″Slogans de perseverança não adiantam mais″, admite presidente alemão em discurso | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 03.04.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Alemanha

"Slogans de perseverança não adiantam mais", admite presidente alemão em discurso

Normalmente o chefe de Estado só se dirige à Alemanha na TV uma vez ao ano. Em comunicado extraordinário de Páscoa, Steinmeier registra crise nacional de confiança, mas frisa necessidade de coesão no combate à pandemia.

Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier

"A hora é de ser capaz, não de duvidar", exortou social-democrata Frank-Walter Steinmeier

Num raro discurso de Páscoa, o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, reivindica regras compreensíveis e pragmáticas no combate ao novo coronavírus e conclama a população a um esforço conjunto contra a terceira onda da pandemia.

"Concentremos as nossas forças, caros compatriotas! Vamos pôr para fora o nosso potencial", instou numa declaração televisa extraordinária pré-gravada, transmitida neste sábado (03/04). "Não vamos nos indignar só contra os outros ou os lá de cima. Não fiquemos apontando a todo momento o que não dá, mas o que é possível, se todos fizerem a sua parte."

Normalmente o chefe de Estado alemão só se dirige na TV à nação por ocasião do Natal, porém este já é o segundo comunicado não rotineiro desde o começo da pandemia de covid-19.

Confiança e crítica aos defeitos alemães

Steinmeier reconheceu a existência de uma "crise de confiança" e de erros nas testagens, vacinação e digitalização do progresso da doença viral no país. "Depois de 13 meses, palavras de ordem de perseverança não adiantam mais. Todos os apelos à paciência e à razão e à disciplina se tornam surdos nestes tempos massacrantes."

Ainda assim, ele advertiu enfaticamente contra a briga política só pela briga: governo federal e estaduais, partidos, coalizões e pesquisas de opinião não podem ficar disputando o papel principal. "Precisamos de clareza e determinação, precisamos de regras compreensíveis e pragmáticas para que os cidadãos possam se orientar, para que este país possa voltar a pôr para fora o seu potencial."

A pandemia coloca a Alemanha diante do espelho, afirmou, criticando a crônica "inclinação a querer regulamentar tudo, nosso medo do risco, o empurra-empurra da responsabilidade". Será preciso analisar como se pode mudar tudo isso e tornar as instituições mais resistentes às crises. Em meio à terceira onda da pandemia, para rompê-la é necessário "toda força, de todos os lados".

Ele antecipou "amargas restrições" para a população nas próximas semanas. E, assim como a pandemia exige muito dos cidadãos, também eles devem exigir muito da política. A expectativa em relação aos governantes é clara: "Concentrem as suas forças!"

Democracia, vacinas e superlativos inúteis

Numa democracia, a confiança tem como base "um pacto muito frágil entre os cidadãos e o Estado: 'Você, Estado, faz a sua parte; eu, cidadão, faço a minha'", lembrou Steinmeier. No fim das contas, porém, "confiança na democracia não é nada além do que a confiança em si mesmo".

Ele enfatizou que há todo motivo para ter essa confiança, como provam as vacinas desenvolvidas em tempo recorde. E acrescentou que confia em todos os imunizantes licenciados para a Alemanha – numa alusão a sua recente vacinação com o produto da AstraZeneca, cujo grau de segurança está atualmente em questão. Para ele, a vacina é o passo mais importante no caminho para sair da pandemia. "Participem!", encorajou.

Frank-Walter Steinmeier também tentou comunicar esperança à população por ocasião da Páscoa: alguns meses atrás, após a primeira onda global de covid-19, o país já quis se ver "com autossatisfação, como campeão mundial da pandemia", porém "hoje parece que competimos pelo prêmio de pessimismo".

"Por que é mesmo que na Alemanha se tem sempre que estar nos superlativos: explodindo de júbilo ou morrendo de tristeza?" A verdade é que não se é campeão da pandemia, mas tampouco um zero à esquerda. "Nós duvidamos muito, mas somos capazes de muita coisa. E a hora é de ser capaz, não de duvidar."

Portanto, "tenhamos confiança em nós e consideração uns com os outros", exortou o político social-democrata em seu discurso extraordinário deste Sábado de Aleluia.

av (AFP, EPD, DPA, ots)

Leia mais