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Foto de Olaf Scholz. Ele veste terno escuro e gravara azul estampada. Ao fundo, desfocada, é possível ve ruma árvore de Natal iluminada. É noite.
"Os anos 20 serão uma década de novos começos", disse ScholzFoto: Kay Nietfeld/dpa/picture alliance

"Uma coisa é clara: a pandemia não acabou", diz Olaf Scholz

31 de dezembro de 2021

Em primeira mensagem de Ano Novo, novo chanceler diz que transição suave que encerrou a era Merkel mostra força da sociedade alemã. Ele ainda elogiou a vacinação e falou das enchentes que atingiram o país no verão.

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Em sua primeira mensagem televisiva de Ano Novo, o novo chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, lembrou as devastadoras enchentes que atingiram o país em julho, agradeceu aos alemães pelos sacrifícios em tempos de pandemia, saudou o avanço da vacinação e lembrou que, infelizmente, a crise sanitária ainda não chegou ao fim.

"O ano de 2021 foi muito desafiador para todos nós. A pandemia com seus fardos e profundas restrições nos pressionou até os ossos. E ninguém vai esquecer as inundações devastadoras nos estados da Renânia do Norte-Vestfália, Baviera e Renânia-Palatinado tão cedo. Por pior que os dois episódios tenham sido, nossa resposta também inclui uma boa notícia: como sociedade, nós, na Alemanha, aceitamos esses desafios com firmeza", disse o chanceler federal.

Em julho, a Alemanha enfrentou o seu pior desastre natural em décadas. As enchentes, que atingiram especialmente o leste do país, deixaram quase 200 mortos e devastaram vilarejos inteiros.

"Depois da enchente, todos nós lutamos juntos. Juntos, ajudamos, limpamos e começamos a reconstruir. E teremos que fazer isso por muito tempo. E na luta contra a pandemia, mais de 60 milhões de pessoas em nosso país já foram vacinadas - e esse número está aumentando a cada dia".

Scholz tomou posse como novo chanceler federal da Alemanha em 8 de dezembro, encerrando os 16 anos de liderança de Angela Merkel. Sua legenda, o Partido Social-Democrata (SPD) foi a mais votada nas eleições de setembro, recebendo 25,7% da preferência do eleitorado. Além do SPD, a nova coalizão de governo liderada por Scholz conta com o com o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP).

Scholz abriu sua mensagem de Ano Novo classificando a passagem de governo entre setembro e dezembro como uma "transição suave". Esta também foi a primeira mensagem de Ano Novo em mais de uma década e meia que não foi gravada por Merkel

"A transição suave, por vezes amigável, do antigo governo federal para o novo foi encarada com grande aprovação em todo o mundo. É um bom sinal da força da nossa sociedade", disse o social-democrata Scholz.

Com exceção do discurso de Ano Novo, é raro que um chanceler federal faça pronunciamentos em cadeia nacional na Alemanha. Tradicionalmente, a mensagem de Ano Novo é transmitida no horário nobre da televisão alemã e costuma registrar uma audiência expressiva. No Natal, cabe ao presidente da Alemanha fazer o discurso. Neste ano, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, usou um tom similar ao de Scholz. "Raras vezes nosso país foi tão desafiado", disse.

Pandemia e vacinação

Em sua fala, Scholz também rejeitou a ideia de que a Alemanha esteja de alguma forma dividida no enfrentamento das crises. "Gostaria de dizer aqui com toda a clareza: o oposto é verdadeiro! Nosso país está unido", afirmou, evitando mencionar que várias cidades alemãs têm sido palco de protestos - alguns deles violentos - contra a vacinação e medidas de restrição,

"O que eu percebo em todos os lugares é uma enorme solidariedade, uma enorme vontade de ajudar", completou, fazendo um agradecimento direcionado a funcionários de "hospitais, postos de enfermagem, consultórios médicos ou centros de vacinação" e membros da polícia e das Forças Armadas.

"Claro, também experimentamos diferentes opiniões e avaliações em nossa interação diária. Especialmente no assunto da pandemia. Isso costuma ser exaustivo. Mas uma comunidade forte pode resistir a contradições - se ouvirmos uns aos outros. E se tivermos respeito um pelo outro", afirmou.

