Sob pressão, filho de Sarkozy abdica de alto cargo administrativo | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 23.10.2009
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Mundo

Sob pressão, filho de Sarkozy abdica de alto cargo administrativo

Após uma onda de acusações de nepotismo, Jean Sarkozy desiste de candidatura à direção do órgão que administra o distrito financeiro de La Défense. Decisão do estudante é vista pela oposição como vitória.

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Sarkozy pai e Sarkozy filho: indignação popular provocou mudança de curso

Depois de criticar uma suposta "campanha de manipulação e desinformação" em torno de sua candidatura ao mais alto cargo dentro da EPDA (Etablissment Public d'Aménagement de La Défense), órgão responsável pela administração do maior distrito financeiro localizado no oeste de Paris, Jean Sarkozy desistiu oficialmente do posto.

"Grande Nation" em ebulição

"A alma popular da Grande Nation ferveu, quando se tornou público que o estudante de Direito iria receber um cargo de tamanha importância na administração pública. A qualificação do filho do presidente se resume a seu conhecido sobrenome: além de ter concluído o ensino médio e iniciado uma graduação na universidade, Jean Sarkozy não tem muito o que provar", comentou a edição alemã do jornal Financial Times, ao anunciar o desfecho do caso em artigo cuja manchete diz que Jean Sarkozy prefere continuar exercendo a profissão de filho.

A candidatura do jovem Sarkozy para o conselho (e não para a direção) do EPDA, no entanto, será mantida, afirmou o mesmo em Paris nesta quinta-feira (22/10) a uma emissora francesa de televisão. O distrito empresarial La Défense, administrado pelo órgão, é considerado um dos maiores da Europa, no qual trabalham mais de 150 mil pessoas para multinacionais como Areva, EDF, AXA ou para o banco Société Générale.

"À guilhotina, pelo regime"

O diário francês Libération comentou o caso, inclusive em editorial, afirmando que, desta vez, Nicolas Sarkozy preferiu mandar seu filho "à guilhotina, a fim de preservar seu regime". Segundo o jornal, a desistência de Jean ao cargo máximo do EPAD não mostra o resultado de uma suposta "manipulação pela mídia", como afirmou o mesmo, mas sim uma confissão. "A confissão de um presidente que entendeu que desta vez fora um pouco longe demais com seu abuso de poder".

Correligionários de Nicolas Sarkozy apontaram a atitude de Jean como "sinal de maturidade". Para o ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, a decisão do jovem foi "corajosa". Os partidos de oposição à facção conservadora e governista UMP festejaram a postura do jovem Sarkozy como uma vitória contra o nepotismo e o clientelismo.

"O presidente da República recuou sob pressão da indignação da maioria dos franceses", comentou o presidente do Partido Socialista, Benoît Hamon, citado pela mídia do país. Patrick Jarry, prefeito comunista de Nanterre, distrito limítrofe ao La Défense, também saudou a decisão. "Essa é a voz da sabedoria. Sua candidatura não tinha a menor legitimação".

Autor: SV/ap/afp/dpa
Revisão: Augusto Valente

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