Turquia condena ex-correspondente alemão por suposta propaganda terrorista | Notícias internacionais e análises | DW | 16.07.2020
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Mundo

Turquia condena ex-correspondente alemão por suposta propaganda terrorista

Jornalista turco-alemão é sentenciado a dois anos e nove meses, em caso que abalou relações entre Ancara e Berlim. Deniz Yücel já passou um ano em prisão preventiva considerada ilegal pelo Tribunal Constitucional turco.

Jornalista Deniz Yücel

Jornalista Deniz Yücel foi condenado por suas reportagenes para o jornal "Die Welt"

Um tribunal em Istambul condenou nesta quinta-feira (16/07) o jornalista Deniz Yücel, ex-correspondente na Turquia do jornal alemão Die Welt, a dois anos e nove meses de prisão, em um caso que abalou os laços entre Ancara e Berlim.

Yücel, que mora na Alemanha desde fevereiro de 2018 e não compareceu ao anúncio da sentença, foi considerado culpado da acusação de fazer propaganda para o Partido Popular do Curdistão (PKK), que a Turquia, os EUA e a União Europeia consideram ser uma organização terrorista.

O jornalista, que tem cidadania alemã e turca, passou um ano na prisão na Turquia, após ser preso no dia 14 de fevereiro de 2017. A prisão desencadeou uma crise diplomática entre Berlim e Ancara antes da sua libertação e retorno à Alemanha.

A detenção ocorreu como parte de uma repressão maciça a suspeitos dissidentes após um golpe fracassado em 16 de julho de 2016.

Em junho passado, o Tribunal Constitucional da Turquia decidiu por unanimidade que a prisão preventiva de Yücel foi ilegal, citando violação de seus direitos e à liberdade de imprensa.

"Hoje, o tribunal ignorou o Tribunal Constitucional. Eles ignoraram nossa defesa e as leis", disse o advogado do jornalista, Veysel Ok, após o veredicto, acrescentando que ele vai apelar contra a decisão.

Yücel foi absolvido das acusações de incitação ao ódio e fazer propaganda para o clérigo islâmico Fethullah Gülen – radicado nos EUA e que Ancara acusa de ter planejando a tentativa de golpe fracassada de 2016.

Críticos do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, dizem que o presidente usou a tentativa de golpe como pretexto para se livrar de adversários, incluindo muitos jornalistas, ativistas de direitos humanos e advogados.

MD/dpa/epd

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