Revólver que matou Van Gogh é leiloado em Paris | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 19.06.2019
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Cultura

Revólver que matou Van Gogh é leiloado em Paris

Considerada a "mais famosa arma da história da arte", pistola Lefaucheux teria sido usada no suicídio do pintor em 1890. Casa de leilões responsável pela venda também reconhece outra versão da morte do artista.

Vincent van Gogh (Imago/Cinema Publishers Collection)

Van Gogh em autorretrato de 1887: um artista abalado por graves crises psicológicas

A casa de leilões parisiense Drouot vendeu por 162 mil euros (cerca de 700 mil reais), nesta quarta-feira (19/06), a arma com a qual Vincent Van Gogh supostamente se suicidou em 27 de julho de 1890.

A arma foi comprada por um colecionador particular em oferta telefônica. Considerada a "mais famosa arma da história da arte", o revólver Lefaucheux de calibre 7mm fora estimado inicialmente entre 40 mil e 60 mil euros.

A arma foi descoberta por um agricultor por volta de 1960, num campo perto de Auvers-sur-Oise, vilarejo ao norte de Paris onde o pintor holandês passou os últimos meses de sua vida.

A casa de leilões AuctionArt – Rémy Le Fur, que vendeu a arma através do Hôtel Druout, disse que, dificilmente, sua autenticidade pode ser absolutamente estabelecida e que só há certeza sobre o local em que foi encontrada. "Testes técnicos mostraram que ela foi usada e esteve enterrada por um período que se encaixaria com o ano de 1890", afirmou.

"Todas essas pistas dão crédito à teoria de que esta foi a arma usada no suicídio", afirmou a casa de leilões. Com essas conclusões, o revólver foi acolhido pelo Museu Van Gogh em Amsterdã, onde foi apresentado oficialmente pela primeira vez ao público na exposição Nos confins da loucura, a doença de Van Gogh, em meados de 2016.

Auktion zu Lefaucheux-Revolver (picture-alliance/dpa/MAXPPP/Mousse)

Testes revelaram que revólver ficou enterrado entre 50 e 80 anos

De acordo com a Druout, depois de uma estada de dois anos no sul de França, Van Gogh se instalou em Auvers-sur-Oise, em 20 de maio de 1890, a conselho do seu irmão Theo. O médico Paul Gachet, amigo de Camille Pissarro e de vários pintores impressionistas, cuidou do artista holandês, que teve frequentes crises psicológicas.

Van Gogh, que alugava um quarto na estalagem de Arthur Ravoux, estava no auge da sua criatividade, pintando mais de um quadro por dia. Mas no final do mês de julho, sua saúde mental ficou cada vez mais abalada.

O pintor tomou a arma emprestada do dono da estalagem. Num domingo, em 27 de julho de 1890, Van Gogh foi passear no campo. Levantou a camisa e disparou sobre o peito com a arma que teria levado da estalagem.

Van Gogh deixou escapar o revólver das suas mãos e desmaiou. Ferido, recuperou a consciência e regressou à estalagem. Apesar dos cuidados do médico Paul Gachet, Vincent Van Gogh morreu após 36 horas de agonia, na noite de 29 de julho de 1890.

A maioria dos historiadores da arte acredita que Van Gogh se matou. Essa suposição, no entanto, foi questionada nos últimos anos. Em 2011, investigadores americanos defenderam a tese de que o pintor não teria se suicidado, mas que teria ficado ferido por um tiro acidental disparado por dois meninos que brincavam com uma arma no campo.

Essa teoria ganhou novo apoio através de uma nova cinebiografia do artista holandês, estrelada por Willem Dafoe, No portal da eternidade (2018), na qual a arma dispara após os dois irmãos entrarem em conflito com o estranho boêmio.

A casa de leilões reconheceu que a arma também poderia ter sido escondida ou abandonada pelos dois garotos.

CA/afp/ots

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