Zeitgeist: Al Andalus e a presença muçulmana na Europa | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 24.08.2017
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Zeitgeist: Al Andalus e a presença muçulmana na Europa

Domínio islâmico da Península Ibérica durou quase 800 anos e teve seu apogeu no Califado de Córdoba, que transformou essa cidade do sul da Espanha num centro cultural, econômico e científico da Idade Média.

Vista interna da Mesquita de Córdoba

Vista interna da Mesquita de Córdoba, que se tornou um templo cristão em 1246

A resposta à recorrente questão se o islã pertence à Europa passa necessariamente por Al Andalus, o nome dado ao território da Península Ibérica que foi dominado pelos muçulmanos de 711 a 1492.

A conquista começou em 27 de abril de 711, quando o general omíada Tariq ibn Ziyad desembarcou em Gibraltar, liderando um exército de 9 mil soldados. Foi o início da tomada do reino dos visigodos. Já pouco dias depois, em 19 de julho, ele derrotaria o rei visigodo, Rodrigo, na Batalha de Guadalete, no que é considerado o marco inicial dos quase 800 anos de domínio islâmico da Península Ibérica.

A partir daquele momento e até a Reconquista, o islã foi uma força política, social, religiosa e cultural nessa região da Europa. Esse período e essa região são genericamente conhecidos como Al Andalus, o nome pelo qual os conquistadores árabes se referiam à península.

A também chamada "época moura" na Península Ibérica é parte indissociável da história da Europa. A Mesquita de Córdoba, o Alcázar de Sevilha e a Alambra de Granada fazem parte da Idade Média europeia tanto quantos as catedrais góticas ou romanas.

O Califado de Córdoba, de 929 a 1031, marcou o apogeu político, comercial e cultural de Al Andalus. Sob o domínio dos califas de Córdoba, Al Andalus se transformou num território rico e influente, famoso em toda a Europa pela sua cultura e ciência. Traduções do árabe para o latim, feitas em Córdoba, tiveram forte influência sobre intelectuais europeus, em especial da escolástica.

Córdoba foi a maior cidade da Europa no século 10, com uma população estimada em 500 mil habitantes, e um dos principais centros culturais da região em torno do Mediterrâneo, ao lado de Constantinopla. Sua famosa biblioteca reunia mais livros do que havia em toda a Europa Ocidental.

Judeus e moçárabes (cristãos ibéricos) também viviam no califado, mas tinham que pagar uma espécie de imposto de proteção, não podiam exercer cargos políticos nem se casar com uma muçulmana. Pesquisadores divergem muito sobre a maneira como os califas tratavam as minorias religiosas. Alguns afirmam que a situação dos judeus, por exemplo, era bem melhor do que na Europa cristã. Outros afirmam que a tolerância da Espanha islâmica é um mito multicultural.

Além disso, é certo que esse tratamento variou de uma época para a outra. O período de maior tolerância começa com a ascensão de Abderrahman 3º, em 912, e se estende pelo califado de seu filho, Al Hakam 2º. Depois da morte deste, em 976, a situação piorou. Não por acaso, os califados Abderrahman 3º e Al Hakam 2º de marcaram o auge do Califado de Córdoba.

A guerra civil que se iniciou em 1009 no califado durou quatro anos e levou à sua dissolução, dando origem a um punhado de pequenos reinos islâmicos (taifas). O declínio de Al Andalus começou apenas no século 12, quando dinastias berberes tomaram o poder, e foi selado em 1492, quando os reis católicos Ferdinando de Aragón e Isabella de Castilha derrotaram o Emirado de Granada. Mas, mesmo nessa época tardia, a cultura era florescente. A Alambra, um dos símbolos da presença islâmica na Espanha, foi construída entre 1248 e 1354.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

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