Trump volta a lançar dúvida sobre processo eleitoral nos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 25.09.2020

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Mundo

Trump volta a lançar dúvida sobre processo eleitoral nos EUA

Após recusar comprometimento com transição pacífica de poder, presidente americano diz não saber se é possível um pleito "honesto". Líder republicano no Senado diz que transferência de mandato presidencial será ordenada.

Trump discursa ao ar livre, com uma bandeira dos EUA tremulando ao vento no fundo, que parece sair de sua boca

Trump durante comício de campanha em Jacksonville, na Flórida

O presidente dos EUA, Donald Trump, lançou mais dúvidas nesta quinta-feira (24/09) sobre a confiabilidade das próximas eleições presidenciais americanas, um dia após se recusar a se comprometer com uma transição pacífica de poder caso seja derrotado no pleito em novembro.

Seus comentários causaram consternação tanto entre democratas quanto entre republicanos, e o Senado aprovou por unanimidade uma resolução sobre um "compromisso com a transição de poder ordenada e pacífica", um raro movimento bipartidário de repreensão ao presidente em exercício, que não foi mencionado nominalmente.

Na quarta-feira, Trump foi questionado por um repórter se se comprometeria com uma transição pacífica no caso de perder a eleição, e ele se esquivou da pergunta. "Vamos ver o que acontece", afirmou o presidente, durante uma entrevista coletiva  na Casa Branca.

Quando solicitado um dia depois a esclarecer seus comentários, o presidente então pareceu lançar dúvidas sobre a validade das próximas eleições, minando os esforços de sua própria equipe de imprensa para explicar os comentários do mandatário. "Queremos assegurar que a eleição seja honesta, e não sei se isso é possível com toda essa situação", disse Trump, referindo-se à ampliação do voto por correspondência. "Veremos."

Seus comentários sobre a validade da eleição ocorreram poucas horas depois de a porta-voz da Casa Branca Kayleigh McEnany dizer que a preocupação de Trump é apenas sobre o voto pelo correio, forma de votação que está sendo ampliada, em grande parte por causa da pandemia de coronavírus.

McEnany alegou que votos pelo correio podem ser fraudados – embora especialistas afirmem que no passado ocorreram apenas incidentes insignificantes de violação, mesmo que a perspectiva não seja impossível.

"O presidente aceitará os resultados de uma eleição livre e justa", ressaltou McEnany. "Ele vai aceitar a vontade do povo americano", concluiu, sem esclarecer o que Trump consideraria uma eleição livre e justa.

O presidente republicano, que está atrás nas pesquisas, também tem sugerido repetidamente que apelará aos tribunais contra os resultados eleitorais, ao mesmo tempo que acusa os rivais democratas de tentar um "golpe" através de fraude.

Lideranças de ambos os partidos no Congresso expressaram preocupação sobre os comentários do presidente, feitos apenas 40 dias antes da eleição.

"O vencedor da eleição de 3 de novembro será empossado em 20 de janeiro. Haverá uma transição ordenada, assim como sempre tem ocorrido a cada quatro anos desde 1792", disse Mitch McConnell, líder da bancada republicana no Senado.

Nancy Pelosi, líder da bancada democrata na Câmara dos Representantes, disse que tem "confiança no povo americano" para enviar um resultado claro nas eleições de novembro. "Que o presidente dos Estados Unidos colocaria em dúvida a ideia da transferência pacífica de poder, bem, isso não é uma surpresa", comentou Pelosi.

Joe Manchin, um democrata centrista que apresentou a resolução aprovada por unanimidade no Senado, alertou que o presidente "quer autocracia", sinalizando crescente frustração.

O senador republicano Mitt Romney, candidato republicano para presidente em 2012, foi um dos primeiros a atacar Trump, escrevendo no Twitter: "Fundamental para a democracia é a transição pacífica de poder; sem isso, nos tornamos Belarus. Qualquer sugestão de que um presidente não respeitará essa garantia constitucional é tanto impensável como inaceitável."

Nos EUA, os votos são computados no nível estadual e local, e não no federal. Em 2016, quando concorreu pela primeira vez ao cargo, Trump se comprometeu a aceitar os resultados eleitorais apenas se fossem bem definidos e se ele emergisse vitorioso.

"Isso vai acabar na Suprema Corte"

Trump dá sinais de que recorrerá a contestações judiciais para a eleição, posicionamento que assume novo significado num momento em que ele se prepara para rapidamente preencher uma vaga na Suprema Corte, aberta na semana passada com a morte da juíza Ruth Bader Ginsburg.

"Acho que isso vai acabar na Suprema Corte", disse Trump na quarta-feira, se referindo à eleição, acrescentando: "E acho que é muito importante termos nove juízes.''

É uma linha repetida por aliados de Trump, incluindo o senador do Texas Ted Cruz, que disse na quinta-feira: "Acho que a ameaça a ser enfrentada na eleição é uma das verdadeiras razões pelas quais é tão importante que confirmemos o nomeado para a Suprema Corte, para que haja uma Suprema Corte plena para resolver qualquer desafio eleitoral."

Faltando apenas seis semanas para o dia da eleição, e como milhões de americanos já estão votando, Trump e seus conselheiros tentaram usar o vaga aberta no tribunal para ajudar a entregar a Trump outro mandato. As nomeações para a Suprema Corte nunca são totalmente desprovidas de considerações políticas, mas a decisão de Trump se dá em meio a um momento político carregado.

Os democratas estão tentando adiar o processo de nomeação para depois da eleição, mas eles provavelmente não dispõem de votos suficientes no Senado para atrasar o processo de confirmação.

MD/dpa/lusa/ap

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