Verão para encher lingüiça | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 10.08.2003
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Alemanha

Verão para encher lingüiça

Os políticos estão de recesso, os jornalistas sem assunto nenhum. E quem come sapo é o leitor.

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Marcou, virou manchete!

Está todo mundo de férias. Nos corredores, nem sequer uma viva alma. Porta-vozes do governo, presidentes de comissões e todas as demais pseudocelebridades estão de recesso, torrando nas praias ou podando as cercas vivas dos seus respectivos jardins. Como se não bastasse, um calorão desses, ainda por cima! O calor sufoca a cidade, penetra por todos os cantos, chega nas redações e dá aquela morgação... Faltam manchetes e assuntos; grassa a escassez de notícias.

Sem essa de papo sério

Então chega a vez dele: um filhotinho de baleia, tão fofo, com seus 15 metros de comprimento, nadando pacatamente pelo amplo oceano, até cair na baía do porto de Kiel, no começo de agosto. Bastou o gigante mamífero se aproximar do cais, com cara de perdido, para crianças eufóricas e repórteres apressados se aglomerarem à margem, com máquinas fotográficas e equipes de filmagem. Finalmente um assunto para se fazer uma reportagem a ser transmitida no horário nobre do principal canal público de TV!

Sejam bem-vindos à falta de assunto! Ao "buraco de verão" (Sommerloch), como diriam os alemães. Está inaugurada a temporada de encher lingüiça, que dura do final de junho ao início de setembro. Em alemão, fala-se da "época de picles", pois é neste período que os pepinos amadurecem e são postos em conserva. "Silly Season", dizem os ingleses, para se referir à mesma coisa. "Os políticos atuantes, grande parte do público e muitos jornalistas estão de férias", justifica

Urlaub in Rumänien

Jo Gröbel, diretor do Instituto Europeu de Mídia, em Düsseldorf. "Além disso, este calor acaba com a vontade de tratar de assuntos sérios", acrescenta ele.

Loch Ness dá manchete

Não importa se for o imposto sobre jujuba ou o crocodilo do Reno: nada é absurdo demais para se escrever um artigo de páginas e páginas. Com um certo jeitinho, qualquer besteira pode ser transformada num furo de reportagem. A maior atração é o palco de verão parlamentar, repleto de atores coadjuvantes e figurantes ao encalço de Andy Warhol, ou seja, lutando pelos seus 15 minutos de sucesso com todo sangue frio. Um que entrou para a história foi o deputado democrata-cristão Dionys Jobst, que em 1994 fez a proposta de anexar Mallorca à Alemanha.

É claro que existem coberturas jornalísticas descabidas em todos os continentes. Mas, comparando toda a imprensa internacional, parece que a tradicional temporada de falta de assunto é um fenômeno tipicamente europeu. Em nenhum outro lugar se debatem simultaneamente tantos temas de desinteresse coletivo, como a subvenção de pílulas de viagra para funcionários públicos da União

Nessie aus Loch Ness

Européia ou a aparição cientificamente comprovada de um monstro aquático no lugarejo escocês de Loch Ness, em 2003.

Jacaré marcou, virou notícia!

Quem quiser experimentar na pele a mais radical falta de assunto e cair no verdadeiro "buraco de verão", tem que visitar o estado da Renânia-Palatinado. Afinal, é lá, perto de Mainz, que fica a cidadezinha de Sommerloch. Bem menos perigosas do que o monstro de Loch Ness ou o jacaré do Reno, as poucas almas de Sommerloch convidam todo verão para sua tradicional festa do vinho.

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