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Moçambique

Confrontos podem levar a cidade da Beira "a rebentar pelas costuras"

O edil da Beira esteve na Alemanha a apresentar as suas experiências bem sucedidas com casos de catástrofes naturais. Isso aconteceu no 7º Fórum Global de Resiliência Urbana e Adaptação aos Eventos Climáticos Extremos.

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Daviz Simango, edil da cidade da Beira, província de Sofala, Moçambique

Edis de quatro municípios moçambicanos (Beira, Nampula, Pemba e Quelimane) estiveram aqui em Bona esta semana (06-08.06) a apresentar as suas experiências não apenas com casos de desastres naturais, como também de boas práticas de investimento com vista ao desenvolvimento das referidas cidades no encontro promovido pelo ICLEI (International Council for Local Environmental Initiatives). O Fórum tem por objetivo envolver Governos locais em prol da Sustentabilidade.

Eles participaram ainda de um evento organizado pelo município de Bona intitulado "Elevando Objetivos de Desenvolvimento Sustentável através de Ações Locais".

A DW África entrevistou primeiro Daviz Simango, edil da Beira, a segunda maior cidade de Moçambique, e também líder do segundo maior partido da oposição:

DW África: O que o trouxe a Bona?

Ouvir o áudio 09:51

Confrontos podem levar a cidade da Beira "a rebentar pelas costuras"

Daviz Simango (DS): Viemos cá partilhar experiências com vários parceiros, municípios, governantes e algumas organizações alemãs e internacionais. De um modo geral, nós da Beira trouxemos uma apresentação que diz respeito aos trabalhos desenvolvidos. A cidade da Beira está a desenvolver uma atividade financiada pela KFW (banco do Governo alemão para o desenvolvimento), num valor de aproximadamente onze milhões de euros. E esse projeto consiste na abertura da vala do rio Chiveve e a ideia que temos é, primeiro, assegurar que o rio Chiveve funcione em razão da sua existência. O rio foi bloqueado, deixou de escoar as águas, passou a ser o centro de depósito de lixo, os mangais foram cortados, as populações foram construindo ao longo do rio e isso trazia consequências graves, criava condições propícias para a eclosão da cólera, mosquitos e com isso a malária nas nossas populações. Por cortarem os mangais o rio ficava desprotegido, promovendo a erosão, e por outro lado, estar fechado não proporcionava o escoamento das águas.

Então, criamos a capacidade de armazenamento, quanto mais chove mais capacidade temos de reter as águas. Por outro lado, temos a capacidade de transferir a água do rio para o mar e a água do mar para o rio. E se tudo correr bem, agora em setembro fica concluído e vai ser espetacular, porque vai reduzir os riscos de infeção através das águas contaminadas, vai reduzir os índices de contaminação da cólera e vai acabar com o fecalismo a céu aberto.

DW África: Relativamente a questão do saneamento e do equilíbrio ambiental na cidade da Beira que resultados já existem deste projeto financiado pela KFW?

Afrika Daviz Simango

Daviz Simango no bairro do Goto, Cidade da Beira

DS: Os resultados são visiveis, com os mangais plantados significa que criamos um ambiente propício ao ecossistema, evita-se também que haja contaminação do ar, porque quando o rio passa a ser um depósito de lixo e de fecalismo a céu aberto cria a contaminação do ar. E por outro lado, como o projeto já vai arrancar em termos de conclusão, vai permitir também que as comunidades tenham recursos financeiros, porque todas essas infrastruturas que vão ser erguidas, em benefício das populações, trazem dividendos, trazem oportunidades de emprego para os jovens e cria naturalmente o turismo na nossa cidade.

DW África: Em abril passado parte da cidade da Beira ficou parcialmente submersa devido a invasão das águas do mar, um fenómeno não muito comum. Pode falar-nos sobre as medidas que o seu município tomou para resolver as consequências disso e também evitar danos decorrentes dessa invasão?

DS: De facto, a cidade da Beira foi sufocada por ondas gigantes que ultrapassaram todas as barreiras de proteção costeira e destruiu, naturalmente, grande parte da nossa costa. O que o município fez foi mobilizar-se com recursos próprios, não pedimos nenhum apoio internacional, nem nacional. Decidimos reduzir algumas necessidades da autarquia para dar prioridade a essa proteção costeira. Neste momento toda a zona danificada já está reposta e agora estamos a cuidar da zona do palácio dos casamentos, que também é uma zona vulnerável, e que sofreu um pouco, mas que não ficou destruída e estamos a repôr os esporões. Por outro lado, com o apoio da KFW, do GIZ (Cooperação Técnica Alemã) e outras entidades alemãs vamos fazer doze esporões na praia nova, isso no próximo ano, mas já é um projeto em carteira no sentido de melhorar a proteção costeira.

Markt Maquinino

Mercado informal no bairro Maquinino, cidade da Beira

DW África: Que consequências a cidade da Beira vive por causa dos confrontos militares entre o exército nacional e homens da RENAMO no centro do país?

DS: A cidade da Beira é o primeiro centro urbano seguro e próximo dessas zonas todas de confrontos. A Beira tem uma grande imigração, há muita gente a vir, muita gente a querer desenvolver e ter a sua vida segura na cidade da Beira. E os resultados disso: as infrastruturas não estão preparadas, as pessoas não têm habitação própria, acabam construindo de uma forma informal, acabam por criar situações desagradáveis a uma cidade. E por outro lado cria um problema de desemprego, toda essa gente que vêm não têm emprego, o que acaba criando a proliferação do comércio informal, porque as pessoas precisam de sobreviver. Então, essas pessoas todas merecem a proteção necessária e é preciso compreender que a Beira vive o pior momento de todos os anos. É que pessoas fugindo da guerra, abandonando os seus haveres procuram refugiar-se ou na Beira ou no Malawi, no caso de Tete. Por outro lado, é preciso compreender que em Moçambique há muita gente a morrer, não por morte natural, mas por assassinatos. As pessoas estão a ser fuziladas, mortas e isso chega a ser um genocídio, porque estão a morrer pessoas. E a questão que se coloca é: quem vai travar isso? Quem vai trazer de volta as crianças que estão a morrer? Porque as nossas zonas de produção agrícola se transformam em centros de valas, de túmulos em vez de serem centros de desenvolvimento para produzirem alimentos.

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