Schulz desiste de ser ministro num futuro governo Merkel | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 09.02.2018
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Alemanha

Schulz desiste de ser ministro num futuro governo Merkel

Depois da pressão dentro do partido e das críticas do atual ministro do Exterior, Martin Schulz anuncia que não assumirá nenhum cargo no próximo governo. Acordo de coalizão ainda depende da aprovação de filiados do SPD.

Martin Schulz

Base partidária estava insatisfeita com a entrada de Schulz no governo, o que ele inicialmente havia descartado

O presidente do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), Martin Schulz, anunciou nesta sexta-feira (09/02) que não vai assumir mais nenhum ministério num possível futuro governo com os conservadores. Ele havia reivindicado para si o cargo de ministro do Exterior.

Schulz cedeu, assim, a uma forte pressão dentro do seu partido. Segundo o jornal Bild, ele recebera um ultimato da liderança partidária para renunciar às suas pretensões ministeriais até esta sexta-feira. O motivo seria a grande insatisfação da base partidária com a entrada dele no governo, algo que ele inicialmente havia descartado.

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Em seu comunicado, Schulz disse que a discussão em torno de sua pessoa colocava em risco a votação, entre os filiados, do acordo de coalizão com a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU), fechado nesta quarta-feira. O acordo ainda depende do aval dos cerca de 460 mil membros do SPD, que têm duas semanas para decidir se o aprovam ou não.

O debate sobre a distribuição de ministérios entre os partidos domina as discussões políticas na Alemanha desde esta quarta-feira. A ida de Schulz para o Ministério do Exterior foi recebida com surpresa e depois com irritação, pois ele havia inicialmente descartado integrar um futuro governo da chanceler federal Angela Merkel.

Sigmar Gabriel

Sigmar Gabriel se queixou publicamente da "forma desrespeitosa" com que o partido lidou com ele

Quem se mostrou especialmente irritado com a decisão de Schulz foi o atual ministro do Exterior, Sigmar Gabriel, também do SPD, que nunca escondeu que gostaria de continuar no cargo. Ele se queixou publicamente da "forma desrespeitosa" com que o partido lidou com ele.

Na quarta-feira, Schulz dispensara Gabriel com poucas palavras, após a conclusão do contrato de coalizão e a distribuição dos ministérios: Gabriel teria "realizado um trabalho muito bom como ministro do Exterior", mas o líder partidário decidira "entrar para o governo federal, mais especificamente como ministro do Exterior".

Gabriel viu na atitude uma quebra de palavra, uma vez que Schulz aparentemente lhe teria garantido que ele manteria seu posto numa reedição da "grande coalizão" de governo com a CDU e a CSU.

Além disso, foi Gabriel quem abriu espaço no SPD para Schulz, que até um ano atrás era presidente do Parlamento Europeu. Gabriel renunciou à presidência do partido e à candidatura à Chancelaria Federal em favor de Schulz, que era visto como "menos contaminado" pela política interna por atuar em Bruxelas. Gabriel, por sua vez, não seria o melhor candidato contra Merkel por fazer parte do atual governo, na então avaliação do próprio SPD.

Por ser de fora, Schulz teria mais chances. O resultado foi um desastre: o SPD obteve apenas 20,5% dos votos na eleição em 24 de setembro, a pior votação do partido no pós-Guerra.

Para Schulz, a decisão desta sexta-feira marca uma nova reviravolta. Depois da eleição, ele prometera levar o SPD para a oposição. Meses depois, tenta convencer o partido a entrar no governo. E, após dizer que não queria assumir um ministério, reivindicou para si o do Exterior. Agora, anunciou que não quer mais.

AS/dw/afp

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