Suposta delação de Delcídio causa terremoto político | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 03.03.2016
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Brasil

Suposta delação de Delcídio causa terremoto político

Denúncia de que senador teria implicado Dilma e Lula em declarações à Lava Jato pega Planalto de surpresa e força presidente e aliados a se defenderem: "Repudiamos o uso abusivo de vazamentos como arma política."

Causou um terremoto político em Brasília nesta quinta-feira (03/03) a notícia, dada pela revisa IstoÉ, de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) teria feito um acordo de delação premiada e envolvido a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas declarações. Se confirmada, esta seria a primeira denúncia que afeta diretamente a chefe de Estado brasileira no atual escândalo.

Na suposta delação à força-tarefa da Lava Jato, o senador teria dito que Lula mandou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e outras testemunhas. E que Dilma, junto ao ex-ministro da Justiça e agora ministro da Advocacia Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, teria tentado interferir na operação e buscado indicar ministros aos tribunais superiores para favorecer acusados.

Num dia de divulgação de dados negativos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e de posse do novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o Planalto foi pego de surpresa pela notícia – gerando uma reação inicial para tentar desqualificar Delcídio.

Dilma foi informada da reportagem da IstoÉ pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, um pouco antes da cerimônia de posse Lima e Silva. A presidente encerrou rapidamente a posse – fez um discurso de dez minutos – e convocou nomes como Wagner e Cardozo para uma reunião de emergência no Planalto.

Dilma: "Vazamentos ilegais"

Em comunicado, Dilma condenou o que chamou "vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais": "Repudiamos, em nome do Estado Democrático de Direito, o uso abusivo de vazamentos como arma política. Esses expedientes não contribuem para a estabilidade do país", disse a presidente.

Cardozo deu uma longa entrevista coletiva em Brasília para rebater os pontos da suposta delação de Delcídio e afirmou que, se confirmada, as acusações do parlamentar buscam envolver Dilma em um "conjunto de mentiras" e são uma retaliação de Delcídio.

Symbolbild Proteste gegen Brasiliens Präsidentin Rousseff

A presidente Dilma condenou o que chamou "vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais"

"A presidente reagiu com indignação", disse Cardozo. "Reafirmo o seguinte: o governo Dilma Rousseff não interveio nas investigações da Lava Jato."

O ministro citou reportagens publicadas na imprensa de que Delcídio teria ameaçado se vingar daqueles que, na visão dele, não o ajudaram a sair da cadeia, onde ficou preso por quase 90 dias, e sugeriu que o senador teria feito a delação premiada para poder sair da prisão.

Após ter seu nome citado na suposta delação, o ex-presidente Lula garantiu, em comunicado divulgado por seu instituto, que nunca cometeu irregularidades.

"O ex-presidente Lula jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo", diz o texto.

Delcídio não confirma

Delcídio, por sua vez, não confirmou as informações divulgadas pela Isto É. Em nota, o senador afirmou que não conhece a origem e nem reconhece autenticidade dos documentos publicados pela revista.

"À partida, nem o senador Delcídio, nem sua defesa confirmam o conteúdo da matéria assinada pela jornalista Débora Bergamasco. Não conhecemos a origem, tão pouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto", afirmou o senador, em nota assinada em conjunto com seu advogado, Antonio Augusto Figueiredo Basto.

No documento, eles também ressaltam que não foram procurados pela revista para a verificação da autenticidade da suposta delação. A nota não menciona se a delação foi realmente firmada.

No mercado financeiro, a suposta delação de Delcídio ajudou o dólar a registrar forte queda ante o real e o mercado acionário a disparar, diante de apostas de maior chance de troca de governo, com implicações nos cenários político e econômico.

O dólar caiu mais de 2% em relação ao real, a 3,80 reais, atingindo o menor nível em três meses. O Ibovespa disparou mais de 5%, levando o índice que reúne as principais ações brasileiras ao maior patamar desde novembro de 2015.

A notícia ruim para o governo sobre a suposta delação de Delcídio saiu no mesmo dia em que foi divulgado o pior desempenho anual da economia brasileira em 25 anos, com retração de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.

CN/rtr/abr/ots

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