1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Vírus zika provoca atrofia dos testículos, diz estudo

23 de fevereiro de 2017

Cientistas americanos concluem que agente infeccioso continua presente nos testículos mesmo após deixar a corrente sanguínea. Vírus afeta níveis de testosterona e pode impactar a fertilidade dos homens.

https://p.dw.com/p/2Y9V8
Zika em imagem de microscópio
Imagem de microscópio mostra o vírus do zika (em vermelho)Foto: picture-alliance/dpa/Nih/Niaid

Um estudo publicado nesta quarta-feira (22/02) pela revista especializada Science Advances sugere um forte impacto do vírus zika no sistema reprodutivo masculino. A partir de testes em ratos, cientistas da Universidade de Yale concluíram que o zika provoca diminuição dos níveis de testosterona e atrofia dos testículos.

"Foi reportado que o vírus da zika podia ser detectado no sêmen por períodos prolongados depois da infecção no ser humano. Portanto, pensamos na hipótese de que o vírus possa se replicar nos testículos e a comprovamos usando um modelo com ratos", explicou à agência Efe Ryuta Uraki, pesquisador que coordenou o estudo.

Leia mais: Entenda a diferença entre vírus e bactéria

Os cientistas infectaram ratos e notaram que o vírus desaparecia do sangue dos animais após 21 dias, mas ainda estava presente nos testículos, que haviam encolhido "significativamente". Segundo Uraki, isso seria um indício de que as células morreram depois da infecção.

Assim como o da dengue, o vírus zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e costuma causar febre leve, erupções na pele, conjuntivite e dores musculares, além de estar relacionado com más-formações congênitas em fetos cujas mães são infectadas durante a gravidez.

Uraki também afirmou que, embora se acredite que o vírus se espalha principalmente por meio da picada do mosquito infectado, é preciso levar em conta o risco da transmissão sexual.

O pesquisador afirma que, após a infecção, "o esperma tem uma capacidade de movimento reduzida, o que poderia diminuir a fertilidade". Por terem utilizado ratos, contudo, os cientistas ainda precisam saber se suas conclusões também se aplicam aos seres humanos.

"Como seres humanos com um sistema imunológico totalmente funcional também demonstram uma infecção persistente do zika nos testículos, estas descobertas têm grandes implicações para a fertilidade dos homens que foram expostos ao vírus", afirma o estudo. "Será importante controlar a fertilidade dos homens que foram infectadas com o zika para compreender melhor o impacto nos seres humanos." 

Os especialistas também querem saber por que o vírus zika permanece presente nos testículos e por que o sistema imunológico não consegue eliminá-lo no local.

IP/efe/ots