Na sequência, Scholz lembrou que a crise sanitária não chegou ao fim e alertou os habitantes do país para que mantenham os cuidados em relação ao coronavírus,

"Uma coisa é clara para todos nós: a pandemia não acabou. Infelizmente. Após os últimos 21 meses, desejamos muito isso. A grande festa de Réveillon tem de ser cancelada novamente esta noite. (...) Estamos fazendo isso para impedir que o vírus se espalhe. E para evitar colocar pressão adicional em nossos hospitais. Apoiamos assim o trabalho das enfermeiras, dos médicos, que também estarão de serviço esta noite", disse Scholz.

"Uma coisa é certa: os próximos dias e semanas ainda serão dominados pelo coronavírus. O vírus mudou. Uma nova variante está se espalhando rapidamente. Você ouviu o nome dela: ômicron. Muitos se perguntam o que isso significa para nós novamente, o que acontece agora. Prometo que responderemos de forma rápida e decisiva", acrescentou. "Leve as restrições muito a sério. Para sua proteção, para a proteção de suas famílias. Para a proteção de todos nós."

Scholz ainda instou aos que ainda não se vacinaram que procurem se imunizar. "Sabemos que aqueles que ainda não foram vacinados correm um risco especial de se infectar e sofrer da doença por um longo e grave período. Por isso, apelo mais uma vez a você: vacine-se!".

Ele ainda afirmou estar ciente que algumas pessoas se mostram "céticas" com relação às vacinas e lembrou que "quase quatro bilhões de pessoas em todo o mundo já estão vacinadas, sem grandes efeitos colaterais".

"Os benefícios da vacinação são realmente grandes. A nova variante do vírus em particular agora deve ser o fator decisivo para a vacinação. Esta é a saída para esta pandemia."

Desafios para os próximos anos

Scholz e sua coalizão de governo assumiram o governo alemão em dezembro anunciando metas ambiciosas para o país nos próximos anos, especialmente nas áreas climática, energética e digital e no mercado de trabalho.

"Os anos 20 serão uma década de novos começos", disse Scholz na sua mensagem de Ano Novo.

"Estabelecemos metas ambiciosas para isso: a Alemanha deve atingir a neutralidade climática em menos de 25 anos. Para isso, avançaremos na maior reestruturação de nossa economia em mais de 100 anos. Durante este período, nos tornaremos independentes de carvão, petróleo e gás. E, ao mesmo tempo, produziremos pelo menos duas vezes mais eletricidade do que hoje a partir do vento, do sol e de outras energias renováveis. Uma tarefa gigantesca!", disse o chanceler.

"Como um país industrial moderno, atingiremos nossos objetivos climáticos. E nossas tecnologias ainda estão entre as melhores do mundo. Estou confiante, porque temos tudo o que é necessário para isso. Seremos capazes de dominar as grandes mudanças de nosso tempo juntos e uns com os outros quando nos unimos como uma comunidade."

Scholz ainda lembrou que seu governo pretende aumentar o salário-mínimo na Alemanha de 9,60 euros por hora para 12 euros no próximo ano. "Um salário decente também é uma questão de respeito. E isso também é importante para mim: todos devem poder viver adequadamente dos frutos do seu próprio trabalho, mesmo na velhice".

Ao final da sua mensagem, Scholz enfatizou a importância do multilateralismo e da União Europeia. Ele lembrou que a Alemanha assumirá em 1° de janeiro a presidência do G7 por um ano.

"A cooperação internacional é importante. Em um mundo que em breve será o lar de dez bilhões de pessoas, nossas vozes só serão ouvidas se nos apresentarmos em um coro com muitos outros", afirmou. É por isso que continuamos a trabalhar para o sucesso da União Europeia. O nosso objetivo é uma Europa forte e soberana. Uma Europa que vive de acordo com os seus valores comuns de paz, estado de direito e democracia."

"Desejo a você tudo de melhor para o ano novo. Principalmente saúde. Meu grande desejo para 2022: vamos permanecer juntos!", finalizou Scholz.