Shinzo Abe obtém clara vitória eleitoral no Japão | Notícias internacionais e análises | DW | 22.10.2017
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Mundo

Shinzo Abe obtém clara vitória eleitoral no Japão

A aposta se mostrou acertada: ao vencer pleito que ele mesmo antecipou, primeiro-ministro tem caminho aberto para pôr em prática seu projeto de mudar Constituição pacifista japonesa.

O primeiro-ministro Shinzo Abe obteve neste domingo (22/10), segundo a boca de urna, uma avassaladora vitória nas eleições legislativas japonesas, o que abre caminho para que ele se torne o chefe de governo há mais tempo no poder na história do país.

Claro favorito em todas as pesquisas, Abe convocou as eleições no início do mês de forma antecipada com o pretexto de fortalecer seu governo para continuar implementando seu programa econômico e lidar com a ameaça da Coreia do Norte.

Leia também: A Constituição pacifista do Japão

As projeções são de que o Partido Liberal Democrata (PLD), de Abe, obterá entre 253 e 300 cadeiras na Câmara dos Deputados. Com os assentos do partido aliado Novo Komeito, espera-se que o premiê ultrapasse confortavelmente a meta de 310 deputados, chamada supermaioria.

Uma supermaioria – ou dois terços do plenário – é necessária para alterar a Constituição, algo que Abe tem em seus planos. Em sua mira está o artigo nono, que determina que o Japão renuncia explicitamente à guerra.

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Sob o art. 9° da Constituição, o Japão renunciou para sempre ao direito de declarar guerra e baniu as Forças Armadas, embora sucessivos governos desde a Segunda Guerra tenham interpretado que o artigo permite uma força exclusivamente para autodefesa.

Tropas japonesas participaram, por exemplo, de operações internacionais de manutenção da paz, assim como de missões de reconstrução – sem combate – no Iraque de 2004 a 2006. Elas atuam também em situações de catástrofe, como o tsunami de 2011.

Pedidos para mudar a Constituição, que foi escrita e imposta pelos americanos em 1946, têm se tornado mais frequentes no últimos anos e ganharam ainda mais força com as recentes ameaças da Coreia do Norte. Muitos japoneses acreditam que a carta magna está defasada e não reflete as atuais circunstâncias geopolíticas.

Uma pesquisa de opinião pública conduzida pela agência de notícias Kyodo News, poucos dias antes do 70° aniversário da Constituição, mostrou que 49% dos entrevistados acreditavam que o artigo precisa ser reformado, superando os 47% que se opõem a qualquer mudança. Quando Abe assumiu o cargo, em dezembro de 2012, 51% da população eram contra tal mudança constitucional, e 45% a favor.

A vitória permitirá a Abe manter-se na chefia do governo até 2021, se conquistar também a presidência do Partido Liberal Democrata no próximo verão.

O envolvimento em escândalos de favorecimento ilícito afetou a popularidade do primeiro-ministro, exemplificada na derrota histórica do partido nas eleições de Tóquio, em julho, perante a legenda da carismática governadora Yuriko Koike. 

Diante de tal cenário, Abe, de 63 anos, decidiu dissolver a Câmara dos Deputados mais de um ano antes da data prevista para o escrutínio. Cem milhões de eleitores foram chamados a renovar as 465 cadeiras da Casa.

RPR/rtr/afp

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