Wikileaks acusado de minar segurança de empresas internacionais | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.12.2010
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Mundo

Wikileaks acusado de minar segurança de empresas internacionais

Ao divulgar lista com locais considerados importantes para segurança nacional dos EUA, portal Wikileaks colocou em perigo muitas empresas internacionais, acusa Washington. Alguns dos endereços são situados na Alemanha.

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Sede da Basf em Ludwigshafen, de relevante para segurança dos EUA

O portal Wikileaks divulgou na internet uma lista de instalações no mundo inteiro consideradas importantes para a segurança nacional norte-americana. O jornal britânico The Times afirmou em sua edição de segunda-feira (6/11) que a lista contém "potenciais alvos de terrorismo".

Nos telegramas diplomáticos estão listadas centenas de oleodutos, gasodutos e importantes cabos de transmissão de dados no mundo inteiro, além de empresas cujos produtos são tidos como fundamentais para a segurança dos EUA. Entre elas estão mais de uma dezena de companhias alemãs. Washington condenou a divulgação como "irresponsável".

Empresas e locais na Alemanha

Segundo o documento publicado, a sede da Basf, em Ludwigshafen, é considerada importante para a segurança dos EUA, por ser o "maior complexo químico do mundo". Além disso, são citadas empresas como a Siemens, importante produtora de transformadores e turbinas para produção e distribuição de eletricidade a partir da energia hidráulica, a Lübecker Drägerwerk AG (tecnologia de medição de gás), a Junghans Feinwerktechnik na cidade de Schramberg, no estado de Baden-Württemberg, no sul da Alemanha ("fundamental na produção de morteiros"), assim como diversas firmas do setor farmacêutico na Alemanha.

A lista também menciona a região norte da Frísia Oriental e a ilha de Sylt, no Mar do Norte, como pontos de chegada dos cabos submarinos transatlânticos TAT-14 e AC-1, que garantem a transmissão de dados entre Europa e EUA.

O governo norte-americano condenou rigorosamente a divulgação das informações. "Julian Assange (fundador do portal) tem os Estados Unidos como alvo, mas está colocando em perigo os interesses de muitos países. Isso é um ato irresponsável”, disse ao Times o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Philip Crowley.

Philip J. Crowley Sprecher US State Department

Crowley: 'Ato irresponsável!'

Segundo ele, há motivos importantes para que certas informações sejam mantidas sob sigilo. "Isso inclui dados relativos a importantes instalações de infraestrutura e recursos vitais para a segurança nacional e econômica de um país."

Londres condena revelações

O governo britânico também criticou a publicação como
ameaça aos países citados. "Condenamos sem restrições a publicação desses documentos secretos", disse um porta-voz em Londres. "As revelações e a publicação causam danos
à segurança nacional dos EUA, do Reino Unido e de outros países. É essencial para os governos poder trabalhar com base em informações secretas”, complementou. Entre os objetos britânicos mencionados nos documentos publicados pelo Wikileaks estão importantes conexões a cabo, instalações de monitormento de satélites e fábricas.

Na avaliação da emissora britânica BBC, os documentos revelam claramente, pela primeira vez, que o governo dos EUA interpreta de forma bastante ampla a importância de locais no exterior para a segurança do país. As representações norte-americanas em todo mundo receberam em fevereiro do ano passado instruções para listar locais cuja destruição poderia ocasionar prejuízos aos EUA.

Banco suíço cancela conta de fundador do Wikileaks

O Postfinance, banco dos correios suíços, anunciou hoje, em comunicado, que cancelou a conta do fundador do Wikileaks, Julian Assange, por "informações falsas" sobre seu domicílio.

Assange abriu uma conta nesse banco suíço após ter cancelado uma outra que mantinha junto ao serviço de pagamento online PayPal, empresa com sede nos Estados Unidos.

Julian Assange

Assange teve conta suíça cancelada

As duas contas serviam para receber donativos dos seguidores do Wikileaks. Em comunicado, a Postfinance afirmou que "decidiu cancelar a ligação comercial" com Julian Assange, justificando que o fundador do Wikileaks "deu informações falsas sobre a sua residência quando da abertura da conta". A entidade afirmou que Assange alegou ter domicílio em Genebra, o que seria imprescindível para se abrir conta no banco, mas a informação não teria sido comprovada.

Durante o fim de semana, o portal de pagamento por internet Paypal cancelou a conta para transferências online da plataforma Wikileaks. A conta em que o portal recebia doações foi encerrada por "infração das condições de utilização", divulgou a empresa.

MD/dpa/lusa
Revisão: Simone Lopes

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