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Temer diz que compartilha da indignação dos brasileiros

16 de abril de 2017

Presidente afirma que é constrangedor e desagradável ter o nome mencionado por um delator da Odebrecht e volta a negar que tratou de valores em reunião com o ex-executivo.

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Presidente Michel Temer em Brasília
Michel Temer: "Não critico a indignação que o povo sente, é mais do que razoável, é legítima"Foto: Agência Brasil/Valter Campanato

O presidente Michel Temer afirmou neste sábado (15/04) que compartilha da indignação dos brasileiros com a corrupção generalizada no meio político nacional. "Quando se vê uma lista com 200 nomes – e dizem que são mais – e se vê muitas pessoas do Congresso, ex-presidentes, governadores, a indignação é verdadeira e eu compartilho dessa indignação", disse Temer em entrevista à emissora Band. "Não critico a indignação que o povo sente, é mais do que razoável. É legítima porque, digamos assim, o que aconteceu é assustador."

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Temer também afirmou que é constrangedor e desagradável ter o seu nome mencionado pelo delator Márcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Industrial. Ele confirmou ter participado de uma reunião com Faria, mas negou que se tenha falado de dinheiro. "Não se falou de contratos, evidentemente, e de nenhum tema escuso. Não tratamos de valores, nada disso", disse Temer durante a entrevista. "É uma coisa desagradável para quem está na vida pública há tanto tempo, graças a Deus sem manchas. É muito desagradável ouvir aquele depoimento. É constrangedor", acrescentou.

O executivo, que assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Lava Jato, disse ter tratado em uma reunião com Temer, em 2010, sobre uma doação de 40 milhões de dólares para a campanha eleitoral do PMDB. Temer confirmou que houve o encontro, realizado em São Paulo, e disse que ele foi organizado pelo então deputado federal Eduardo Cunha, que está preso há seis meses em Curitiba. O presidente disse, no entanto, que tinha uma "relação institucional, não uma relação pessoal" com Cunha. À época, Temer era presidente do PMDB, e Cunha era líder do partido na Câmara.

Questionado sobre a possibilidade de afastar algum dos oito ministros de seu governo que passaram a ser alvo de inquérito no STF, após terem sido acusados por delatores da Odebrecht de envolvimento em esquemas ilícitos, Temer voltou a afirmar que somente afastará ministros por iniciativa própria se a PGR apresentar denúncia contra algum integrante de seu gabinete. "Temporariamente, se houver a denúncia. Definitivamente, se a denúncia for aceita. É uma linha de corte compatível com nosso sistema jurídico", afirmou.

AS/dpa/lusa/abr