Ultraconservadores lideram eleição parlamentar no Irã | Notícias internacionais e análises | DW | 22.02.2020
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Mundo

Ultraconservadores lideram eleição parlamentar no Irã

Resultados parciais apontam para uma ampla vitória da coalizão que se opõe ao rumo reformista de Hassan Rohani. Quase 75% dos candidatos que apoiam o presidente iraniano foram impedidos de concorrer ao pleito.

Mulheres vestidas de véu negro sentadas atendem a outra mulher de véu negro em pé, que tira impressão digital

Votação iraniana teve nível de participação reduzido, segundo informações preliminares

Resultados parciais nas eleições parlamentares no Irã, divulgados neste sábado (22/02), apontam para uma vitória da coalizão de conservadores e ultraconservadores, que faz oposição aos reformistas do presidente iraniano, Hassan Rohani.

Os primeiros resultados mostram uma liderança clara dos oponentes de Rohani na capital Teerã. Os 30 assentos parlamentares em disputa na cidade são tidos como particularmente importantes.

O principal candidato da coalizão, Mohammed Bagher Ghalibaf, ganhou o maior número de votos e já é considerado claro vencedor da votação e possível novo presidente do Parlamento. Candidato à presidência três vezes, ex-chefe de polícia e membro da Guarda Revolucionária, Ghalibaf foi prefeito de Teerã entre 2005 e 2017.

Os resultados finais para a capital e outras províncias serão anunciados no início de domingo, no mais tardar, segundo as autoridades eleitorais iranianas. O resultado total é esperado para a segunda-feira.

Os representantes dos conservadores e ultraconservadores também lideram no interior. Isso dá a eles boas chances de ganharem uma eleição no Irã pela primeira vez, após sete anos de ausência no cenário político.

Os reformistas em torno do presidente Rohani foram ao pleito com chances reduzidas de bom resultado, já que quase 75% dos seus candidatos – incluindo dezenas de legisladores que tentavam reeleição – foram vetados pelo Conselho dos Guardiões, o qual, conforme a Constituição, é responsável por julgar a confiabilidade ideológica dos candidatos.

O Conselho dos Guardiões não é órgão eleito democraticamente, e seus critérios são controversos. Após todos os revezes, os reformistas esperam conseguir pelo menos 50 dos 290 assentos do Parlamento.

Além do Conselho dos Guardiões, a política do presidente dos EUA, Donald Trump, também ajudou os políticos linha-dura. A saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã e a imposição de pesadas sanções sobre o país enfraqueceram não apenas o presidente Rohani, mas também todo o campo reformista iraniano.

Para os conservadores e especialmente os ultraconservadores que, como Trump, se opuseram desde o início ao acordo nuclear e à aproximação do Irã com o Ocidente, o presidente americano serviu como uma espécie de cabo eleitoral, segundo observadores.

Entretanto, a baixa participação eleitoral pode repercutir negativamente para todo o sistema de poder iraniano. Era esperada uma participação entre 55 e 60%. Na opinião dos líderes do país, um comparecimento elevado às urnas seria sinal de apoio popular ao regime islâmico.

Embora ainda não haja dados oficiais, informantes no Twitter falam em uma participação de cerca de 42% em todo o país e apenas 27% em Teerã.

Para chegar ao Parlamento no primeiro turno, os candidatos precisam obter pelo menos 20% dos votos em suas áreas eleitorais. Caso contrário, têm que participar de um segundo turno, agendado para meados de abril, quando basta uma maioria simples. O novo Parlamento começa seus trabalhos no final de maio.

Se o ressurgimento dos conservadores for confirmado, a ampla maioria de reformistas e moderados, que sustenta o presidente Rohani e foi eleita com alarde há quatro anos, pode praticamente ser reduzida à insignificância.

MD/dpa/afp

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