Vitória de Biden é ″cada vez mais irreversível″, diz Mourão | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 13.11.2020

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Brasil

Vitória de Biden é "cada vez mais irreversível", diz Mourão

Vice-presidente destoa de Bolsonaro e reconhece democrata como novo presidente dos EUA. "Como indivíduo, eu reconheço." Ele ainda diz acreditar que governo deve quebrar silêncio sobre a vitória "brevemente".

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira (13/11) que entende que a vitória do democrata Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos e a consequente derrota de Donald Trump "está cada vez mais sendo irreversível".

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Mourão apontou, no entanto, que essa é sua posição individual e que não estava falando pelo governo. Por outro lado, ele afirmou acreditar que "brevemente" o governo Jair Bolsonaro vai reconhecer Biden como presidente eleito.

"Como indivíduo, eu reconheço, mas temos que olhar que eu não respondo pelo governo. Como indivíduo, eu julgo que a vitória do Joe Biden está cada vez mais sendo irreversível", disse Mourão. "Brevemente acho que vai acontecer isso [o reconhecimento pelo governo]. E acho que não há uma tensão entre as duas nações, é mais um fogo de palha", completou.

O democrata Joe Biden venceu as eleições nos EUA no último sábado, após cruzar a marca de 270 votos no Colégio Eleitoral, segundo várias projeções. No entanto, o governo Bolsonaro vem se mantendo em silêncio sobre o resultado, em contraste com dezenas de outros países, incluindo aliados dos EUA, que já parabenizaram Biden e sua vice, Kamala Harris.

Apenas um punhado de nações como Brasil, Rússia e Coreia do Norte ainda permanecem em silêncio. Nesta semana, a China e a Turquia, que vinham evitando tomar posição, acabaram por reconhecer Biden como presidente eleito.

Bolsonaro, por enquanto, segue em silêncio, mas também vem dando sinais de que ficou desapontado com o desfecho da eleição americana. Na quinta-feira, seis dias após o anúncio do resultado, ele disse: "Mas já acabou, já acabaram as eleições?", sinalizando que espera que recontagens ou processos judiciais ainda possam reverter o resultado e dar continuidade ao governo Trump, que não reconhece a derrota e vem tumultuando o processo de transição.

Na terça-feira, Bolsonaro também demonstrou sua contrariedade com um governo Biden ao insinuar que pode ter que recorrer a uma demonstração de força militar para driblar eventuais sanções econômicas impostas pelo futuro presidente democrata em resposta ao desmatamento desenfreado da Amazônia.

Redes ligadas à família Bolsonaro na internet também vêm espalhando que a eleição americana não acabou e que o vencedor só é oficializado em dezembro. Várias contas também vêm propagando as acusações sem provas do republicano de que o pleito foi marcado por fraudes.

Em novembro de 2016, quando ainda era deputado, Bolsonaro parabenizou Trump pelo Twitter poucas horas depois do anúncio da primeira projeção que apontou a vitória do republicano, sem esperar pela oficialização do resultado em dezembro. 

Durante a campanha eleitoral de 2020, Bolsonaro chegou a afirmar publicamente que torcia pela reeleição de Trump e, na semana passada, quando a contagem já sinalizava que Trump seria derrotado, o brasileiro disse que a "esperança é a última que morre". Apelidado de "Trump dos trópicos" por seu estilo radical e afinidade com o homólogo americano, Bolsonaro promoveu durante seu governo um alinhamento incondicional com os EUA.

Mas a simpatia de Bolsonaro não se limitou a falas. Seu governo chegou a dar ajuda indireta para a campanha de Trump, como na visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao estado de Roraima, próximo da fronteira da Venezuela, em setembro. A viagem foi encarada como um gesto para a comunidade latina antichavista do estado da Flórida. A visita de Pompeo a Roraima foi alvo de críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que apontou que a vinda do americano não era apropriada a menos de 46 dias da eleição nos EUA.

Bolsonaro não é o único membro do governo que é fã de Trump. Seu ministro das Relações Exteriores, o ultraconservador Ernesto Araújo, já chegou a comparar Trump com uma espécie de cavaleiro medieval que salvaria o Ocidente.

Os filhos do presidente, que têm forte influência sobre o governo do pai, também são admiradores do republicano. Em 2018, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) chegou a aparecer publicamente com um boné "Trump 2020" durante uma visita a Washington, depois que seu pai já havia sido eleito.

JPS/ots

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