Trump causa indignação com prêmio para ″fake news″ | Notícias internacionais e análises | DW | 18.01.2018
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Estados Unidos

Trump causa indignação com prêmio para "fake news"

Entre veículos "premiados" pelo presidente americano estão "The New York Times", CNN e "The Washington Post". Devido à classificação da imprensa de "inimiga do povo", senador republicano compara Trump a Stálin.

Donald Trump

Trump: "Apesar de uma cobertura midiática em parte muito corrupta e desonesta, há muitos grandes repórteres que respeito"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta quarta-feira (17/01) os veículos de comunicação do país vencedores de seu polêmico "Fake News Awards" (Prêmio de Notícias Falsas"). A controversa premiação foi duramente criticada, inclusive por republicanos, e gerou comparações com o ditador soviético Josef Stálin.

Trump escreveu no Twitter a mensagem "E os vencedores das notícias falsas são...", acompanhada de um link para o site do Comitê Nacional Republicano (GOP) com a lista de premiados.

"2017 foi um ano de parcialidade incessante, de cobertura noticiosa injusta e até mesmo notícias falsas. Estudos mostraram que mais de 90% da cobertura midiática sobre o presidente Trump é negativa", diz o texto, antes de apresentar a lista de vencedores.

Leia também: "Fatos alternativos" é a "despalavra" de 2017

Em primeiro lugar, aparece um artigo do renomado economista Paul Krugman publicado no New York Times. O texto, escrito no dia em que Trump venceu as eleições presidenciais, previa que a economia nunca se recuperaria da passagem do magnata pela Casa Branca.

No total, a emissora CNN recebeu quatro dos dez "prêmios" atribuídos a veículos de comunicação, seguido pelo New York Times, com dois. Também aparecem na lista o Washington Post, as revistas Time e Newsweek e a emissora ABC.

Um dos "prêmios" atribuídos à CNN diz respeito à informação veiculada pela emissora de que Trump e o filho Donald Trump Jr. tiveram acesso exclusivo a documentos da democrata Hillary Clinton e do Partido Democrata que a plataforma Wikileaks vazou durante a campanha eleitoral.

Entre as demais notícias "falsas" apontadas por Trump estão a de que a primeira-ministra polonesa, Agata Kornahauser-Duda, não apertou a mão do presidente, veiculada pela Newsweek; e a de que o republicano removeu um busto de Martin Luther King Jr. do Salão Oval, publicada pela Time.

Em 11º lugar da lista, Trump não menciona nenhum meio de comunicação específico, mas a mídia em geral, criticando o uso do termo "conluio com a Rússia". "Não há conluio algum", diz o texto publicado no site do GOP.

No final do texto, o Comitê Republicano destaca feitos positivos do governo Trump, como o de que "a economia gerou quase 2 milhões de empregos e acumulou mais de 8 trilhões de dólares em riqueza desde a posse do presidente".

Antes de publicar a lista de premiados, Trump escreveu no Twitter: "Apesar de uma cobertura midiática em parte muito corrupta e desonesta, há muitos grandes repórteres que respeito e muitas boas notícias para que os americanos fiquem orgulhosos."

Comparação com Stálin

Antes de Trump divulgar os vencedores do "Fake News Award", os senadores republicanos Jeff Flake e John McCain criticaram duramente a controversa premiação. Flake afirmou que o presidente tem um desrespeito perigoso com a verdade, e alertou para o fato de ele classificar veículos de comunicação de "inimigos do povo".

"É um testemunho da condição de nossa democracia o fato de que nosso próprio presidente usa palavras infames de Josef Stálin para descrever seus inimigos", disse o senador, comparando Trump ao ex-líder soviético.

Flake criticou também o uso do termo "fatos alternativos" pelo presidente. Citando os exemplos dos líderes Bashar al-Assad, da Síria, Rodrigo Duterte, das Filipinas, e Nicolás Maduro, da Venezuela, que também utilizaram o termo "notícias falsas" nos últimos meses, o senador acusou Trump de encorajar regimes autoritários a perseguir a imprensa.

"Quando uma figura no poder chama qualquer veículo de imprensa que não lhe serve de "notícias falsas", é essa pessoa que deveria ser a figura suspeita, e não a imprensa", afirmou o crítico do presidente.

McCain, por sua vez, publicou um artigo de opinião no The Washington Post intitulado "Sr. Presidente, pare de atacar a imprensa". Citando a organização Comitê de Proteção a Jornalistas, McCain ressaltou que 2017 foi um dos anos mais perigosos para a profissão, com 262 jornalistas presos devido a seu trabalho – 21 deles acusados de "notícias falsas".

O comitê colocou Trump neste mês entre "os piores presidentes do mundo" no quesito liberdade de imprensa, por "ir além do seu papel ao atacar a imprensa e minar as normas que dão suporte a um jornalismo livre".

LPF/efe/afp

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