Uma nova corrida para a Lua? | Notícias internacionais e análises | DW | 22.04.2019
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Mundo

Uma nova corrida para a Lua?

Meio século após primeiro pouso lunar, nova disputa pelo satélite terrestre parece estar em andamento. EUA querem novamente sair ganhando. Qual é a ambição dos russos? E qual o papel do resto do mundo?

Foguete da Soyuz no Cazaquistão

Foguete da Soyuz no Cazaquistão: americanos querem construir agora sua própria espaçonave

No início deste mês, Israel quase se juntou ao clube não oficial das potências espaciais globais. Mas os israelenses não tiveram o mesmo sucesso que russos, americanos e chineses: o módulo lunar Beresheet não conseguiu pousar, caindo na superfície da Lua devido a falhas no motor. No entanto o experimento alimentou os boatos de uma "nova corrida espacial para a Lua".

Os Estados Unidos venceram a primeira corrida em 1969, quando os astronautas da Apollo 11 caminharam sobre o satélite. Agora Washington quer outro pouso na Lua – em dose dupla.

No fim de março de 2019, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, instruiu a agência espacial do país, Nasa, a colocar os americanos na Lua novamente dentro de cinco anos. Se a agência não conseguir, advertiu Pence, o governo recorrerá a empresas privadas.

O político republicano afirmou que os EUA vão vencer essa nova corrida lunar, assim como na década de 1960, mas não revelou com quem exatamente o país estaria competindo.

Segundo Ramon Lugo, diretor do Instituto Espacial da Flórida, na Universidade de Orlando, Pence estaria possivelmente se referindo à rivalidade com a China. Não há dúvida de que Pequim tem um programa lunar, afirma, acrescentando que Washington e Pequim estão competindo em "muitas áreas da tecnologia".

Em janeiro, a China conseguiu pousar sua primeira sonda espacial no lado escuro da Lua. Lugo, que por muito tempo trabalhou na Nasa, considera improvável que a Rússia, apesar de seu papel no envio de astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS), possa atualmente se posicionar como um verdadeiro rival dos EUA no espaço.

Em sua opinião, os americanos competiriam consigo mesmos na "corrida para Lua", pois se trata antes da concorrência entre a NASA e empresas privadas, como a SpaceX de Elon Musk. Para o diretor do Instituto Espacial da Flórida, o plano de Pence de retornar à Lua até 2024 é otimista demais. Os astronautas poderão voltar à órbita lunar dentro dos próximos cinco anos, mas pousar no satélite terrestre não será possível até por volta de 2030.

A única maneira de acelerar esse cronograma seria a NASA empregar foguetes da SpaceX que foram desenvolvidos para uma missão a Marte, sugere o ex-funcionário da Nasa, embora ressalvando que as condições na Lua são muito diferentes das em Marte.

Rússia e UE no páreo?

De acordo com Andrey Ionin, da Academia Russa de Cosmonáutica, não há "corrida pela Lua", e a declaração de Pence foi "motivada internamente" para ganho político. Ele não descarta a possibilidade de um pouso lunar dos EUA como um "projeto único" nos próximos cinco anos, mas não pode imaginar a Rússia ou a China participando do tipo de "corrida lunar" promovida por Pence.

A Rússia não tem condições nem financeiras nem tecnológicas de fazê-lo no momento, apesar de seus progressos na pesquisa lunar, afirma Ionin.

O experimento de quatro meses Sirius-19,  para simular um voo à Lua, está em andamento em Moscou desde meados de março, com a participação principalmente de cientistas russos. Além disso, a agência espacial do país, Roscosmos, anunciou planos para estabelecer uma colônia lunar até 2040. Uma missão tripulada russa à Lua não deverá acontecer antes da década de 2030.

Thomas Jarzombek, parlamentar e coordenador de assuntos aeroespaciais do Ministério alemão de Economia e Energia, descartou o potencial de uma nova "corrida para Lua".

"Não é que os americanos queiram ir sozinhos, haverá, antes, uma cooperação em larga escala semelhante à ISS, algo com o Canadá, a Europa e o Japão", disse à DW. "Precisamos de um anúncio dos EUA sobre como proceder daqui."

Pence não mencionou esse tipo de cooperação. No entanto, a União Europeia está interessada em participar do projeto internacional Gateway, liderado pela NASA, para a construção de uma estação espacial na Lua, atualmente ainda em fase de planejamento. A Rússia também mostrou interesse, mas em 2018 Dmitri Rogozin, diretor da Roscosmos, afirmou que Moscou não queria fazer "um papel de coadjuvante".

Após a aposentadoria do programa do ônibus espacial Space Shuttle, os EUA tiveram que recorrer à nave espacial Soyuz da Rússia para enviar astronautas à ISS. Agora os americanos estão desenvolvendo uma nova espaçonave tripulada, a Orion, que a NASA usará para uma provável missão lunar. O primeiro voo de teste foi concluído em 2014.

A Agência Espacial Europeia (ESA) desenvolveu para a Orion um módulo de serviço, construído principalmente na Alemanha, que fornecerá combustível, água e oxigênio à espaçonave. Para Jarzombek trata-se de um importante sinal de cooperação com os EUA: "É um grande sucesso para nós, fornecermos, pela primeira vez, componentes essenciais para os americanos."

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