Trump exalta e agradece apoio de conspiradores extremistas | Notícias internacionais e análises | DW | 20.08.2020

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Estados Unidos

Trump exalta e agradece apoio de conspiradores extremistas

Em coletiva na Casa Branca, presidente defende membros do QAnon, que afirmam haver rede de satanismo e pedofilia nos altos círculos do poder. Para FBI, grupo representa uma potencial ameaça terrorista.

Presidente Donald Trump

Gravata rosa usada pelo presidente Donald Trump é vista pelos apoiadores do QAnon como gesto de apoio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou nesta quarta-feira (20/08) membros de um grupo que propaga teorias da conspiração envolvendo políticos democratas e celebridades conhecido como QAnon, e agradeceu o apoio deles à sua candidatura.

"Não sei muita coisa sobre o movimento, além do fato de que gostam muito de mim", afirmou o presidente numa coletiva de imprensa na Casa Branca. "São pessoas que não gostam de ver o que está acontecendo em lugares como Portland, Chicago e Nova York, e em outras cidades e estados", acrescentou, se referindo aos protestos antirracismo e contra a violência policial que eclodiram em várias partes do país nos últimos meses.

"Ouvi dizer que são pessoas que amam nosso país", disse Trump, sendo esta a primeira vez em que ele cita o movimento, que, segundo disse, "está ganhando popularidade". Os comentários seguem o padrão de Trump de se recusar a condenar grupos de extremistas de direita que apoiam seu governo e sua candidatura à reeleição.

Ativo em cantos sombrios da internet desde 2017, o QAnon vem ganhando recentemente cada vez mais espaço no cenário político americano. Suas teorias são baseadas em um suposto membro anônimo do alto escalão do governo, chamado de "Q", que compartilharia informações sobre um chamado "Estado oculto" anti-Trump que teria ligações com o satanismo e tráfico de crianças.

A teoria central do grupo afirma que Trump combate secretamente uma rede de predadores sexuais praticantes de pedofilia que incluiria algumas lideranças do Partido Democrata e da elite de Hollywood.

O próprio Trump já retuitou perfis que promovem o QAnon, cujos símbolos e slogans aparecem com frequência em seus eventos de campanha. Um relatório do FBI em maio alertava que os extremistas do grupo se tornaram uma ameaça terrorista interna.

"Isso deveria ser algo ruim?" disse Trump ao ser pressionado por jornalistas sobre as teorias do QAnon de que ele estaria salvando o país de um culto satânico e de pedófilos. "Se eu puder ajudar a salvar o mundo dos problemas, estou disposto a fazê-lo."

Os seguidores do QAnon foram rápidos em celebrar nas redes sociais os comentários de Trump, com muitos deles dizendo se tratar da legitimação de suas opiniões. Alguns alegaram ainda que a gravata rosa que o presidente usou nesta quarta-feira seria uma manifestação de apoio ao grupo.

Trump é conhecido por propagar conspirações falsas e, por vezes, de conteúdo racista, como fez na semana passada ao dar crédito a uma matéria paga que questionava se Kamala Harris, recém-indicada para concorrer à vice-presidência ao lado do candidato do Partido Democrata, Joe Biden, estaria apta a concorrer ao cargo. A senadora, nascida em Oakland, na Califórnia, é filha de imigrantes.

Pessoas seguram cartazes com símbolos e slogans do QAnon em evento de campanha de Donald Trump

Símbolos e slogans do QAnon aparecem com frequência nos eventos de campanha de Trump

O presidente disse ter "ouvido rumores" de que Harris – a primeira negra a concorrer ao segundo cargo mais alto do país por um partido majoritário – não teria condições legais de exercer o cargo. Trump disse que levou esses boatos "muito a sério", apesar de juristas afirmarem que não fazem sentido algum.

A campanha de Biden condenou os comentários de Trump sobre os extremistas. "Depois de dizer que neonazistas e supremacistas brancos em Charlottesville [cidade que foi palco de atos de violência provocados por grupos de extrema-direita] eram 'gente de bem' e de atacar com gás lacrimogêneo os manifestantes pacíficos após o assassinato de George Floyd [que foi o estopim dos protestos antirracismo nos EUA], Donald Trump tenta legitimar a mesma teoria da conspiração que o FBI qualificou de ameaça doméstica de terrorismo", disse o porta-voz do ex-vice-presidente.

Horas antes dos comentários de Trump, o Facebook anunciou que havia banido quase 800 perfis e grupos associados ao QAnon por exaltação à violência, demonstrar intenção de usar armas ou atrair seguidores com tendência à violência.

Algumas das teorias da conspiração defendidas pelos apoiadores do QAnon afirmam que o presidente John F. Kennedy – assassinado em 1963 – ainda estaria vivo e preparando um retorno à vida pública, além de outras que associam celebridades ao tráfico de crianças.

O QAnon ganhou relevância maior nas últimas semanas, com uma teoria que afirma que a rede de lojas Wayfair traficava crianças através de armários que estariam à venda a preços altos em seu website.

No mês passado, pesquisadores da empresa de vigilância contra a desinformação NewsGuard descobriram que o QAnon vem ganhando popularidade também na Europa através do Facebook e do Twitter.

RC/ap/rtr

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