Tratado Start expira sem novas regras para redução de armas estratégicas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 04.12.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Tratado Start expira sem novas regras para redução de armas estratégicas

Divergências sobre os mecanismos de controle recíproco impedem EUA e Rússia de selar novo tratado de redução de armas estratégicas, que deverá suceder ao Start.

default

Mísseis em submarino atômico russo

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), assinado em julho de 1991 pelo então presidente dos EUA e da União Soviética, George Bush sênior e Mikhail Gorbachov, expira neste sábado (05/12). As negociações entre EUA e Rússia sobre um novo acordo não puderam ser concluídas antes de o Start perder a validade.

Donald Rumsfeld mit Start-Vertrag

Ex-secretário norte-americano da Defesa Donald Rumsfeld mostra as 700 páginas do Start 1, em 1991

Nesse tratado, que passou a vigorar em 1994, Washington e Moscou se comprometem a reduzir seus respectivos arsenais de armas nucleares estratégicas, com os quais se ameaçaram reciprocamente durante 50 anos, desde o início da Guerra Fria.

O número de vetores estratégicos – ou seja, mísseis intercontinentais com alcance superior a 5.500 quilômetros, submarinos e bombardeiros de longa distância – deveria ser reduzido para 1.600 de cada lado. E o número de ogivas fabricadas para esses vetores teria que ser limitado a seis mil. E de fato, com um rigor ainda maior que o do tratado, ambas as partes chegaram a diminuir seu número de ogivas nucleares para 2.200, nos últimos 15 anos.

Assinatura protelada

Desde maio deste ano, EUA e Rússia vêm negociando um acordo que suceda ao Start, a fim de regulamentar a continuidade do processo de desarmamento nuclear. Quem instigou essas negociações foi o presidente norte-americano, Barack Obama, que – no início de abril, em um discurso proferido em Praga – se comprometeu com a meta de eliminar a longo prazo as armas nucleares do mundo. Obama foi o primeiro chefe de Estado americano a se empenhar por isso desde o início da era nuclear e do lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki pelos EUA, em 1945.

O primeiro passo concreto que Obama deu no sentido de concretizar essa visão foi propor a negociação de um novo acordo de redução de armas estratégicas. Em julho passado, o presidente americano acertou com o chefe de Estado russo, Dimitri Medvedev, que o novo acordo estipularia a redução das ogivas nucleares para no máximo 1.675 e o número de vetores estratégicos para mil.

Bela encenação

Durante muito tempo, parecia que um novo acordo de desarmamento ficaria pronto antes o Start expirar. Obama poderia então assinar o novo tratado em um encontro de cúpula que terá com Medvedev, logo após receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, na próxima quinta-feira (10/12).

Segundo planejava a Casa Branca, a cerimônia de assinatura do tratado deveria ser realizada em Reiquiavique, capital da Islândia, onde os presidentes Mikhail Gorbachov e Ronald Reagan quase chegaram a um consenso sobre a extinção das armas nucleares, em 1988.

No entanto, pelo menos por enquanto, não houve chance para essa bela encenação com a qual Obama poderia, pelo menos por alguns dias, ter desviado a atenção da opinião pública norte-americana da guerra no Afeganistão, cada vez mais impopular nos EUA.

Republicanos ameaçam vetar

Faltou pouco. Afinal, as negociações realizadas em Genebra com vista a um novo acordo viabilizaram a elaboração de um esboço que fixa o limite máximo para a posse de ogivas nucleares e vetores estratégicos. No entanto, o que continua sendo motivo de divergência são as inspeções e os instrumentos de vigilância que viabilizarão um controle mútuo do cumprimento do tratado.

O Start expirando, os EUA precisam fechar sua estação de controle situada a 600 quilômetros de Moscou. Era a partir dessa estação que os inspetores de desarmamento norte-americanos observavam a produção dos modernos mísseis russos Topol-M e outros armamentos.

Barack Obama spricht in Prag über atomare Abrüstung

Obama discursa sobre desarmamento nuclear, em Praga

E a Rússia, que já abandonou há anos sua respectiva estação nos EUA, só aceitará que o acordo sucessor do Start inclua o mínimo de mecanismos de controle invasivos.

Esse ponto poderá inviabilizar a ratificação do novo tratado pelo Senado norte-americano. Para conquistar a maioria de dois terços necessária para a ratificação do documento, o governo Obama depende de ao menos sete senadores da oposição. Isso é improvável, considerando que os políticos de defesa e segurança do Partido Republicano já ameaçaram rejeitar o tratado, caso as regras de inspeção do arsenal russo sejam frouxas demais.

Não é novidade nenhuma para Obama que a eliminação das armas nucleares do mundo não será tarefa fácil. No discurso proferido em Praga, ele já havia advertido: "Não sou ingênuo. A meta de um mundo sem armas nucleares não será conquistada tão cedo. Talvez o meu tempo de vida não baste para tal. Isso requer paciência e tenacidade".

Autor: Andreas Zumach (sl)

Revisão: Carlos Albuquerque

Leia mais