Zuckerberg defende permanência de Steve Bannon no Facebook | Notícias internacionais e análises | DW | 13.11.2020

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Estados Unidos

Zuckerberg defende permanência de Steve Bannon no Facebook

Ex-ideólogo de Trump sugeriu decapitação de membros "desleais" do governo. Conteúdo foi removido, mas rede não baniu Bannon. Para Zuckerberg, ele não cometeu violações suficientes para justificar banimento.

Mark Zuckerberg, fundados e presidente-executivo do Facebook

Mark Zuckerberg é frequentemente cobrado para combater o extremismo em sua rede social

O fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, disse para os funcionários da empresa na quinta-feira (12/11) que Steve Bannon, o agitador político e ex-conselheiro do governo Donald Trump nos Estados Unidos, não cometeu violações suficientes das políticas da plataforma para justificar uma suspensão permanente, de acordo com uma gravação obtida pela agência Reuters.

Na semana passada, Bannon sugeriu num vídeo que dois altos funcionários dos EUA fossem "decapitados" e que suas cabeças fossem exibidas em frente à Casa Branca como uma advertência para membros do governo federal que não se submetem ao presidente. O vídeo foi apagado do Facebook e do Twitter, mas só a segunda rede decidiu banir Bannon completamente de sua plataforma. No Facebook, uma página de Bannon com 175 mil seguidores continua no ar.

"Temos regras específicas sobre quantas vezes você precisa violar certas políticas antes de desativarmos sua conta completamente", disse Zuckerberg aos funcionários. "Embora as ofensas aqui, eu acho, chegaram perto de cruzar essa linha, elas claramente não cruzaram a linha", completou, segundo a gravação obtida pela Reuters.

Após Bannon permanecer na rede social, um alto membro da campanha do democrata Joe Biden criticou o Facebook afirmando que a empresa "está retalhando o tecido da nossa democracia".

Zuckerberg reconheceu as críticas ao Facebook feitas pela campanha de Biden, mas disse que a empresa compartilhava algumas das mesmas preocupações. Ele pediu ainda aos funcionários que não tirassem conclusões precipitadas sobre como o novo governo poderia abordar a regulamentação das empresas de mídia social.

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Steve Bannon após deixar a cadeia; agitador mantém laços com direita extremista pelo mundo, inclusive com família Bolsonaro

O vídeo de Bannon, publicado em 5 de novembro, teve como alvo o diretor do FBI, Christopher Wray, e o especialista em doenças infecciosas do governo, Anthony Fauci. "Eu colocaria as cabeças [de Fauci e Wray] em estacas, certo? Eu as colocaria nos dois cantos da Casa Branca, para que sirvam de aviso aos burocratas federais. Ou vocês seguem o programa [do governo Trump] ou vão embora", disse ele, durante seu programa War Room, transmitido ao vivo nas redes.

Publicamente, o porta-voz do Facebook, Andy Stone, disse que a empresa poderia tomar mais medidas contra a página de Bannon "se houver violações adicionais".

Já uma porta-voz de Bannon disse que os comentários no vídeo foram "claramente metafóricos" e aludiram a uma referência que Bannon havia feito no dia anterior sobre o julgamento do filósofo e político Thomas More na Inglaterra no século 16. "O Sr. Bannon não pediu, não quis e nunca conclamou violência de qualquer tipo", disse a porta-voz Alexandra Preate em comunicado.

No entanto, falas de outro participante do vídeo de Bannon, Jack Maxey, sugerem que as referências no diálogo estavam longe de ser totalmente metafóricas. Emendando na fala de Bannon, Maxey fez uma referência à Revolução Americana (1776-1881), quando as pessoas consideradas contrárias ao movimento pela independência dos EUA eram executadas. "Aquelas pessoas eram enforcadas. É isso o que costumávamos fazer com traidores", disse.

Na sexta-feira passada, o Facebook chegou a derrubar uma rede de outras páginas vinculadas a Bannon que faziam falsas alegações sobre a eleição presidencial, depois de alertas do grupo ativista Avaaz. Segundo a organização, sete das maiores páginas ligadas a Bannon acumulavam quase 2,5 milhões de seguidores. As páginas fechadas são "Conservative Values", "We Build the Wall Inc", "Citizens of the American Republic", "American Joe" e "Trump at War", assim como o grupo "Gay Communists for Socialism".

Bannon foi preso em agosto por suspeita de desviar verbas de uma campanha de arrecadação para construir um muro junto à fronteira com o México, uma das plataformas defendidas pelo presidente Donald Trump. Ele se declarou inocente e deixou a cadeia após pagar fiança de 5 milhões de dólares (R$ 27,7 milhões).

Como estrategista-chefe da Casa Branca de Trump, Bannon ajudou a articular a política "América em Primeiro Lugar". O republicano demitiu Bannon em agosto de 2017, mas o ex-ideólogo ainda continua a atuar como agitador politico, mantendo laços inclusive com os filhos do presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o guru Olavo de Carvalho.

JPS/rtr/ots

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