Testes indicam eficácia de vacina russa contra covid-19 | Notícias internacionais e análises | DW | 04.09.2020

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Coronavírus

Testes indicam eficácia de vacina russa contra covid-19

Publicado na "The Lancet", estudo com 76 voluntários mostra desenvolvimento de anticorpos e nenhum efeito colateral sério. Pesquisadores russos reconhecem necessidade de testes adicionais para maior segurança.

Frascos com doses da vacina russa contra a covid-19 batizada de Sputnik V

Rússia diz que espera produzir entre 1,5 milhão e 2 milhões de doses por mês da vacina Sputnik V até o final do ano

A vacina russa contra a covid-19, batizada de Sputnik V, produziu uma resposta de criação de anticorpos em todos os participantes dos testes de estágio inicial, de acordo com resultados publicados nesta sexta-feira (04/09) pela revista especializada The Lancet.

Os resultados dos dois testes, conduzidos nos meses de junho e julho deste ano e que envolveram 76 participantes, apontaram que todos os voluntários desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus e nenhum efeito colateral grave, segundo o estudo.

A Rússia havia licenciado a vacina para uso doméstico em agosto – o primeiro país a fazê-lo e antes que quaisquer dados fossem publicados e sem a conclusão de todas as fases de estudo, que inclui um teste em grande escala.

"Os dois testes de 42 dias – com 38 adultos saudáveis  – não encontraram nenhum efeito adverso sério entre os participantes e confirmaram que a vacina provocou nos candidatos uma resposta de anticorpos", afirma o estudo. "Ensaios grandes e de longo prazo, incluindo uma comparação com placebo, e monitoramento adicional são necessários para estabelecer a segurança e eficácia em longo prazo da imunização."

A vacina recebeu o nome de Sputnik V em homenagem ao primeiro satélite do mundo, lançado pela União Soviética em outubro de 1957. Especialistas ocidentais alertaram contra seu uso até que tenham sido tomadas as medidas regulatórias e o produto tenha passado pelos testes aprovados internacionalmente.

Mas como o resultado publicado pela prestigiada The Lancet, e com o início nesta semana de uma nova e duradoura fase de testes que visa contar 40 mil participantes, Moscou aproveitou para cutucar os críticos.

"Com esta publicação, respondemos a todas as perguntas do Ocidente que foram feitas diligentemente nas últimas três semanas, francamente com o objetivo claro de manchar a vacina russa", disse Kirill Dmitrev, chefe do Fundo de Investimento Direto Russo (Rdif), o fundo soberano da Rússia, que apoiou a produção da vacina.

"Todas as caixinhas estão marcadas", disse Dmitrev à agência de notícias Reuters. "Agora, vamos começar a fazer perguntas sobre algumas das vacinas ocidentais." Dmitrev comunicou que pelo menos três mil pessoas já foram recrutadas para o teste em grande escala da vacina Sputnik V. Os primeiros resultados são esperados para outubro ou novembro deste ano.

A corrida pela vacina

Governos e grandes empresas farmacêuticas estão correndo para desenvolver uma vacina e colocar fim à pandemia de covid-19, que já matou mais de 860 mil pessoas e infectou mais de 26 milhões de pessoas em todo o mundo.

Mais de meia dúzia de empresas farmacêuticas já estão conduzindo testes clínicos avançados, cada um com dezenas de milhares de participantes. Algumas empresas, entre elas a britânica AstraZeneca e as americanas Moderna e Pfizer, esperam concluir esses processos até o final de ano para saber se suas vacinas funcionam e são seguras.

Segundo a The Lancet, os testes iniciais sugerem que a vacina Sputnik V produziu uma reação num componente do sistema imunológico conhecido como células T ou linfócitos T.

Cientistas têm examinado o papel desempenhado pelas células T no combate à infecção por coronavírus. Descobertas recentes mostraram que essas células podem fornecer proteção de maior prazo em comparação com os anticorpos.  

A vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Moscou é administrada em duas doses, cada uma baseada num vetor diferente que normalmente causa o resfriado comum: os adenovírus humanos Ad5 e Ad26.

Alguns especialistas afirmaram que o uso desse mecanismo pode tornar a vacina contra covid-19 menos eficaz, uma vez que muitas pessoas já foram expostas ao adenovírus Ad5 e desenvolveram imunidade contra ele. Na China e nos EUA, cerca de 40% da população apresenta altos níveis de anticorpos devido à exposição anterior ao Ad5. Na África, pode chegar a 80%, segundo especialistas.

Denis Logunov, um dos desenvolvedores da vacina no Instituto Gamaleya, explicou que a Sputnik V usa uma dose forte o suficiente de Ad5 para suplantar qualquer imunidade anterior, sem comprometer a segurança. A dose de reforço, baseada no mais raro adenovírus Ad26, fornece suporte adicional porque a probabilidade de imunidade generalizada a ambos os tipos de adenovírus na população é mínima, acresecentou.

A Rússia disse que espera produzir entre 1,5 milhão e 2 milhões de doses por mês da vacina Sputnik V até o final do ano, aumentando posteriormente gradualmente a produção para 6 milhões de doses por mês.

PV/rtr/ots

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