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Restauração

8 de agosto de 2009

Três terços da torre da catedral de Freiburg consistem da pedra original empregada pelos construtores medievais. Uma equipe está restaurando a impressionante torre, inclusive para reparar consertos posteriores.

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Torre marca paisagem urbana de FreiburgFoto: dpa

Os restauradores da torre da catedral de Freiburg não param de se espantar com o desempenho dos construtores medievais. Há 700 anos, apesar do efeito erosivo da geada, da chuva e do calor, as escoras de arenito mantêm em pé a torre graças a uma estrutura de metal instalada sob a pedra.

Freiburger Münster
Andaimes serão retirados em breveFoto: AP

"Os piores danos se observam nos pontos onde se montaram novas pedras, durante as décadas de 1920 e 1970", comenta o coordenador do projeto, Thomas Laubscher. Junto com 13 especialistas, ele foi encarregado de completar a restauração da torre de 116 metros até meados de 2011.

O trabalho começou em 2006, após fragmentos de pedra terem desabado sobre a plataforma de visitantes no interior da torre. No decorrer deste ano, a parte superior do topo da torre já deverá estar sem andaimes, e com o cata-vento já em novo revestimento dourado. "Estamos nos apressando, senão a população de Freiburg vai começar a se aborrecer", afirma Laubscher.

Preço da exatidão chega a milhões de euros

No final do trabalho, mais de 100 pedras danificadas terão sido retrabalhadas a mão e substituídas – quase todas elas montadas no último século. A equipe de Laubscher está inspecionando os menores cantos do topo da torre.

Freiburger Münster
Filigrana de pedra resistiu aos séculosFoto: AP

O princípio básico do restauro é salvar, sempre que possível, a substância histórica através de complexas medidas de conservação da pedra. Atualmente, 75% da torre da catedral de Freiburg consiste de pedras originais do século 14 – e isso deve permanecer assim, segundo a vontade dos restauradores.

Problemáticos são os pontos com uma estática instável. Uma escora da pirâmide da torre está seriamente comprometida. As investigações também indicaram rachaduras nas áreas adjacentes. "Precisamos esclarecer exatamente de onde vêm essas avarias, para poder eliminar as causas", explica Laubscher.

No momento, as análises estão em processo. Os especialistas se utilizam até de raios-X e de endoscopia para analisar o estado das peças de sustentação em pedra e das ligações em metal.

Mas a exatidão tem seu preço. Grande parte do orçamento de 5 milhões de euros destinado à restauração provém de doações particulares. Apesar da campanha para angariar fundos e de algumas grandes doações, ainda faltam 700 mil euros para completar o financiamento do projeto.

Impressões digitais dos primeiros construtores

Além dos trabalhos de restauro propriamente ditos, os pesquisadores continuam investigando a história da construção da torre da catedral de Freiburg. De acordo com conclusões científicas recentes, o interior da torre chegou a ser pintado de vermelho. Possivelmente a pintura esteve ligada à visita de Maria Antonieta, última mulher do rei francês Luís 16, em 1770.

Para investigações como essas, a equipe de restauração depende do intercâmbio científico com outros centros especializados da Alemanha, França e Suíça. Fundamental também é a experiência de cada colaborador.

Antes de assumir o projeto de Freiburg, Laubscher dirigia a restauração da torre de igreja mais alta do mundo, a da catedral de Ulm, no extremo sul da Alemanha. O canteiro Johannes Walz participou da restauração de construções milenares no Egito. "De vez em quando ainda descubro na argamassa a impressão digital dos construtores", revela.

O importante para os restauradores é empregar técnicas e materiais que correspondam ao máximo àqueles utilizados pelos construtores das catedrais. Isso significa, por exemplo, que Laubscher consulta metalúrgicas de toda a Europa, a fim de encontrar uma qualidade especial de ferro com a composição medieval.

Medievais sabiam o que faziam

Das Freiburger Münster Unserer Lieben Frau
Restauração se encerra em meados de 2011

No início de 2009, a equipe de restauração desenvolveu sua própria argamassa, próxima do material original histórico na consistência, pigmentação e capacidade de aglutinação.

Todo esse esforço é justificado. Basta observar o estado da fachada da torre. As pedras e elementos ornamentais expostos à erosão mostram que, quanto à escolha das pedras, os construtores da Idade Média sabiam mais o que estavam fazendo do que os do século 20.

Florões entalhados em pedra há 700 anos, perfeitamente intactos, se destacam dos exemplares restaurados em 1970 e hoje já danificados. "As pedras que estamos inserindo também vão durar séculos", promete Laubscher.

SL/kna/dpa
Revisão: Augusto Valente