Ultradireita sofre revés em eleições regionais na França | Notícias internacionais e análises | DW | 21.06.2021

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Europa

Ultradireita sofre revés em eleições regionais na França

Partido de Le Pen recebe apoio abaixo do esperado no pleito, considerado um termômetro para a eleição presidencial de 2022. Em quinto lugar, legenda de Macron também não decola. Abstenção foi recorde, de cerca de 68%.

Marine Le Pen

Apesar do resultado, partido de Le Pen ainda pode controlar uma região do país se vencer no segundo turno

O primeiro turno das eleições regionais francesas, consideradas um termômetro para o pleito presidencial do próximo ano, trouxe um revés tanto para o presidente Emmanuel Macron quanto para sua adversária Marine Le Pen, candidata da ultradireita.

Com uma abstenção recorde – estima-se que entre 66% e 68% dos eleitores franceses não foram às urnas –, o pleito deste domingo (20/06) teve resultados aquém dos esperados para os partidos A República em Marcha (LREM), de Macron, e Reunião Nacional (RN), de Le Pen.

Projeções da imprensa francesa mostram o ultradireitista RN em segundo lugar nacionalmente, com cerca de 19% dos votos, atrás apenas da legenda de centro-direita Os Republicanos, com 28%. Em seguida, o Partido Socialista e parceiros obtiveram cerca de 16%, afirmam as projeções, enquanto os verdes tiveram 13%.

Apenas em quinto lugar, o LREM de Macron aparece com cerca de 11% da preferência do eleitorado – o que foi descrito como "um tapa na cara" democrático" pela deputada do partido Aurore Bergé. "Não vou minimizar o que aconteceu", disse ela à emissora BFMTV.

O resultado marca uma perda significativa para o partido de Le Pen em comparação com dezembro de 2015, quando obteve 27,7% dos votos no primeiro turno das eleições regionais. A ultradireitista não concorreu como candidata, mas fez campanha forte por seus candidatos regionais, especialmente nas áreas rurais onde o apoio à ultradireita continua alto.

Neste ano, estimava-se que o RN poderia chegar na frente em seis das 13 regiões da França, mas com o revés nas urnas, o partido só tem chance – embora pequena – de levar uma delas no segundo turno, a Provença-Alpes-Costa Azul, que abriga Marselha. O RN nunca controlou uma região. Portanto, uma vitória no segundo turno enviaria a mensagem de que a França ainda não pode descartar a ideia de ter um ultradireitista vencendo as eleições presidenciais do ano que vem.

Le Pen culpou a alta abstenção pelo resultado deste domingo. "Nossos eleitores não compareceram [às urnas]", declarou a líder do Reunião Nacional em suas primeiras declarações após o pleito. "Eu só posso lamentar esse desastre cívico, que muito fortemente deformou a realidade eleitoral do país e deu uma ideia enganosa das forças políticas em jogo", acrescentou. "Se você quer que as coisas mudem, saia de casa e vote [no próximo turno]."

Alta abstenção

A abstenção nas urnas foi a maior desde pelo menos 1958, mas a tendência de alta está clara há anos, não apenas nos pleitos regionais, mas também nos presidenciais. Nas regionais de 2015, pouco mais de 50% dos franceses não foram votar. Em 2010, foram 53,7%.

"Poderíamos dizer que é um colapso na participação eleitoral", disse o cientista político Bruno Cautrès, da Universidade Sciences Po.

Neste ano, parece ter desempenhado um papel o fato de a campanha eleitoral ter sido minguada em meio às restrições de combate à covid-19. Outro fator apontado é o clima quente de verão registrado neste domingo, num fim de semana em que as regras sobre o uso de máscaras foram afrouxadas. 

"Estou chocado: os franceses reclamam o tempo todo, mas quando precisam votar, preferem ir à praia ou à piscina", disse um eleitor no sul da França.

A eleição deste domingo foi para eleger novos parlamentos para as 13 regiões da França, bem como para os 96 departamentos do país. Os conselhos regionais têm orçamentos de bilhões de euros e são responsáveis por setores como educação, transporte e desenvolvimento econômico.

Houve um total de 15.786 candidatos concorrendo a 4.108 assentos. Os vencedores são normalmente eleitos para um mandato de seis anos. O segundo turno ocorre no próximo domingo, 27 de junho, com todos os candidatos que receberam mais de 10% dos votos no primeiro, o que significa que pode haver três ou mais partidos concorrendo na segunda rodada.

ek/lf (AFP, Reuters, DPA, Lusa, ots)

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