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Robert Habeck, Annalena Baerbock, Olaf Scholz e Christian Lindner em Berlim
Da esq. para a dir.: Habeck, Baerbock, Scholz e Lindner anunciaram o sucesso das sondagens iniciaisFoto: Chris Emil Janßen/imago images

SPD, verdes e liberais querem iniciar negociações formais

15 de outubro de 2021

Representantes dos partidos encerram sondagens e aconselham início de negociações formais para formar coalizão de governo. Se se concretizar, será a primeira aliança tripartidária a governar a Alemanha desde os anos 50.

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O Partido Social-Democrata (SPD), o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP) da Alemanha estão dispostos a iniciar negociações formais para a formação de um governo, anunciaram em Berlim, nesta sexta-feira (15/10), as cúpulas dos partidos.

Quase três semanas depois da eleição geral, e findas as sondagens preliminares, os negociadores dos três partidos se mostraram otimistas quanto ao sucesso de negociações para uma coalizão de governo e aconselharam seus partidos a darem formalmente início a esse processo. Eles também apresentaram um documento de 12 páginas com os resultados preliminares.

A decisão deverá ser submetida, ao longo do fim de semana, à apreciação de instâncias internas dos partidos.

"É um resultado muito bom", afirmou o candidato a chanceler federal do SPD, Olaf Scholz, sobre a conclusão das sondagens preliminares. Ele destacou, como pontos centrais, a modernização da Alemanha e a luta contra as mudanças climáticas.

Scholz estava acompanhado dos líderes do Partido Verde, Annalena Baerbock e Robert Habeck, e do FDP, Christian Lindner.

O SPD foi o partido mais votado na eleição de 26 de setembro, com 25,7% dos votos. Caso as negociações sejam bem-sucedidas, Scholz deverá ser eleito pelo Bundestag (Parlamento) como sucessor de Angela Merkel no cargo de chanceler federal, comandando o novo governo.

O Partido Verde obteve o melhor resultado da sua história, com 14,8%, e os liberais alcançaram 11,5%. Tradicionalmente uma coalizão de governo necessita alcançar a maioria absoluta no Parlamento (o que também garante a eleição do candidato indicado a chanceler), já que os partidos alemães costumam ser avessos a governos de minoria.

Apesar das diferenças

Se se concretizar, esta será a primeira aliança tripartidária a governar o país desde anos 1950.

"Um novo começo é possível com os três partidos se unindo", disse Scholz, segundo o qual as sondagens entre os partidos se deram "numa atmosfera muito boa e construtiva". 

Lindner, do FDP, disse que a coalizão tripartite é uma oportunidade. "Se partidos tão diferentes conseguirem chegar a acordos sobre desafios e soluções comuns, essa seria uma oportunidade de unir nosso país, uma chance de que uma possível coalizão seja maior do que a soma de suas partes", disse. "Estamos convencidos de que há muito tempo não há uma oportunidade como esta para modernizar a sociedade, a economia e o governo."

A percepção dominante na política alemã é de que o FDP e o Partido Verde têm um eleitorado semelhante (jovem, urbano, de elevado nível educacional) e pontos em comum na política social, mas estão muito distantes entre si na política econômica.

Baerbock, que foi a candidata a chanceler federal pelo Partido Verde, afirmou que, apesar das diferenças entre os partidos, foi possível "encontrar pontes" durante as intensivas sondagens preliminares. Ela afirmou que o objetivo é "garantir uma verdadeira renovação por meio de uma coalizão progressista".

"Coalizão semáforo"

Esta seria a primeira vez que uma "coalizão semáforo" - assim chamada devido às cores dos partidos social-democrata (vermelho), liberal (amarelo) e verde - governaria em nível federal na Alemanha e colocaria fim aos 16 anos de governo conservador sob Merkel.

Chefiado pela chanceler federal, o governo atual é composto pela união entre o partido dela, a União Democrata Cristã (CDU), e seu partido irmão União Social Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD). A aliança entre as duas maiores bancadas é chamada de "grande coalizão".

Os conservadores amargaram o pior resultado de sua história nas eleições de setembro, obtendo 24,1% dos votos, e uma repetição da aliança com o SPD foi descartada por ambos os partidos.

Se de fatos iniciadas, as negociações formais de coalizão entre social-democratas, verdes e liberais podem durar meses, prolongando a permanência de Merkel na chefia de governo.

as/lf (DPA, Efe)