Segundo turno frustra esquerda em três capitais | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 29.11.2020

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Eleições 2020

Segundo turno frustra esquerda em três capitais

Em pleito marcado pela rejeição ao bolsonarismo, partidos de esquerda também colecionaram resultados negativos em SP, Porto Alegre e Vitória. Pela primeira vez desde a redemocratização, PT fica sem prefeitos em capitais.

Brasilien Sao Paulo | Guilherme Boulos

Boulos em campanha ao lado de Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB)

Se o primeiro turno marcou a rejeição pelo eleitorado de candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, a segunda rodada de eleições neste domingo (29/11) mostrou que uma fatia considerável do eleitorado também não quis chancelar a volta da esquerda em uma série de disputas pelo país.

Duas das principais candidaturas que mais despertaram entusiasmo entre militantes do campo da esquerda, Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo, e Manuela D'Ávila (PCdoB), em Porto Alegre, foram derrotadas por candidaturas que se apresentaram como centro-direita ou direita não bolsonarista.

Já o PT, que já havia registrado resultados negativos no primeiro turno, com a perda de 75 prefeituras em relação ao pleito de 2016, foi derrotado neste domingo em 11 das suas 15 disputas no segundo turno.

Pela primeira vez desde a redemocratização, em 1985, o partido não elegeu nenhum prefeito em capitais do país. Neste domingo, o partido esperava eleger o ex-prefeito João Coser, em Vitória, e a deputada federal Marília Arraes, no Recife. Mas Coser acabou sendo derrotado pelo bolsonarista Delegado Pazolini (Republicanos). Arraes, por sua vez, perdeu para João Campos, do PDT, que apesar de também ser do campo da esquerda, explorou o antipetismo na reta final da campanha.

Apesar dos resultados negativos, o PT se saiu um pouco melhor no grupo das 96 cidades mais populosas do país. Em 2016, o partido havia eleito apenas um prefeito nesse grupo, em Rio Branco, no Acre. Desta vez, o partido pelo menos elegeu quatro prefeitos nesse grupo: Juiz de Fora (MG), Contagem (MG), Diadema (SP) e Mauá (SP).  

No entanto, tais vitórias ainda estão longe dos anos dourados da sigla. Em 2004, o PT chegou a governar nove capitais. Também administrou três vezes São Paulo. No pleito, de 2020, o partido amargou apenas 8,6% dos votos com a candidatura de Jilmar Tatto na maior cidade do país.

Já o PSOL, apesar da derrota em São Paulo, garantiu a eleição de Edmilson Rodrigues em Belém (PA), conquistando pela segunda vez em sua história uma capital para o partido. Em 2012, a sigla havia vencido o pleito em Macapá (AP).

Já no campo da centro-esquerda, o PDT e o PSB se saíram melhor, garantindo quatro capitais neste domingo. Ligado ao clã dos Gomes, José Sarto derrotou o bolsonarista Capitão Wagner (Pros) em Fortaleza. O PDT ainda venceu em Aracaju com Edvaldo Nogueira. O PSB, por sua vez, derrotou o PT no Recife e venceu com JHC em Maceió, contra o MDB.

JPS/ots

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