Renúncias dentro do próprio partido enfraquecem poder de Merkel | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 19.07.2010
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Alemanha

Renúncias dentro do próprio partido enfraquecem poder de Merkel

Série de exonerações nas fileiras da CDU fazem Merkel perder apoio. Sob suspeita de não envolver suficientemente seus aliados no governo, premiê amarga "solidão política" em facção enfraquecida no cenário nacional.

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Premiê alemã: evasão de aliados

"Os homens estão fugindo de Merkel", escrevem ironicamente os jornais alemães, um dia após Ole von Beust, prefeito de Hamburgo e correligionário da chanceler federal, anunciar sua renúncia. O político de 55 anos foi o sexto governador democrata-cristão a deixar o posto em apenas nove meses.

Antes dele, o governador de Hessen, Roland Koch, havia anunciado sua saída da política. O governador da Baixa Saxônia, Christian Wulff, deixou seu estado para se tornar presidente do país, após a renúncia de Horst Köhler, também da União Democrata Cristã (CDU, do alemão). O governador de Baden-Württemberg, Günther Öttinger, assumiu um novo cargo na Comissão Europeia e deixou seu posto. E os governadores da Turíngia e da Renânia do Norte-Vestfália, Dieter Althaus e Jürgen Rüttgers, respectivamente, foram derrotados nas urnas.

PK Ole von Beust

Ole von Beust: 'tempo suficiente'

O prefeito da cidade-estado de Hamburgo, Ole von Beust, afirmou que já havia cumprido por tempo suficiente suas obrigações. "Olhe bem, entrei para a ala jovem da CDU com 16 anos de idade. Ocupo cargos políticos em Hamburgo há 32 anos e há 17 sou político profissional. De forma que esse passo foi para mim também doloroso, do ponto de vista pessoal. Mas quero aproveitar a oportunidade para fazer outras coisas na vida, sem, contudo, sentir com isso um mal-estar, mas sim um profundo agradecimento e grande amizade tanto para com meus amigos de Hamburgo, quanto em relação à chanceler federal, a quem me sinto pessoalmente ligado", declarou Von Beust.

Insatisfação disfarçada

Com a saída de Von Beust, faltam a Merkel agora três nomes do primeiro escalão em seu partido. Mesmo assim, a premiê não deixou transparecer qualquer insatisfação durante a aparição pública ao lado do governante de Hamburgo.

"Ole von Beust mostrou, durante muitos anos na CDU, que o partido é também capaz de reunir maiorias nas grandes cidades. Hamburgo tem muito a agradecer a ele e também a cúpula da CDU agradece", declarou a chefe de governo.

Própria culpa?

De fato, porém, Merkel tem todas as razões do mundo para se preocupar, pois com a saída de Ole von Beust seu partido perde um político extremamente popular. Há analistas que acusam Merkel de desencorajar e afugentar seus aliados do primeiro escalão político.

É o que afirmou, por exemplo, o cientista político Gerd Langguth à emissora de televisão ZDF: "Angela Merkel tem dificuldade de permitir uma participação emocional a seus correligionários da CDU. Observando com atenção, percebe-se que os políticos que assumiram cargos de 'vice' dentro do partido nunca foram realmente envolvidos nas atividades políticas da chanceler federal. Merkel é, obviamente, responsável por conseguir angariar apoio suficiente de seus aliados. Dela depende envolvê-los, motivá-los, estabelecer alvos comuns, pelos quais valha também a pena, para eles, lutar ao lado dela", teoriza Langguth.

Wolfgang Bosbach

Wolfgang Bosbach: preocupação

Tendência preocupante

O político democrata-cristão Wolfgang Bosbach vê nas crescentes contrariedades políticas, dentro da cúpula de seu partido, uma tendência preocupante: "Se, no período de um ano, seis governantes renunciam ou procuram novos desafios profissionais, isso dá a impressão de um processo erosivo, mesmo que os motivos e as razões para as diversas exonerações tenham sido completamente diferentes".

De fato, os vários governadores da CDU que deixaram ou tiveram que sair de seus cargos o fizeram em função de situações absolutamente distintas. Para Merkel e para o partido, no entanto, o resultado é o mesmo: a chefe de governo vai ficando sozinha e seu partido perde políticos de primeira linha.

Autora: Bettina Marx (sv)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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