Trump evita reconhecer derrota: ″Essa eleição está longe de terminar″ | Cobertura especial sobre as eleições nos Estados Unidos | DW | 07.11.2020

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Eleições nos EUA

Trump evita reconhecer derrota: "Essa eleição está longe de terminar"

Sem apresentar provas, presidente republicano volta a lançar acusações de fraude. Ele também atacou a imprensa e prometeu contestar resultado nos tribunais, sinalizando um processo de transição tumultuado.

O presidente Donald Trump encarou com fúria neste sábado (07/11) as projeções que apontam que o democrata Joe Biden venceu a eleição presidencial, sinalizando um tumultuado processo de transição e a prorrogação do drama eleitoral que vem sacudindo os EUA ao longo da semana.  "Esta eleição está longe de terminar", disse Trump.

Em um comunicado, Trump voltou a levantar acusações de fraude, sem apresentar nenhuma prova para sustentar o argumento. Ele afirmou que são o que chamou de "votos legítimos" que decidem o resultado da eleição, e " não a mídia". Ele ainda deixou claro que pretende contestar o resultado nos tribunais.

"Todos nós sabemos por que Joe Biden está se apressando em posar como o vencedor e por que seus aliados da mídia estão se esforçando tanto para ajudá-lo: eles não querem que a verdade seja exposta. O simples fato é que esta eleição está longe de terminar. Joe Biden não foi certificado como o vencedor de nenhum estado, muito menos de nenhum dos estados altamente contestados que devem ter recontagens obrigatórias, ou estados onde nossa campanha apresentou ações na Justiça válidas e legítimas que podem determinar o vencedor final. Na Pensilvânia, por exemplo, nossos observadores não tiveram acesso significativo para assistir ao processo de contagem. Os votos legais decidem quem é o presidente, não a mídia.

"A partir de segunda-feira, nossa campanha começará esforções judiciais para garantir que as leis eleitorais sejam totalmente mantidas e o vencedor legítimo seja apontado. O povo americano tem direito a uma eleição honesta: isso significa contar todas as cédulas legais, e não contar nenhuma cédula ilegal. Esta é a única maneira de garantir que o público tenha plena confiança em nossa eleição. Continua sendo chocante que a campanha de Biden se recuse a concordar com este princípio básico e queira que as cédulas sejam contadas mesmo que sejam fraudulentas, fabricadas ou lançadas por eleitores inelegíveis ou falecidos. Somente uma parte envolvida em irregularidades manteria ilegalmente os observadores fora da sala de contagem - e então lutaria no tribunal para bloquear seu acesso.

"Então, o que Biden está escondendo? Não vou descansar até que o povo americano tenha a contagem de votos honesta que merece e que a democracia exige".

Nas últimos dias, conforme a desvantagem do republicano aumentou, Trump passou a propagar com mais insistência que as eleições estavam sendo fraudadas, sem apresentar provas. Algumas de suas publicações no Twitter chegaram a ser sancionadas pela rede social, por espalharem informação falsa. Na quarta-feira, o presidente chegou a ponto de declarar vitória no pleito, muito antes da apuração estar completa, durante um discurso na Casa Branca.

Oficialmente, o vencedor da eleição só é anunciado em 14 de dezembro, quando os delegados de todos os 50 estados se reúnem em Washington no colégio eleitoral para confirmar os resultados estaduais. Não há nos EUA um órgão central que compile os resultados estaduais. Normalmente, o resultado é projetado logo após o pleito pela imprensa e pelas campanhas. O anúncio do desfecho da eleição é facilitado quando um dos lados concede a derrota. No caso, de Trump isso deve ser um complicador.

Paradoxalmente, nos últimos dias, Trump também celebrou os bons resultados do Partido Republicano na eleição para a Câmara dos Representantes, mas neste caso evitou apontar qualquer suspeita de fraude no pleito. 

Analistas, jornalistas e grupos que monitoram eleições têm acusado o presidente de minar o sistema eleitoral e a democracia americana como forma de se manter no poder. Até mesmo nomes influentes do Partido Republicano têm evitado endossar as acusações do presidente.

Não é a primeira vez que Trump recorre a esse tipo de tática sem qualquer base. Em 2016, ele venceu no colégio eleitoral, mas perdeu no voto popular para Hillary Clinton. Com o ego ferido, disse que os democratas haviam arregimentado milhões de imigrantes ilegais para votar. Uma comissão foi formada pelo seu governo para investigar. Nenhum evidência de irregularidade foi encontrada, e o colegiado foi extinto em 2018.

JPS/ots

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