Vice da Câmara restringe investigação de Cunha no Conselho de Ética | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 19.04.2016
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Brasil

Vice da Câmara restringe investigação de Cunha no Conselho de Ética

Waldir Maranhão determina que colegiado apure somente se o presidente da Câmara mentiu sobre contas no exterior, deixando de fora suspeitas de corrupção. Presidente do Conselho de Ética diz que não cumprirá decisão.

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), decidiu limitar as investigações do Conselho de Ética sobre o presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As determinações foram anunciadas por Maranhão nesta terça-feira (19/04), em plenário.

O deputado do PP determinou que o processo que tramita contra o presidente da Câmara no Conselho deve se focar apenas na alegação de que Cunha mentiu sobre a existência de contas bancárias secretas no exterior durante depoimento à CPI da Petrobras, em março de 2015.

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Se outras provas que não se encaixam nesse tema forem utilizadas pelo relator do processo para a "elaboração do parecer a ser submetido à apreciação do colegiado, será o caso de se declarar a sua nulidade, em respeito ao princípio do devido processo legal", escreveu Maranhão, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Dessa forma, o Conselho estaria proibido de apurar as denúncias de que o peemedebista recebeu propina envolvendo contratos da Petrobras, por exemplo, e outras acusações de corrupção – impedindo, assim, que parte das investigações da Operação Lava Jato seja usada como prova.

A decisão do vice-presidente da Câmara acatou uma questão de ordem apresentada por um dos aliados de Cunha no Conselho de Ética, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

O processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara foi aberto no colegiado em novembro de 2015 e vem andando a passos lentos desde então, ofuscado pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A fase atual é a de coleta de provas. O relator Marcos Rogério (DEM-RO), que estabeleceu a continuidade das investigações, solicitou há quase um mês que o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal compartilhem os processos envolvendo Cunha.

Segundo a decisão de Maranhão, porém, essas informações só poderão ser incluídas no processo se, de alguma forma, tiverem relação com a suspeita de que o presidente da casa mentiu sobre a existência de contas no exterior.

Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), fez duras críticas às restrições de Maranhão e afirmou que o colegiado não cumprirá essas determinações.

"Ele [Waldir Maranhão] tem que invocar qual é a lei que vai obrigar o Conselho de Ética a cumprir essa decisão. Ele vai ter que recorrer à Justiça", disse Araújo. "Eles estão achando que, porque ganharam a votação, vão fazer tudo", acrescentou ele, citando a aprovação do processo de impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados neste domingo.

EK/abr/ots

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