Três exemplos de boa prática arquitetônica em São Paulo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 19.10.2016
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São Paulo

Três exemplos de boa prática arquitetônica em São Paulo

No contexto da conferência da ONU que vai definir a Nova Agenda Urbana para as cidades do novo milênio, a DW selecionou três projetos que ajudam a maior metrópole das Américas a ficar mais justa, livre e democrática.

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Casa na Vila Matilde, no leste de São Paulo, foi toda construída em blocos de concreto aparente

Quito recebe desde segunda-feira (17/10) a conferência da ONU Habitat 3, que define a Nova Agenda Urbana e as visões para uma cidade mais justa, livre e democrática no novo milênio. Aproveitando a ocasião, a DW selecionou três exemplos de boa prática em Arquitetura e Urbanismo na cidade de São Paulo, maior metrópole do Brasil e das Américas.

Corredor Verde e Jardins Verticais

Depois que a Lei Cidade Limpa entrou em vigor em janeiro de 2007, proibindo propagandas em outdoors e regulando o tamanho de letreiros e placas, foram reveladas centenas de empenas cegas na capital paulista. Após um estudo que catalogou mais de 500 dessas paredes externas de edifícios, o urbanista Guil Blanche notou que a maioria se encontrava em grandes avenidas, principalmente ao longo do Elevado João Goulart, conhecido popularmente como Minhocão. Em 2013, Blanche idealizou o Movimento 90°.

Fassadengarten in Sao Paulo

Jardim na empena do Edifício Santa Filomena foi obra do artista Pedro Wirz

"A paisagem de São Paulo é formada pela forte presença de prédios e empenas cegas. A técnica consolidada de jardins verticais permite que cada parede se torne um parque público para a cidade. Esses projetos podem ser suporte para o trabalho de artistas. Ou seja, além de melhorar a condição ambiental, também trazemos um importante elemento cultural: cada jardim de escala urbana é sempre pensado por um artista contemporâneo.", explica Blanche no site do Movimento 90°. 

Com o apoio da prefeitura de São Paulo à iniciativa de Blanche, os jardins verticais se tornaram um novo instrumento de compensação, ou seja, empresas podem amortizar dívidas ambientais através do financiamento desses jardins. A partir de então, iniciou-se a construção do primeiro corredor verde do mundo ao longo da extensão do Minhocão, onde existem 140 empenas cegas. Nesse contexto, o Movimento 90° criou o projeto do Corredor Verde do Minhocão em 2013. Seis jardins verticais já foram inaugurados ao longo da via, quatro outros deverão ficar prontos até o fim de 2016.

Para o projeto do Edifício Santa Filomena, que se vê na foto acima, o artista Pedro Wirz explorou, em seu jardim, o universo das carrancas como objeto de proteção e vigilância.

Haus an der Vila Matilde in Sao Paulo

Projeto na Vila Matilde foi considerado um dos 14 melhores de 2016 pela plataforma Archdaily

Casa na Vila Matilde

Este imóvel na Vila Matilde, na zona leste de São Paulo, foi um dos 14 agraciados de 2016 com o renomado prêmio internacional Building of the Year (Edifício do Ano), promovido pela plataforma de arquitetura Archdaily. O projeto é assinado pelo escritório de arquitetura paulistano Terra e Tuma Arquitetos.

A residência pertence a Dona Dalva, que há décadas mora na Vila Matilde. Em 2011, o filho dela sondou o escritório de arquitetura sobre a possibilidade de um projeto para a casa de sua mãe. A primeira solução era vender a residência em que morava e que apresentava sérios problemas de estrutura e salubridade. Mas o dinheiro da venda e de algumas economias só daria para comprar um pequeno apartamento numa região mais afastada. Decidiu-se então ficar, e o escritório assumiu o desafio de fazer um projeto, adequando-o aos restritos recursos financeiros da família.

Implantado num lote de 4,8 metros de largura por 25 metros de profundidade e construído todo em blocos de concreto aparente, o imóvel custou 150 mil reais, possui 95 metros quadrados de área construída e ficou pronto em 2014. Ele abriga dois quartos, cozinha, sala de TV e jantar, como também garagem, além de pátio interno e laje de cobertura. Segundo o escritório, trata-se de uma "solução simples, resultado de um processo longo, complexo e gratificante."

Parklets e as minipraças

A ideia dos parklets surgiu em 2005 nos EUA, com o objetivo de ampliar e distribuir a oferta de espaços públicos de convivência. No Brasil, o primeiro parklet foi instalado em 2013. Basicamente, trata-se de minipraças no espaço onde antes havia uma ou duas vagas de estacionamento e que passam a ser ocupadas por bancos, cadeiras, mesas, floreiras, jardins, guarda-sóis e aparelhos para a prática de exercícios físicos.

Parklet in Sao Pulo

Ampliando oferta de espaço público, parklets são extensões das calçadas

Considerados prolongamento das calçadas, os parklets ocupam até 10 metros de extensão por 2 metros de largura. Em dezembro de 2015, a Prefeitura de São Paulo lançou um projeto para a instalação de um parklet municipal em cada uma das 32 subprefeituras da cidade até o fim deste ano. Além dos equipamentos municipais, outros 55 foram implantados pela iniciativa privada em regiões comerciais e gastronômicas para democratizar o espaço da rua.

O parklet é uma alternativa rápida e eficaz para áreas desprovidas de espaços públicos. Os custos de instalação, manutenção e remoção são de responsabilidade do mantenedor. Isso tem levado, no entanto, a que bares e restaurantes estejam tratando os parklets como extensão de seus negócios. Apesar de proibido por lei, alguns deles servem bebidas e comidas nas mesinhas, privatizando os espaços de convívio público.

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