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Internacional

Brasil: vida dos escravos angolanos e moçambicanos na cidade de Pelotas

As charqueadas de Pelotas (Brasil) eram locais para onde enviavam os escravos rebeldes. Muitos, proveninentes de Angola e Moçambique. Em média, cada charqueada tinha setenta escravos que trabalhavam até 16 horas por dia.

Brasilien Sklaven (Luciano Nagel)

Senzala onde ficavam os negros escravos, provenientes de Angola e Moçambique

A cidade de Pelotas, no sul do Brasil, é conhecida como a capital nacional do doce. Mas poucos conhecem as histórias amargas que guardam estes alimentos. O quindim, por exemplo, era feito, nos séculos XVIII e XIX, sobretudo, por escravas vindas de Angola e Moçambique.

Neste período,  milhares de escravos vindos destes dois países africanos, foram enviados pelos portugueses para o Brasil para servir a classe nobre até à morte. Muitos chegaram à cidade de Pelotas para trabalhar nas charqueadas - grandes propriedades onde era produzida carne salgada e seca ao sol.

"Purgatório" dos negros

Em entrevista à DW África, André Sampaio, guia turístico, explica que Pelotas era o local para onde eram enviados os escravos mais rebeldes, que desembarcavam primeiro na região nordeste do Brasil. Enquanto que no geral, no Brasil, a expetativa de vida de um escravo era de 30 a 35 anos de idade, em Pelotas a realidade era "totalmente diferente". "Pelotas era conhecido como o purgatório dos negros. Há relatos que esses escravos duravam aqui apenas cinco/sete anos", afirma.

Ouvir o áudio 02:48

Brasil: vida dos escravos angolanos e moçambicanos na cidade de Pelotas

Segundo o guia turístico, as cerca de 40 charqueadas, que existem até hoje na cidade, empregavam centenas de escravos na produção e no transporte da carne salgada. Fora do período da safra, entre o outono e o inverno gaúcho, essa mão de obra era aproveitada em olarias e na construção civil. 

Ao lado da charqueada São João, uma das mais visitadas em Pelotas, ainda é possível ver a fachada de uma sanzala. Aqui viviam as escravas e os filhos mais novos. Estes escravos geralmente trabalhavam no interior do casarão, servindo os donos da propriedade. Já ao lado da sanzala ficava a casa do feitor, que vigiava os escravos.  Como explica André Sampaio, "existia a casa do feitor que é pegada à sanzala feminina para vigiar todos os movimentos, a entrada e saída desses escravos". Uma das curiosidades da sanzala, acrescenta o guia, é que só existia uma entrada de ar - "uma janelinha pequena e gradeada -para evitar a fuga".

Quem chega à charqueada São João é convidado a fazer uma viagem no tempo.

Brasilien Casarão (Luciano Nagel)

Casarão onde os escravos trabalhavam na cidade de Pelotas, no Brasil

O casarão foi construído em 1810 pelo português António Gonçalves Chaves, um dos maiores charqueadores do Brasil. No interior da mansão, o visitante pode ver de perto instrumentos originais usados no período da escravatura, como bolas de chumbo que eram presas em volta dos tornozelos dos escravos e grilhões, correntes de metal, formada por anéis com cadeados. Segundo André Sampaio, os castigos aplicados aos escravos que tentavam fugir seguiam uma sequência. Quando recapturado, o escravo voltava para a charqueada. O primeiro castigo, conta André Sequeira, era o "tronco onde ele leva chibatadas, depois recebia uma marca de ferro quente no rosto - o "f de fujão" - para que perdesse valor no mercado". Nas charqueadas ele passaria a ter o pior trabalho. Durante a noite, ficava "preso nos grilhões" e "voltava a trabalhar na produção com uma bola, de aproximadamente 13 quilos, presa aos pés".

Até pouco antes do final da escravatura no Brasil, as charqueadas de Pelotas foram movidas pelo braço do homem negro escravizado. Em média, cada charqueada possuía setenta escravos que trabalhavam até 16 horas por dia.

Assistir ao vídeo 02:57

Pelotas: o "purgatório" dos escravos angolanos e moçambicanos no sul do Brasil

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