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Internacional

Líbia: Seis anos de caos e guerra civil

Seis anos após o derrube de Kadhafi a Líbia é um Estado fracassado que continua mergulhado no caos. Comités negociadores estão a dialogar, na Tunísia, sob auspícios da ONU.

Libyen Angriff libyscher Streitkräfte auf IS in Sirte (Reuters/G. Tomasevic)

Combates em Syrte (2016)

A 20 de outubro de 2011, o líder líbio Muamar Kadhafi  foi executado por comandantes revolucionários em Syrte. Seis anos depois, esta cidade nunca conheceu uma verdadeira paz. Há apenas um ano, Syrte era ainda uma linha da frente dos confrontos armados entre as forças leais ao Governo de União Nacional e elementos do Estado Islâmico que, desde fevereiro de 2015, assumiu o controle desta cidade localizada no litoral mediterrânico. Syrte foi finalmente libertada em dezembro último e hoje a sua população vai vivendo como pode.

Nas ruas de Syrte, marcadas pela guerra, os carros circulam e muitos edifícios estão a ser reconstruídos. Entre 60 e 70% dos habitantes já teriam regressado aos seus lares, segundo os responsáveis da cidade.

Confiança no futuro

Mahmoud Emsameen, uma personalidade de Syrte e que durante a guerra se ocupou dos refugiados na cidade de Misrata, mostra-se confiante no que concerne ao futuro da sua cidade.

"A situação atual de Syrte é correta e as pessoas estão satisfeitas. O comércio reabriu as suas portas e a vida regressou", disse Emsameen à DW.

Muammar Al Gaddafi Portrait (Khaled Desouki/AFP/Getty Images)

Muamar Kadhafi (2010)

Um grande número de edifícios foi entretanto destruído, nomeadamente, no bairro número 1 onde o Estado Islâmico se refugiou na fase final dos combates.

Para Emsameen "há muitas famílias que estão a viver em casa parcialmente destruídas. Muitas delas ocupam somente um quarto porque o resto do edifício ficou destruído. Mas o importante para essas pessoas é regressarem à sua cidade".

Num ginásio reaberto em abril, Ali Saleh lamenta contudo a ausência do Estado. Segundo ele, os bancos da cidade somente receberam duas vezes desde a reabertura, em março, dinheiro líquido de Tripoli. Os residentes de Syrte são obrigados a ir para as cidades vizinhas para retirarem dinheiro dos bancos.

O homem de 32 anos considera que são os habitantes que tudo fazem para manterem a cidade com uma certa vida.

"Quando regressámos a Syrte, ninguém nos ajudou, nem na limpeza das ruas. Nenhuma organização ajudou a população a reconstruir a sua cidade e fizemos tudo sozinhos porque esta é a nossa cidade".

Ali Saleh reconhece as dificuldades, tanto materiais, como psicológicas, enfrentadas pela população de Syrte. O desportista interrompeu toda a atividade durante um ano e meio, o tempo que demorou a ocupação de Syrte após a guerra. Para ele e seus camaradas, o desporto é uma forma de fazer com que as pessoas esqueçam por um certo período os problemas do dia a dia.

"Moralmente estávamos em baixo porque tínhamos abandonado os nossos lares, o nosso dinheiro, tudo o que tínhamos. Por isso ninguém tinha vontade de praticar qualquer tipo de atividade desportiva. Mas quando regressámos, todos decidiram recomeçar com as atividades desportivas que sempre gostámos. Algumas vezes não me sinto bem, mas venho aqui ao ginásio e, passado algum, tempo sinto-me muito melhor".

Se todos os habitantes de Syrte se sentem em segurança, a verdade é que, segundo muitos analistas, várias ameaças não estão totalmente afastadas. Nos finais de setembro, o exército americano bombardeou grupos jihadistas a menos de 200 quilómetros de Syrte.

Retoma do diálogo sob auspícios da ONU

Os comités negociadores do oeste e do leste de Líbia retomaram, no último sábado (14.10.), o diálogo na Tunísia, após os seus respetivos governos aceitarem o primeiro pacote de emendas ao Acordo Nacional de 2015 proposto pelo novo enviado especial da ONU, Ghassan Salamé.

Segundo um comunicado divulgado pela missão da ONU para a Líbia (UNSMIL), o diplomata libanês felicitou os líderes de ambos os comités ao início do encontro, que foi realizado a portas fechadas num hotel do norte de Tunes.

O diplomata também expressou a sua esperança para que seja acordado "um mecanismo que permita formar um novo Conselho Presidencial em alguns dias" e um avanço para "a unidade do país e das instituições públicas, e prepare a Líbia para as próximas eleições presidenciais, legislativas e municipais".

Tanto o Conselho de Estado, órgão vinculado ao governo de unidade sustentada pela ONU em Trípoli, como o Parlamento em Tobruk, dominado pelo marechal Khalifa Hafter, aprovaram, na semana passada, o primeiro ponto do plano proposto por Salamé no final de setembro.

Libyen Tobruk Parlament 2.8.2014 (Reuters)

Parlamento em Tobruk

Ambas as instituições aceitaram a formação de um novo conselho estatal restrito, com um presidente e dois vice-presidentes, independente da presidência do governo.

Eleições em 2018

Segundo o calendário proposto, todas as emendas ao Acordo Nacional, forjado pela própria ONU em 2015, e que desde então acentuou ainda mais a divisão do país, devem entrar em consenso e ser aprovadas antes do fim do mês de novembro para poder convocar novamente eleições em 2018.

A Líbia é um Estado fracassado, vítima do caos e da guerra civil, desde que em 2011 a NATO (Aliança Atlântica) contribuiu para a vitória dos rebeldes sobre a ditadura de Muamar Kadafi.

Desde 2014, o Estado está dividido em dois, com uma autoridade no leste, sob o controle do Parlamento em Tobruk e a tutela do marechal Khalifa Hafter, e outra em Tripoli, sustentada pela ONU e representada pelo primeiro-ministro, Fayez al-Sarraj.

Ambas se apoiam em diferentes milícias que, frequentemente, mudam de esquadrão, e que mantêm difusas relações com grupos jihadistas e com máfias dedicadas a todo tipo de contrabando.
 

 

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