andei depressa e sempre atenta a se estava alguém por perto a fazer movimentações estranhas. É complicado. Esta perseguição está a ser muito complicada para mim.”

Até ao momento, Rosa Conde não apresentou queixas às autoridades policias, por considerar que isso não ia resolver o problema.

“Da última vez que fui agredida pelo comandante João Kiala [da esquadra Ilha de Luanda], eu disse-lhe que ia abrir um processo-crime contra ele, e a resposta foi: “vai e vê se isso resulta”. Por isso, não vale a pena, não vai haver nenhuma solução. Pelo contrário: eles irão simular como se eu tivesse sido agredida por bandidos.”

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