Sete anos de coalizão: um balanço | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 01.01.1970

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Alemanha

Sete anos de coalizão: um balanço

Será que Gerhard Schröder conseguiu fazer muitas coisas melhor que seu antecessor? A Deutsche Welle faz um balanço da atuação da coalizão social-democrata-verde.

Reforma Hartz IV: tema dominante no governo Schröder

Reforma Hartz IV: tema dominante no governo Schröder

Logo para começar, Schröder aboliu muitas das medidas instauradas pelo governo Kohl em sua fase final. Foi uma maneira de recompensar os eleitores da coalizão social-democrata-verde com uma série de benesses. Mas a conjuntura desaquecida logo mostrou que essa forma de governar tinha seus limites. O chanceler federal trocou seu ministro das Finanças: no lugar de Oskar Lafontaine, assumiu Hans Eichel. Desde então, o rigor na poupança passou a ser visto como a maior virtude do governo.

Seguridade social e mercado de trabalho

Soldat hilft einer Frau aus dem Wasser im überfluteten Dresden 2002

Soldado socorre mulher durante enchente do Elba em 2002

Ao lado da rejeição da guerra no Iraque e dos esforços solidários durante a grande enchente do Elba no verão de 2002, foi a esperança de que, no mais tardar em 2006, o orçamento federal estivesse livre de dívidas, que contribuiu para a reeleição da coalizão em setembro daquele ano. Nem mesmo a mais brilhante retórica, porém, é capaz de passar ao largo da realidade. Nos primeiros meses de 2003, Gerhard Schröder confrontou a nação com a necessidade de reformas radicais dos sistemas de seguridade social e do mercado de trabalho, compiladas na chamada Agenda 2010.

O chanceler federal referia-se a seu pacote de medidas com as seguintes palavras: "O governo federal e as bancadas coligadas do SPD e do Partido Verde deram início a um processo de profundas transformações em nosso país. No que diz respeito a seu âmbito e a suas conseqüências, esse processo de reformas é ímpar na história da República Federal da Alemanha".

Montagsdemonstration in Leipzig 2004

Leipzig foi um dos grandes centros dos protestos contra as reformas sociais

Nesse meio tempo, a maioria no Bundesrat (a câmara alta do Legislativo alemão) – em que estão representados os Estados federados – havia mudado em favor dos democrata-cristãos. Com isso, o governo passou a depender do apoio da oposição para aprovar partes essenciais de seu programa de reformas. Apesar disso, a população atribui principalmente aos social-democratas a culpa pelos cortes daí resultantes.

Legislação da cidadania

A necessidade de um consenso espelhou-se também na nova regulamentação do direito de cidadania. Embora a adoção da nacionalidade alemã por estrangeiros tenha sido facilitada, a coalizão social-democrata-verde não conseguiu impor, como pretendia, maior facilidade para a manutenção de dupla cidadania.

Casamento entre homossexuais

Algo semelhante ocorreu na legalização de parcerias entre homossexuais. A resistência de democrata-cristãos e social-cristãos impediu que essas parcerias fossem igualadas aos casamentos tradicionais em questões de impostos de renda, como desejavam os políticos verdes.

Energia nuclear

JAHRESRÜCKBLICK 2003 NOVEMBER Atomkraftwerk Stade wird stillgelegt

Usina nuclear de Stade, a primeira a ser desativada na Alemanha

Um quesito em que os verdes e os social-democratas conseguiram se impor foi seu intento de renunciar à energia nuclear. A coalizão chegou a um acordo com as empresas de energia quanto a um cronograma para desativar progressivamente os reatores do país. Aos democrata e social-cristãos nada restou senão anunciar a abolição dessa decisão quando voltarem a ter maioria no Parlamento federal.

Europa

Da mesma forma que todos seus antecessores, o chanceler federal Schröder assumiu claramente o compromisso da Alemanha com a Europa: "Para fora, isso significa aceitar decididamente e por profunda convicção nosso papel como fiadores da união e da integração européias. Continuar levando adiante nosso continente unido, pressupõe – como até agora – o dinamismo e a confiabilidade da parceria teuto-francesa", declarou Schröder.

Gerhard Schröder und Jacques Chirac winken aus einem Fenster in Blomberg

Amizade teuto-francesa: presidente Jacques Chirac e chanceler federal Gerhard Schröder

Pacto de Estabilidade e Crescimento

No entanto, Schröder não contabilizou apenas sucessos em questões relacionadas à União Européia. O Bundestag (câmara baixa do Legislativo alemão) ratificou a Constituição européia com grande maioria, é verdade, mas na disputa sobre o financiamento do bloco no futuro não se chegou a um consenso com os demais países-membros. Além disso, o desenvolvimento desfavorável da economia na Alemanha levou o país a não cumprir pela terceira vez consecutiva os preceitos do Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE. A fama da Alemanha de ser uma das fiadoras da estabilidade do euro foi fortemente abalada.

Guerra no Iraque

Demonstrant gegen Krieg in Berlin

Manifestação em Berlim contra a guerra no Iraque

Em concordância com a maioria absoluta dos alemães e com vários parceiros europeus, o chanceler federal Schröder negou anuência à guerra no Iraque, onerando com isso sensivelmente as relações teuto-americanas.

Não entrava na cabeça de muitos norte-americanos que justamente os alemães, que tinham gozado da proteção do Exército dos EUA durante as décadas da Guerra Fria, se mantivessem à parte na hora de agir contra um ditador notório como Hassam Hussein. Uma das conseqüências dessa posição da Alemanha é a dificuldade em conseguir que se concretize a esperança de que o país venha a desempenhar um papel mais importante dentro das Nações Unidas.

Conclusão

O programa de reformas Agenda 2010 foi e continua sendo o projeto mais importante da segunda metade dos sete anos de governo de Gerhard Schröder. No último discurso que pronunciou perante o Parlamento na atual mandato, o chanceler federal voltou a ressaltar a importância desse intento de uma profunda renovação da sociedade: "Não dá mais para protelar as reformas. Elas significam também despedir-se do que é costumeiro. Dizer isso pressupõe a franqueza que devemos aos cidadãos. É meu intuito e missão da social-democracia velar para que a eficiência econômica não seja alcançada às custas dos fracos, ou seja, que o equilíbrio social não seja prejudicado".

Leia mais