Versão restaurada de filme alemão de 1922 reestreia em Los Angeles | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 18.10.2011
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Cultura

Versão restaurada de filme alemão de 1922 reestreia em Los Angeles

Depois de quase 90 anos de sua estreia em Berlim, uma versão restaurada e colorida do filme "A mulher do faraó", do cineasta alemão Ernst Lubitsch, reestreia em Los Angeles no Teatro Egípcio.

Cena do filme

Cena do filme mudo, que estreou em Berlim

Não há lugar melhor para exibir o recém-restaurado filme mudo A mulher do faraó. A arquitetura que faz jus ao nome do Teatro Egípcio em Hollywood, Los Angeles, é perfeitamente adequada ao conteúdo do grandioso filme de Ernst Lubitsch.

O famoso diretor alemão filmou em 1921 A mulher do faraó – um épico de ficção sobre o poder do amor e do ciúme que se passa no antigo Egito. Pouco tempo depois, Lubitsch virou as costas para a Alemanha e migrou para os Estados Unidos, onde se tornou um dos diretores mais populares e bem sucedidos de sua geração em Hollywood.

O diretor Ernst Lubitsch

O diretor Ernst Lubitsch

Mesmo antes de Fritz Lang e Wilhelm Friedrich Murnau, Lubitsch foi decisivo no estabelecimento do cinema alemão em Hollywood – em termos de diretores, atores, roteiristas e cinegrafistas. Hollywood era fascinada por seu cinema e pelo refinamento de sua técnica. Antes de se tornar famoso como diretor de comédia, sua técnica ficou conhecida como o "toque Lubitsch", gênero que ele levou à perfeição.

O cineasta e roteirista Billy Wilder disse no Seminário Harold Lloyd em 1976 que, se soubesse a fórmula para o "toque Lubitsch", o teria patenteado: "Ninguém no mundo poderia chegar a uma solução melhor do que as de Lubitsch", elogiou.

Egito em Berlim

A mulher do faraó foi filmado no bairro de Steglitz, no sul de Berlim, em 1921. Usando bastidores de um enorme templo em uma antiga cidade egípcia e uma esfinge gigante, Ernst Lubitsch e sua equipe construíram o cenário todo em tamanho original. Grandiosos exércitos, dezenas de cavalos e trajes suntuosos – os produtores do filme não pouparam custos e esforços para reproduzir o Egito antigo da forma mais autêntica possível na capital alemã.

Cenário construído no sul de Berlim

Cenário construído no sul de Berlim

"Um filme épico. Carros estacionados do lado de fora do Ufa-Palast. Metade de Berlim está no auditório. Os intelectuais e os dignos. O reino dos faraós é retratado em uma época indeterminada. O cenário todo é apenas o pano de fundo para uma história de amor em grande estilo. Uma escrava grega torna-se rainha. A monarquia é destruída por isso. Começa a guerra em todo o país. Cenas de impacto sem precedentes", relatou o jornal Berliner Lokal-Anzeiger após a estreia do filme, na época no Zoo Palast.

A música, conhecida opereta do compositor Eduard Künneke, contribuiu para sucesso do filme.

Reconstrução meticulosa

Nos anos seguintes, o filme de Lubitsch seguiu o caminho de outros clássicos da história do cinema. Cópias do filme foram espalhadas por todo o mundo e acabaram danificadas.

Décadas mais tarde, este tesouro da história do cinema foi restaurado. No caso do A mulher do faraó, fragmentos foram encontrados em arquivos russos, italianos e americanos. O Museu de Cinema de Munique e o Arquivo Federal conduziram a restauração do clássico, enquanto a empresa Alpha-Omega, de Munique, cuidou da sua digitalização.

O ator Emil Jannings como o Faraó Amen

O ator Emil Jannings como o Faraó Amen

O resultado é uma versão quase completa de A mulher do faraó. Além disso, é a primeira restauração digital de uma película colorida posteriormente. A exibição nos EUA, nesta terça-feira (18/10), será acompanhada por uma orquestra ao vivo. A reestreia mundial acontece em Nova York quase 90 anos após a estreia em Berlim e coloca a arte de Ernst Lubitsch mais uma vez em destaque em Hollywood.

Referência para um gênero

A importância de A mulher do faraó foi enfatizada pelo diretor do Arquivo de Cinema e da Televisão da Universidade da Califórnia, Jan-Horak Christopher, que viu uma prévia da versão digital do filme restaurada em setembro.

Horak escreveu sua tese de mestrado sobre Ernst Lubitsch e considera o filme um importante elo entre os diretores alemães e o cinema norte-americano: "O conjunto monumental da obra e o grande elenco possivelmente influenciaram Cecil B. DeMille em Os Dez Mandamentos (1923), e ambos os filmes se tornaram referência para estabelecer este gênero", avaliou.

Autores: Jochen Kürten / Helen Whittle (bv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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