Trump ignora pandemia e retoma campanha à reeleição | Notícias internacionais e análises | DW | 21.06.2020
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Estados Unidos

Trump ignora pandemia e retoma campanha à reeleição

Presidente dos EUA realiza primeiro comício em meio à crise do coronavírus e culpa a imprensa pela baixo comparecimento. Ele disse que ordenou desaceleração dos testes de covid-19 e criticou protestos os antirracismo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou neste sábado (20/06) seu primeiro evento de campanha após meses de paralisação e de proibições de reuniões públicas em várias partes do país, em razão da pandemia de covid-19.

Apesar de a doença continuar a avançar no país, o presidente defendeu as medidas adotadas por seu governo desde o início da crise e sugeriu a desaceleração da realização dos testes, ao reclamar que eles apenas contribuem para que mais casos sejam identificados. A declaração foi vista como uma tentativa de maquiar os números da covid-19 no país, o mais atingido pelo coronavírus em todo o mundo.

Numa tentativa de dar novo impulso à campanha para a reeleição, após a queda de popularidade registrada em várias pesquisas, Trump também disparou fortes críticas aos protestos contra o racismo e a violência policial, que tomaram as ruas do país nas últimas semanas.

O presidente, que costuma se gabar das grandes multidões que comparecem aos seus comícios, culpou a imprensa, juntamente com os manifestantes, por "desencorajarem" a presença do público, com a arena na cidade de Tulsa, no estado de Oklahoma, ocupada em menos da metade de sua capacidade.

O baixo comparecimento ao evento de campanha frustrou a intenção de Trump de dar uma demonstração do entusiasmo popular em torno de sua candidatura.

O presidente vem enfrentando uma barragem de críticas, não apenas por minimizar os efeitos da pandemia desde o início da crise, mas pela forma como lidou com os eventos que se seguiram à morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos, morto pelas mãos de policiais brancos em Minneapolis. O caso foi o estopim dos protestos que se espalharam por todo o país.

O presidente rejeitou as críticas por ter marcado o comício na cidade de Tulsa, onde há cerca de 100 anos ocorreu o mais sangrento massacre na história dos Estados Unidos contra uma comunidade negra.

"A turba esquerdista tenta vandalizar nossa história, profanar nossos monumentos, derrubar nossas estátuas e punir, anular e perseguir qualquer um que não concorde com suas exigências de controle total e absoluto. Não aceitaremos isso", disse o presidente. Nas últimas semanas, diversos símbolos e monumentos que glorificavam figuras históricas associadas à escravidão foram removidos de locais públicos, em muitos casos, com o aval das autoridades locais.

Trump culpou a impresa e os protestos pelo baixo comparecimento no 1º evento de campanha em mais de 3 meses

Trump culpou a impresa e os protestos pelo baixo comparecimento no 1º evento de campanha em mais de 3 meses

Trump disse que, se não for reeleito, os americanos terão de conviver com o "caos", como, segundo afirmou, ocorre nas cidades governadas por políticos do Partido Democrata.

"Quando vemos esses lunáticos pelas ruas, é muito bom estar armado", afirmou. Ele reiterou que, se seus apoiadores andassem armados, "este seria um dia terrível para o outro lado". Enquanto Trump falava, um grupo de civis armados permanecia do lado de fora da arena. Um dos homens do grupo disse eles que estavam ali para agir, caso os protestos do movimento "antifa" se tornassem violentos.

Em frente ao local, manifestantes da oposição disputavam espaço com os apoiadores de Trump, mas a situação se manteve, na maior parte, pacífica, como poucos enfrentamentos entre os dois lados.

Dentro da arena, Trump, defendeu as medidas adotadas pelo seu governo para combater o coronavírus, e surpreendeu ao sugerir a redução dos testes para detectar a doença. "Se fizermos mais testes, vamos encontrar ainda mais casos", afirmou. O líder americano disse que orientou seus subordinados a "desacelerarem" a testagem. Na arena em Tulsa, a grande maioria das pessoas não usava máscara de proteção.

A epidemia infectou 2,2 milhões de pessoas e deixou quase 120 mil mortos nos EUA, seguindo a Universidade Johns Hopkins, que monitora a doença em todo o mundo. O número de novos casos vem aumentando nas últimas semanas. Em estados como Geórgia, Flórida, Texas e Arizona, que relaxaram precocemente as medidas de precaução, a contagem diária de casos e mortes associadas à doença voltou a aumentar.

A campanha de Joe Biden, o candidato democrata à presidência, afirmou em nota que o grande número de mortos no país ocorreu, em grande parte "porque este presidente não quis e não conseguiu mobilizar a testagem tão rápido quanto era necessário". "Ouvi-lo dizer que ordenou a desaceleração dos testes – uma tentativa transparente de melhorar os números – é algo aterrorizante."

O republicano vem perdendo espaço nas pesquisas de opinião, enquanto aumenta a vantagem de Biden, apesar do cancelamento de todos os eventos da campanha democrata. As eleições presidências nos EUA estão marcadas para o dia 3 de novembro.

RC/rtr/ap

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