Trump quer usar China como bode expiatório na campanha eleitoral | Notícias internacionais e análises | DW | 09.05.2020

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Estados Unidos

Trump quer usar China como bode expiatório na campanha eleitoral

Para desviar a atenção da própria má gestão da crise do coronavírus, presidente dos EUA acirra ataques verbais contra Pequim, numa estratégia que pode sair pela culatra. Provável adversário Joe Biden contra-ataca.

 Xi Jinping e Donald Trump

Antes dos ataques verbais, Trump mostrava admiração por seu homólogo chinês, Xi Jinping

"A China vai fazer de tudo para eu perder a eleição", anunciou recentemente o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca. No momento, ele parece não dispensar nenhuma oportunidade de atacar o regime comunista.

Uma hora, ameaça Pequim com novas taxas aduaneiras; outra, afirma ter dados de que o novo coronavírus teria origem num laboratório de pesquisas da cidade Wuhan, no centro da China. Isso, embora seus próprios serviços secretos e numerosos cientistas internacionais tenham concluído que o Sars-Cov-2 não foi criado artificialmente, tendo se originado num animal.

Os ataques sempre renovados de Trump não são surpresa. Eles se prestam bem a desviar a atenção de seu próprio fracasso na crise de saúde e a apresentar à opinião pública americana um bode expiatório para a pandemia: a China.

Diante do aumento dos contágios e mortes pela covid-19 nos Estados Unidos, muitos cidadãos estão inseguros e amedrontados. Os ressentimentos antichineses são perceptíveis e estão crescendo. Uma enquete do instituto de pesquisa de opinião Pew Research Center mostra que dois terços dos americanos veem a China negativamente.

Ao que tudo indica, a equipe eleitoral de Trump acredita que ele possa lucrar com os ataques verbais contra o país asiático na campanha contra seu provável adversário, Joe Biden. Numerosos spots eleitorais cursam pelas redes sociais visando apresentar o democrata veterano como amigo da China.

Contudo, "fazer a China de bode expiatório não vai compensar politicamente para Trump", afirma Michael Steele, comentarista político conservador e ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.

"Toda essa confusão e barulho em torno da China só servem para desviar a atenção do que Trump havia dito sobre ela quando a coisa toda começou: na época ele estava cheio de respeito, louvou-a pela forma de lidar com a doença em Wuhan e outros lugares. Por isso, não acredito que vá ajudá-lo agora dizer que a China é o vilão."

A antiga admiração de Trump por seu homólogo chinês, Xi Jinping, serve agora de munição para a equipe de Joe Biden, a qual produziu um spot de campanha tematizando a China, em que recorda: "Donald Trump elogiou os chineses 15 vezes em janeiro e fevereiro, enquanto o vírus se alastrava pelos Estados Unidos."

Egocentrismo e falta de liderança

A competição política de quem vai investir mais duro e mais decidido contra Pequim pode também sair pela culatra, advertem ativistas como Rita Pin Ahrens, diretora da organização de utilidade pública AOC, que se engaja pelos direitos e interesses dos americanos de origem asiática. Pois a incitação contra a China na campanha eleitoral pode acirrar o ódio contra cidadãos de aparência oriental nos EUA.

"Em consequência da crise do coronavírus, houve um enorme aumento de casos de discriminação e assédio contra americanos de origem asiática no país. Viu-se de tudo, de agressões verbais, passando por cuspidas e ataques com sprays químicos, até violência direta, mesmo contra crianças", enumera Ahrens.

Apesar de tudo, o republicano Steele não crê que a crítica à China vá decidir as eleições presidenciais em 2020, e aconselha a relaxar: "Nós, americanos, somos egocêntricos quando se trata de temas globais. A maioria não se interessa por assuntos internacionais."

No entanto Trump já utilizou a China e suas práticas comerciais para fazer campanha em 2016. "Também desta vez ele se aproveita do assunto para servir aos seus adeptos", avalia Capri Cafaro, especialista em política da Universidade Americana de Washington.

Ela prevê que o comportamento de Pequim na crise do coronavírus permanecerá tema, "mas não vai estar no centro da campanha eleitoral". A seu ver, o foco estará em "força de liderança e temperamento". E, é claro, a economia, pois milhões de americanos já perderam o emprego em decorrência da pandemia.

A cientista política não descarta que uma segunda onda de contágios possa atingir os EUA antes das eleições presidenciais. "O que falta é uma estratégia nacional coerente para o combate à covid-19", e, no fim das contas, isso poderá ser a perdição do atual presidente.

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