″Sri Lanka era um alvo fácil″ | Notícias internacionais e análises | DW | 23.04.2019
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Ásia

"Sri Lanka era um alvo fácil"

Com atentados no Sri Lanka, terroristas do "Estado Islâmico" quiseram transmitir mensagem de que ainda não foram derrotados e escolheram país onde autoridades não estavam preparadas, afirma especialista em islã.

Sapatos de vítimas de ataque a igreja católica em Negombo, no Sri Lanka

Sapatos de vítimas de ataque a igreja católica em Negombo

Com um saldo de mais de 300 mortos, a série de atentados realizados m templos católicos e hotéis de luxo no Sri Lanka no último Domingo de Páscoa (21/04) chamou a atenção para  tensões sociais no país asiático, além de levantar questões sobre a extensão da ameaça terrorista na região.

A organização extremista "Estado Islâmico" (EI) reivindicou a responsabilidade pelos atentados suicidas, investigados pelo governo cingalês como uma espécie de retaliação ao massacre em mesquitas ocorrido em março na Nova Zelândia.

Na tentativa de esclarecer o episódio, a DW conversou com Susanne Schröter, diretora do Centro de Pesquisas Islã Global de Frankfurt (FFGI), em Frankfurt.

DW: O "Estado Islâmico" reivindicou a série de ataques para si. Isso é credível?

Susanne Schröter: Sim. O governo em Colombo havia afirmado que um pequeno grupo islamista chamado National Thowfeek Jamaath (NTJ) estava por trás dos ataques. Mas era claro para especialistas que isso era absurdo. Tal grupo em questão dificilmente teria sido capaz de executar um ataque dessa magnitude. Isso requer um planejamento preciso, equipamentos, organização, conhecimento e muito mais. Isso imediatamente nos lembrou dos grandes ataques coreografados que vimos em Mumbai ou mesmo em Paris. No geral, a impressão é de que o governo simplesmente tentou dizer alguma coisa, pois obviamente ainda não se sabe muito

Os ataques foram perpetrados em hotéis e igrejas no Domingo de Páscoa. Por que no Sri Lanka?

No Sri Lanka, os cristãos nunca foram um grupo com importância política central. Os assassinos também não podiam recorrer a uma narrativa de conflitos entre muçulmanos e cristãos no país, pois isso não existe no Sri Lanka. É por isso que o que aconteceu agora é tão inusitado.

Eu acho que a verdadeira razão é que era um alvo fácil. Obviamente, as autoridades não estavam muito bem preparadas nem vigilantes, embora houvesse advertências.

A tentativa dos terroristas foi produzir, com enorme brutalidade e em lugares emblemáticos, o maior impacto internacional possível em um momento simbólico. E nisso eles foram bem-sucedidos. A mensagem foi: vocês podem nos expulsar da Síria e do Iraque com tropas internacionais, mas não fomos derrotados. Somos poderosos! Acho que essa foi a verdadeira mensagem.

Nos últimos anos, tem havido mais e mais ataques e conflitos violentos de cunho jihadista no Sul e Sudeste da Ásia. Há um deslocamento do Oriente Médio para outras regiões?

Isto é certo. Este é realmente o grande perigo para o qual todos os países, não apenas na Ásia, devem estar agora preparados de alguma forma. O fato de o "Estado Islâmico" ter sido derrotado em grande parte na Síria e no Iraque significa que muitos dos que aderiram ao EI estão agora retornando a seus países. Essas pessoas tentam realizar ataques em seus países de origem ou em outro lugar. Elas querem mostrar que ainda estão presentes. O EI ou a Al Qaeda são grandes organizações internacionais, transnacionalmente ativas, que atravessam fronteiras facilmente, capazes de transportar armas, fundos e pessoas por meio mundo. São pessoas que têm o terrorismo como uma espécie de modelo de negócios e que, através dele, ganham seu sustento. É de esperar que essa pessoas realizem ataques, especialmente em lugares onde os órgãos de segurança não estão preparados.

Quão conectados são esses grupos na Ásia?

Por um lado, sempre há concorrência e divisão no meio jihadista como um todo. Isso ocorre simplesmente porque líderes diferentes têm opiniões diferentes e, sendo assim, mobilizam seus seguidores de acordo com suas próprias visões. Mas sempre há fusões. Existe uma enorme mobilidade nesse meio. O grande problema é que temos estruturas jihadistas em todo o Sul e Sudeste da Ásia com experiência internacional.

Todos aqueles que lutaram juntos na Síria têm boas conexões e mantêm esses laços, mesmo que voltem para seus países de origem, e eles estão altamente motivados.

Dependendo de onde os ataques são realizados, alguma justificativa específica será usada, mas no final não se trata do caso individual, mas sim de assegurar que ainda são poderosos, apesar das operações internacionais contra o EI na Síria e no Iraque.

Quão preparados estão o Sul e o Sudeste Asiático para o desafio? Existem cooperações antiterroristas transnacionais?

Isso varia muito. Existe cooperação transnacional na luta contra o terrorismo, mas especialmente onde o perigo já é grande e onde os governos estão envolvidos. Também depende se as autoridades estão preparadas para cooperar com governos estrangeiros ou serviços de inteligência. O Sri Lanka certamente não está muito bem equipado nesse sentido. Até agora, não havia essa necessidade. Essa era realmente uma lacuna, que os terroristas agora atingiram.

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