Vacina russa contra covid-19 será testada na Venezuela | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 02.10.2020

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Coronavírus

Vacina russa contra covid-19 será testada na Venezuela

País recebe carregamento com Sputnik V. Testes começam ainda neste mês e incluem 2 mil voluntários. Apesar de grave crise econômica, Caracas afirma que também pretende produzir a vacina.

Ampolas da vacina Sputnik V

Vacina está em fase de testes na Rússia

A Venezuela recebeu nesta sexta-feira (02/10) um carregamento da vacina russa contra a covid-19, batizada de Sputnik V, para participar dos testes clínicos da imunização. A entrega foi a primeira desta vacina feita na América Latina.

"Essa cooperação foi resultado do contato permanente, das reuniões e da estreita cooperação existente entre a Venezuela e a Rússia", afirmou a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, ao anunciar a chegada do carregamento ao país.

Segundo o ministro da Saúde venezuelano, Carlos Alvarado, 2 mil pessoas participaram dos testes que começa neste mês em Caracas. "Assim que terminar a fase 3, tanto na Rússia, quanto na Venezuela, se iniciará o processo de produção em massa da vacina", disse.

Em 11 de agosto, a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a covid-19, mesmo antes da publicação de dados sobre a imunização e sem a conclusão de todas as fases de estudo, que inclui um teste em grande escala. Muitos cientistas no país e no exterior levantaram dúvidas sobre a segurança e eficácia da imunização.

A vacina recebeu o nome de Sputnik V em homenagem ao primeiro satélite do mundo, lançado pela União Soviética em outubro de 1957. Especialistas ocidentais alertaram contra seu uso até que tenham sido tomadas as medidas regulatórias e o produto tenha passado pelos testes aprovados internacionalmente.

Atualmente, testes da fase 3, o último da etapa de desenvolvimento de vacinas, estão sendo realizados na Rússia e contam com mais de 40 mil voluntários. Em agosto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, já tinha dito que o país pretendia participar dos testes e que também deseja produzir a imunização, apesar da grave crise econômica que enfrenta.

Além da Venezuela, as Filipinas e o Paraná, no Brasil, mostraram interesse em testar e produzir a vacina.

Segundo dados oficiais, foram registrados 76.029 casos de covid-19 na Venezuela e 635 mortes. A oposição e organizações de direitos humanos, porém, contestam os dados e afirmam que o governo está escondendo uma situação muito pior.

A Rússia tem sido o principal aliado de Maduro diante da pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para retirá-lo do poder desde a última eleição presidencial em 2018, que foi marcada por acusações de fraude e intimidação. Em 2019, Brasil, EUA e dezenas de outros países reconheceram Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como líder do país.

CN/rtr/afp

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