Timothy Geithner tenta melhorar relações entre Brasil e EUA | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 07.02.2011
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Brasil

Timothy Geithner tenta melhorar relações entre Brasil e EUA

Desvalorização da moeda chinesa e proposta francesa sobre matérias-primas estão entre os principais temas do encontro entre o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, e a presidente Dilma Rousseff.

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Câmbio e commodities são discutidos em Brasília

A presidente Dilma Rousseff recebe nesta segunda-feira (07/02), em Brasília, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner. Na pauta da visita de Geithner, que deve tentar melhorar as relações entre os dois países, além de estabelecer consenso e temas comuns, estão a desvalorização da moeda chinesa e uma proposta francesa sobre matérias-primas.

Depois de desencontros nos últimos anos por disputas comerciais e pela relação entre Brasil e Irã, a nova presidente Dilma Rousseff tem buscado, abertamente, desde que assumiu o cargo no dia 1° de janeiro, estreitar os laços com os Estados Unidos.

Antes de se dirigir a Brasília, Geithner se encontrou em São Paulo com empresários e estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, a visita de Geithner ao Brasil é de grande relevância.

"O Brasil, depois da crise, teve uma importância ainda maior nas discussões internacionais". De acordo com a especialista, o Brasil está consolidando a sua política agrícola com os EUA. "Há mais interesses comuns nesta área com os norte-americanos do que com os europeus", afirmou Valls Pereira.

De acordo com André Villela, professor assistente da Escola de Pós-graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, Brasil e Estados Unidos têm uma relação boa, com exceção de alguns desentendimentos sobre o Irã e os direitos humanos, "sem que isso tenha prejudicado o bom contato que o país tem e que deve ter com os EUA".

China

Às vésperas da reunião do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, a ser realizada na França em 18 e 19 de fevereiro, Brasil e EUA estão buscando caminhos para cooperar na difícil tarefa de convencer a China para que a sua moeda, o yuan, se valorize o mais rápido possível.

A desvalorização do yuan pela China – o que o Brasil tem chamado de guerra cambial global – tem representado um problema sério para a próspera economia brasileira, prejudicando a balança comercial e transferindo postos de trabalho para o exterior.

Cooperação

A visita de Geithner, que ocupa o cargo equivalente ao de ministro da Fazenda nos EUA, também está sendo considerada como preparatória para a viagem do presidente norte-americano, Barack Obama, ao Brasil, planejada para a segunda quinzena de março. Funcionários dos dois países afirmam que tudo isso é um sinal do início de uma era de cooperação entre duas das maiores economias do hemisfério ocidental.

“A relação do Brasil com Washington será guiada por menos ideologia do que nos últimos anos”, disse um assessor de Dilma Rousseff.

Schweiz Wirtschaft Weltwirtschaftsforum in Davos USA Timothy Geithner

Timothy Geithner também encontra Guido Mantega

“Os Estados Unidos estão encantados com a linguagem que o governo brasileiro tem usado em relação a assuntos econômicos globais, em particular no tocante à China”, disse Mauricio Cárdenas, diretor do programa de estudos latino-americanos do Instituto Brookings, em Washington.

Lael Brainard, subsecretária do Tesouro norte-americano para assuntos internacionais e que acompanha Geithner em sua viagem, disse que o yuan e as políticas comerciais estarão entre os vários interesses econômicos comuns da agenda da visita.

“Creio que nós iremos enfocar amplos interesses mútuos: a agenda do G20, um amplo reajustamento da economia global e assuntos cambiais”, disse Brainard.

França

Dilma Rousseff também quer trabalhar com Washington contra uma proposta francesa de criar um sistema de controle global de preços de matérias-primas e alimentos. De acordo com o Brasil, a iniciativa iria beneficiar somente os países ricos importadores de alimentos e poderia prejudicar os grandes produtores de commodities do mundo.

Brainard disse que o Brasil e os Estados Unidos compartilham as mesmas idéias sobre a agenda do G20 em relação às commodities e querem fazer com que os mercados sejam mais transparentes – uma meta-chave da reforma da legislação financeira norte-americana que está sendo agora implantada. Ao mesmo tempo, seu país trabalha para melhorar a segurança alimentar das nações mais pobres, disse Brainard.

O encontro entre Rousseff e Geithner acontece num momento em que o Brasil estaria reavaliando um contrato para a compra de aviões de combate, que se acreditava ter sido ganho pela companhia francesa Dessault. Parece, porém, que a norte-americana Boeing e a sueca Saab ainda estariam no páreo.

Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Carlos Albuquerque

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