Trump diz a congressistas que não devem ter medo do lobby das armas | Notícias internacionais e análises | DW | 01.03.2018
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Estados Unidos

Trump diz a congressistas que não devem ter medo do lobby das armas

Presidente surpreende ao sugerir medidas que contradizem NRA e pede reforma substancial da legislação sobre armas. Alguns congressistas estão "petrificados" diante do poderoso lobby, afirma.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com congressistas na Casa Branca

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com congressistas na Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quarta-feira (01/03) ao Congresso a aprovação de uma lei ampla e bipartidária para modificar substancialmente a regulamentação do uso de armamentos no país e diminuir a violência armada nas escolas. 

O presidente surpreendeu ao adotar posições contrárias às da Associação Nacional do Rifle (NRA), o poderoso lobby das armas, que financia campanhas de diversos políticos no país, durante encontro na Casa Branca com um grupo de congressistas republicanos e democratas. Trump acusou alguns deles de terem medo da NRA. "Alguns de vocês estão petrificados e não podem estar", afirmou o presidente, dizendo-se disposto a desafiar o lobby das armas em alguns pontos.

Ele sugeriu aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para comprar fuzis semiautomáticos, como o utilizado no tiroteio em Parkland, proposta à qual a NRA se opõe. O presidente também expressou apoio à ampliação das verificações de antecedentes dos compradores de armas e à proibição das vendas dos chamados dispositivos bump-stock, que transformam armas em metralhadoras.

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Trump sugeriu que, em vez de aprovar diversas leis sobre o tema, o ideal seria elaborar uma medida legislativa única que abordasse vários dos problemas relacionados com os frequentes tiroteios ocorridos em escolas, como o que deixou 17 mortos na cidade de Parkland, na Flórida, no mês passado, e diversos outros que já ocorreram no país.

"Se todos vocês conseguirem se unir e impulsionar uma grande proposta legislativa, creio que podem ter um resultado incrível no Congresso", afirmou o presidente. Em 2013, após um tiroteio em que morreram 20 crianças em Newtown, no estado de Connecticut, o Congresso não aprovou qualquer medida. Dessa vez, porém, Trump disse ver mais chances de sucesso e que ele não hesitará em ratificar a medida.

O medo da NRA

Trump afirmou que os líderes da NRA são patriotas que amam o seu país, mas ressaltou que isso não significa que tenha de estar de acordo com eles. A NRA doou 30 milhões de dólares para a campanha presidencial de Trump em 2016. Em contrapartida, o bilionário prometeu que a associação teria "um amigo na Casa Branca" se fosse eleito.

Na reunião na Casa Branca, o presidente disse aos congressistas que não devem se preocupar com o apoio recebido pelo lobby das armas, dizendo que serão "mais populares se fizerem algo". "[A NRA] tem grande poder sobre vocês. Tem menos poder sobre mim", garantiu.

O senador democrata de Connecticut Chris Murphy, que tentou aprovar um maior controle sobre as armas após o tiroteio de Newtown, disse ao presidente que ele estaria subestimando o poder da NRA, lembrando que o grupo conseguiu bloquear todas propostas que passaram pelo Congresso.

Trump deverá apresentar até o final da semana propostas definitivas para reduzir a violência armada nas escolas, depois de ter lançado algumas sugestões nos últimos dias. A mais controversa foi a ideia de armar "entre 10% e 20%" dos professores do país.

Trump, porém, é conhecido por mudar de opinião ao tratar de temas polêmicos. Em janeiro, em outro encontro com líderes do Congresso na Casa Branca, o presidente afirmou que apoiaria qualquer acordo bipartidário sobre a questão da imigração. Nos dias seguintes, porém, sua administração fez todo o possível para sabotar os esforços de ambos aos partidos.

RC/lusa/ap

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