Sindicato aponta simpatia de policiais alemães ao populismo de direita | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 24.06.2019
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Alemanha

Sindicato aponta simpatia de policiais alemães ao populismo de direita

Política de portas abertas a refugiados adotada pelo governo Merkel e descaso das autoridades fez com que muitos agentes se tornassem simpatizantes de partidos como a AfD, afirma vice-presidente de sindicato policial.

Policial alemão segura arma

Segundo sindicalista, forças policiais não estiveram entre as prioridades dos últimos governos federais

O Sindicato dos Policiais alemães (GdP, na sigla em alemão) apontou um aumento do número de simpatizantes de partidos nacionalistas e populistas de direita entre os policiais do país.

Em declarações divulgadas nesta segunda-feira (24/06) pelo jornal alemão Rheinische Post, o vice-presidente do sindicato, Jörg Radek, afirmou que "algo mudou" em muitos policiais no país que passaram a demonstrar "simpatia pelo espectro dos partidos nacionalistas de direita".

Segundo Radek, isso ocorre pelo fato de o governo alemão nunca ter explicado adequadamente aos policiais a decisão de abrir as fronteiras do país a migrantes em 2015, no auge da crise migratória que levou milhões de pessoas a fugir de conflitos e da pobreza rumo à Europa. A medida levou muitos policiais a trabalharem exaustivamente para cumprir com suas obrigações dentro dos limites da lei.

Essas circunstâncias, somadas a uma percepção de descaso do governo federal para com as forças de segurança, fizeram com que uma parcela significativa de funcionários da Polícia Federal alemã se tornasse simpatizante do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), disse Radek. "Uma consequência disso é que hoje policiais federais se candidatam pela AfD em eleições regionais."

Neste mês, o ex-comissário de polícia Sebastian Wippel esteve próximo de se eleger como o primeiro prefeito da AfD no país, na cidade de Görlitz. Ele acabou sendo derrotado na reta final da campanha após todos os principais partidos apoiarem o candidato da CDU, Octavian Ursu.

Radek disse que "durante muitos anos, um apreço da grande coalizão de governo [formada pela União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, seu partido-irmão União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD)] pelo trabalho da Polícia Federal não foi perceptível".

Segundo o sindicalista, as forças policiais não estiveram entre as prioridades dos últimos três governos federais, encabeçados por Merkel. A falta de recursos e de pessoal gerou descontentamento entre os policiais.

"Apenas nos últimos três anos houve uma reavaliação, com mais contratações". Mesmo assim, diz Radek, a medida teria sido tardia demais para evitar a falta de confiança no governo.

O ex-líder da bancada da CDU no Bundestag (Parlamento alemão) Friedrich Merz alertou no último fim de semana para uma inclinação de policiais e soldados para a AfD, iniciando assim uma discussão sobre a política de segurança do governo.

"Nós, aparentemente, perdemos parte das Forças Armadas para a AfD. Perdemos parte da Polícia Federal para a AfD", afirmou o político conservador ao jornal Bild am Sonntag.

Ele defende que, para reverter essa tendência, a CDU deve sair em defesa dos órgãos de segurança do país. "Apenas com o apoio explícito dos políticos será possível combater com êxito o extremismo político", afirmou Merz.

RC/dpa/ots

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