Sem apresentar provas, Trump volta a falar que é vítima de fraude | Cobertura especial sobre as eleições nos Estados Unidos | DW | 06.11.2020

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Eleições nos EUA

Sem apresentar provas, Trump volta a falar que é vítima de fraude

Em desvantagem crescente na apuração de votos, presidente ameaça recorrer à Justiça para reverter resultado desfavorável. "Se você contar os votos legais, eu ganho facilmente", diz. Biden pede calma à população.

Em desvantagem na contagem de votos e com a apuração ainda em andamento, o presidente Donald Trump voltou nesta quinta-feira (05/11) a afirmar, sem provas, que sua campanha está sendo vítima de fraude. "Se você contar os votos legais, eu ganho facilmente. Se você contar os votos ilegais, eles podem roubar a eleição de nós", disse o republicano, que pode se tornar o primeiro presidente americano em quase 30 anos a perder uma campanha de reeleição.

Trump também previu que a eleição será judicializada e indicou que ele não deverá reconhecer facilmente uma eventual derrota, mesmo se o democrata Joe Biden atingir a marca de 270 votos no Colégio Eleitoral, necessária para conquistar a presidência. "Haverá muito litígio", disse, durante um discurso na Casa Branca. 

Essa postura tem potencial para adicionar ainda mais combustível nessa que é uma das eleições mais tensas da história americana. Analistas, jornalistas e grupos que monitoram os políticos têm acusado o presidente de minar o sistema eleitoral e a democracia americana como forma de se manter no poder. Até mesmo nomes influentes do Partido Republicano têm evitado endossar as acusações do presidente. As redes de TV ABC, CBS e MSNBC chegaram a interromper a transmissão do discurso de Trump para desmentir as afirmações do presidente.

As comissões eleitorais dos estados com apurações ainda em andamento também têm afirmado que não verificaram nenhuma fraude e vêm assegurando que a contagem está ocorrendo de maneira segura. Há temor ainda de que as falas incendiárias de Trump possam estimular a violência e a ação de grupos armados.

"Este é um caso de tentativa de roubar a eleição, de fraudar a eleição (...). Não há nenhuma dúvida", disse o presidente, novamente sem apresentar provas para sustentar suas acusações.

Ele tem reclamado especialmente dos votos que foram enviados pelo correio. "Na noite da eleição, estávamos ganhando e milagrosamente nossos números desapareceram", disse Trump. "De repente, os democratas encontram votos. Incrível como o voto pelo correio só favorece um lado."

"Já ganhei de forma decisiva em muitos estados críticos, incluindo vitórias avassaladoras", afirmou. Sem provas disponíveis, o presidente recorreu a anedotas sobre eleições, incluindo algumas da sua juventude, para tentar exemplificar como uma eleição pode ser roubada.

Ele também voltou a reclamar da imprensa, do Partido Democrata e, paradoxalmente, tentou se pintar como um outsider político. Ele ainda celebrou os bons resultados do Partido Republicano na eleição para a Câmara dos Representantes, neste caso evitando apontar qualquer suspeita de fraude no pleito.  

Na quarta-feira, presidente já tinha clamado vitória em outro discurso na Casa Branca, mas a imprensa americana se apressou a rechaçar a reivindicação. Por enquanto, a vantagem na contagem está com o democrata Joe Biden, que acumula mais votos no Colégio Eleitoral. O democrata tem 253 delegados, enquanto o republicano segue com 214. São necessários 270 votos para conquistar a presidência. Apenas seis estados, com 71 votos somados, seguem em disputa. 

Trump também tem ameaçado judicializar o processo eleitoral. Sua campanha já entrou com ações para barrar a contagem de votos em três estados: Michigan, Pensilvânia e Geórgia. Nos dois últimos, o presidente largou na frente, mas sua vantagem começou a diminuir significativamente conforme os sufrágios eram computados. Diante desse cenário, Trump passou a espalhar com mais força acusações de fraude, sem apresentar provas. 

Com a vantagem de Biden se solidificando, Trump também foi ao Twitter para pedir a interrupção da contagem de votos. "PAREM A CONTAGEM!", escreveu. Foi o primeiro tuíte dele nesta quinta-feira.

Assistir ao vídeo 02:19

Com acusações infundadas, Trump volta a questionar eleição americana

Mais cedo, Biden defendeu que "todas as cédulas devem ser contadas". Em pronunciamento, o ex-vice-presidente disse não ter dúvidas de que ele será declarado vencedor das eleições presidenciais ao fim da contagem e pediu calma e paciência aos americanos.

"Não temos dúvidas de que quando a contagem terminar, a senadora Harris e eu seremos declarados os vencedores", afirmou, referindo-se à sua vice, Kamala Harris. "A democracia às vezes é confusa, e às vezes requer um pouco de paciência também. [...] Saberemos mais em breve."

Observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) têm descartado enfaticamente a possibilidade de fraude na eleição dos Estados Unidos e disseram que as acusações de Trump ao processo eleitoral prejudicam a confiança do público americano nas instituições democráticas.

Em entrevista à DW, a chefe da missão, Urszula Gacek, afirmou não ter encontrado evidências de falha sistêmica no processamento dos votos pelo correio e disse não ter visto um único incidente irregular na Pensilvânia, onde a campanha de Trump contesta a contagem.

"Nas suas declarações, Trump minou a confiança do eleitor no processo eleitoral. Isso é um fato, isso está gravado", declarou Gacek à DW, acrescentando que o desafio agora é reconstruir essa confiança.

Leia mais