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Trump pressiona vice a não proclamar vitória de Biden

5 de janeiro de 2021

Mike Pence presidirá sessão de confirmação dos votos do Colégio Eleitoral. Trata-se de uma formalidade, mas presidente quer que vice aproveite a ocasião para anular votos e reverter ilegalmente o resultado da eleição.

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Vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence, ao lado de Donald Trump
De olho na disputa à Casa Branca em 2024, Pence tem evitado despertar a ira de Trump e de seus apoiadoresFoto: Mandel Ngan/AFP/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está pressionando o seu vice, Mike Pence, a não certificar a votação do Colégio Eleitoral que deu vitória ao democrata Joe Biden nas eleições de novembro. 

Cabe ao vice-presidente do país presidir a sessão conjunta do Congresso na qual os votos do Colégio Eleitoral são contados e, ao final, anunciar quem foi o vencedor. Trata-se de uma formalidade, na qual apenas os deputados e senadores podem apresentar objeções à apuração. A cerimônia para certificar a vitória de Biden será realizada no Congresso americano nesta quarta-feira (06/01), marcando o final do processo eleitoral.

Nos Estados Unidos, os eleitores não votam diretamente no presidente, mas em uma lista de delegados de cada estado, que depois se reúnem no Colégio Eleitoral e depositam seus votos para presidente — o que fizeram em 14 de dezembro. Agora, falta apenas o Congresso certificar esses votos e declarar o vencedor.

Pence, que foi o soldado mais leal a Trump nos últimos quatro anos, sempre apoiando o líder e evitando ser alvo de sua ira, agora está em um momento delicado do seu mandato, enquanto Trump segue tentando de várias formas reverter a vitória obtida por Biden em novembro.

Nos últimos dias, Pence se viu sob intensa pressão do presidente e muitos dos seus apoiadores, que querem que o vice-presidente use esse momento para tentar reverter o resultado expresso pelos eleitores em diversos estados onde a disputa foi mais acirrada.

Movimentação de Trump

"Eu espero que Mike Pence nos apoie, devo dizer a vocês", afirmou Trump em um comício na noite de segunda-feira (04/01) na Geórgia para os candidatos no segundo turno da disputa por duas vagas ao Senado. "Claro que, se ele não nos apoiar, não gostarei mais dele tanto assim", disse Trump, provocando risadas.

O presidente americano continuou a colocar pressão sobre o seu vice nesta terça-feira (05/01). Em um post no Twitter, disse que Pence "tem o poder para rejeitar eleitores [do Colégio Eleitoral] escolhidos por meio de fraude". A premissa é falsa. A Constituição americana não dá ao vice-presidente esse poder, e nada indica que os membros do Colégio Eleitoral foram eleitos por meio de fraude.

Mesmo assim, Pence passou diversas horas reunidos com o presidente, sua equipe e senadores antes da cerimônia desta quarta-feira. Seu gabinete se recusou a comentar seus planos, mas pessoas próximas ao vice-presidente ressaltaram o seu respeito às instituições e disseram que esperam que ele vá agir de acordo com a Constituição.

"Creio que ele irá tratar isso como um constitucionalista, e dizer 'Qual é o meu papel na Constituição como presidente do Senado?'", disse David McIntosh, presidente da organização conservadora Club for Growth e amigo de Pence. "O que ele fará é permitir que qualquer pessoa que tenha uma objeção seja ouvida, mas depois irá aderir ao que a maioria do Senado decidir".

Ambição eleitoral de Pence

Ao cumprir uma das poucas responsabilidades formais do vice-presidente, Pence também arrisca seu próprio futuro político. Ele quer disputar a Casa Branca em 2024, e pretender aproveitar seus anos de lealdade a Trump, que deverá será a figura mais poderosa entre os republicanos nos próximos anos, para ajudá-lo a se destacar entre diversos candidatos do seu partido.

Isso significa que ele precisa evitar irritar Trump e boa parte da base republicana, que comprou o discurso do presidente, baseado em afirmações falsas, de que que houve fraude generalizada nas eleições deste ano. Essa base também foi levada a crer que Pence teria o poder de reverter o resultado eleitoral, rejeitando os votos de estados como Geórgia, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia, que deram vitória a Trump em 2016 e a Biden em 2020.

"Interrompa o roubo!", eleitores de Geórgia pediram a Pence em um comício para os candidatos ao Senado nesta segunda-feira, ao que o vice-presidente respondeu: "Sei que todos nós temos dúvidas sobre a última eleição. E quero garantir a vocês, eu compartilho das preocupações de milhões de americanos sobre irregularidades na votação. E eu prometo a vocês, nesta quarta-feira teremos nosso dia no Congresso. Vamos ouvir as objeções. Vamos ouvir as provas".

Na cerimônia desta quarta-feira, Pence presidirá uma sessão conjunta do Congresso. Seu papel é abrir os certificados dos votos de cada estado do Colégio Eleitoral e apresentá-los aos contadores de votos da Câmara e do Senado, em ordem alfabética. Ao final da contagem, cabe a Pence anunciar quem venceu.

Em 2017, coube a Biden, então vice-presidente de Barack Obama, dizer: "Acabou", após os votos para Trump e Pence terem sido contados.

Nos últimos dias, Trump tem feito esforços desesperados para tentar reverter a derrota. No domingo, a imprensa americana revelou que o presidente chegou a pressionar uma autoridade eleitoral do estado da Geórgia para que sua desvantagem de votos no estado fosse manipulada a seu favor. "Não há nada de errado em dizer, sabe, que você recalculou", disse Trump em um telefonema que foi gravado. Analistas americanos compararam a ação a uma tentativa de golpe para fraudar as eleições.

BL/ap