Restaurante berlinense prepara autêntica cozinha comunista | Conheça os destinos turísticos mais famosos da Alemanha | DW | 02.04.2011
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Turismo

Restaurante berlinense prepara autêntica cozinha comunista

No centro de Berlim, um restaurante prepara receitas da antiga era comunista. Cozinha da antiga Alemanha Oriental nunca despertou interesse, mas a comida simples é lembrete de que muito pode ser feito a partir de pouco.

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Interior do restaurante não lembra Alemanha Oriental

"Eu nunca estive num lugar como este", disse Sam, um guia turístico berlinense, ao terminar seu Eisbein (joelho de porco) no Domklause. O restaurante berlinense abriu no final do ano passado. Nos últimos dois meses, Sam trouxe grupos de turistas três vezes por semana ao Domklause, e provou literalmente todo o menu.

Originário do Reino Unido, Sam afirmou que as refeições no Domklause são agradáveis e a preços médios, acrescendo que, "em nenhum outro lugar, eu posso encontrar somente comida da Alemanha Oriental".

O Domklause é o restaurante do Museu da Alemanha Oriental em Berlim. Com iluminação apurada e elegantes mesas pretas com cadeiras brancas, o interior do local pouco lembra, todavia, a decoração em cores berrantes dos cafés e salas de estar da antiga República Democrática Alemã (RDA).

Simplesmente burguês

"É burguesia pura", comentou Sam sobre o restaurante. "Não tem nada a ver com a RDA, mas ele não seria convidativo se tivesse sido elaborado no estilo da época."

Hans-Jürgen Leucht

Chef Leucht: no Domklause em diferentes eras

De acordo com Melanie Alperstädt, funcionária do Domklause, o ambiente do local foi projetado justamente para não ser nostálgico em relação à Alemanha Oriental, simplesmente "porque os alemães tendem a pensar que nostalgia é uma crítica ao passado", disse.

O resultado: pratos autênticos da era comunista num ambiente moderno. O sentimentalismo está apenas do sabor. "No museu, você pode vivenciar a RDA, você pode tocar as peças, você pode ver o mobiliário original; aqui o foco está nos pratos", acrescentou Alperstädt.

Version 2.0

De 1979 a 1992, um restaurante homônimo e exclusivo ficava quase no mesmo local – em frente ao Palácio da República, que abrigava o antigo Parlamento da República Democrática Alemã. Recebendo visitantes oficiais e turistas do Ocidente, o restaurante servia a tradicional cozinha da RDA, como o Jägerschnitzel do Leste – salsicha empanada sobre um camada de massa e molho de tomate – muito longe do saboroso escalope encontrado no Oeste.

Hans-Jürgen Leucht, antigo sous-chef do Domklause, voltou como chef do restaurante reformado. "Nós temos uma testemunha contemporânea, que é também o chef , então está tudo perfeito", afirmou Alperstädt.

Ocupando todo o comprimento de uma parede do Domklause está o mural Em louvor do comunismo , pintado por Ronald Paris em 1970. O mural foi resgatado pelo Museu da RDA do prédio do Departamento de Estatísticas da antiga Berlim Oriental, que em breve será demolido. Emblemáticos slogans da indústria de alimentos da RDA foram fixados em torno de pilares no interior do restaurante, trazendo afirmações como "iscas de peixe e alimentos enlatados – ricos em variedade e prontos para servir".

Ceia socialista

O menu do Domklause é repleto de clássicos da culinária do comunismo, incluindo os infames Ketwurst e Grillettas, ou seja, cachorros-quentes e hambúrgueres. Esses alimentos foram obrigados a mudar de nome no Leste pelo instituto de pesquisa gastronômica da RDA, de modo que não fossem associados a seus homólogos no Ocidente.

Outras recordações comunistas incluem cornichões da região de Spreewald, o Strapping Max (ovo frito com pão de centeio), o Rabbit Imposter (bolo de carne), Krusta (pizza) e Soljanka, tradicional ensopado proletário russo.

Mesmo a lista de bebidas alcoólicas tem itens sob o slogan "aguardentes socialistas" e vinhos como nomes como Leite de Égua Búlgara (branco) e Sangue de Touro Húngaro (tinto). Também foi acrescentada uma página de humor intitulada "Bebidas alcoólicas do mundo não socialista", que inclui uísque e conhaque. Em sua versão atual, a ceia socialista oferece uma abundância de saladas frescas e até mesmo uma seção inteira vegetariana que inclui massas caramelizadas.

Fazer o melhor possível

Além do apelo do inusitado, por que alguém nos dias de hoje teria o desejo de comer o que era servido na RDA, já que existem outras opções? O Domklause não tem a pretensão de oferecer uma cozinha de alta categoria, mas sim de ser fiel às receitas da RDA, que se dedicaram aos prazeres simples de pratos fáceis.

Palast der Republik Berlin

Palácio da República abrigava Parlamento da RDA

A escassez de produtos e a falta de variedade da época faziam da cozinha um desafio criativo. "Eles não dispunham de tudo o que precisavam para cozinhar, mas, com apenas alguns poucos ingredientes, conseguiam fazer uma comida com sabor muito agradável", disse Alperstädt.

A clientela do Domklause é composta em grande parte por turistas, mas o gerente Kim Stender disse que ao menos 20% dos clientes são alemães do Leste, que se lembram de quão rapidamente suas mercadorias prediletas desapareceram das prateleiras, assim que o Muro de Berlim caiu.

Lojas cheias de comida

Susanne Beer, designer gráfica que cresceu no bairro de Pankow, na antiga Berlim Oriental, lembra a confusão sobre o leite, que mudou seu conteúdo de gordura de 2% para 1,5% e 3,5 % durante a noite. Após o colapso da RDA, Beer disse que "não esperava que certos produtos fossem desaparecer de um dia para o outro."

Apesar de ter sentido falta de Ketwurst no início, juntamente com o ketchup não tão doce do Leste, Beer se impressionou com a variedade de alimentos tão abundantemente disponíveis, como "todos os criativos sabores de iogurte e Kellogg's, espinafre e goma de mascar!", exclamou. "As lojas eram tão vazias e de repente ficaram cheias de comida."

O Domklause traz os visitantes de volta às prateleiras vazias – mas não sem criatividade. Para o guia turístico Sam, o menu representa uma parte historicamente pouco discutida da antiga Alemanha Oriental. "Não é extraordinário, mas ele parece sempre agradar às pessoas."

Autor: Melanie Sevcenko (ca)
Revisão: Augusto Valente

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