Reabertura repentina em Moscou | Notícias internacionais e análises | DW | 12.06.2020

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Pandemia

Reabertura repentina em Moscou

O coronavírus continua a se propagar na capital, mas a prefeitura relaxou surpreendentemente a maioria das restrições de isolamento e distanciamento social. Muitos russos veem nisso uma decisão politicamente motivada.

Russland: Buchfestival in Até poucas semanas, uso de máscaras faciais era obrigatório em Moscou(picture-alliance/dpa/A. Maishev)

Até poucas semanas atrás, uso de máscaras faciais era obrigatório em Moscou

Os 12 milhões de habitantes de Moscou respiraram aliviados, quando o prefeito Serguei Sobyanin anunciou o fim das medidas restritivas relacionadas ao novo coronavírus.

Coisas como ir ao cabeleireiro estão liberadas a partir de agora, outras como frequentar academias de ginástica serão permitidas dentro de alguns dias. Lojas de roupas e ferragens já estão abertas, de qualquer forma, há uma semana. Museus e zoológicos estarão novamente acessíveis dentro de uma semana, como também cafés e restaurantes.

Para a maioria dos observadores, a decisão mais importante do prefeito é a abolição imediata das autorizações eletrônicas para poder circular pela cidade. Por enquanto, tudo em ordem. Liberdade.

No entanto, muitos ficaram surpresos com a rapidez da mudança de curso. Ainda no final de maio, Sobyanin era da opinião que passeios pela cidade só poderiam ser permitidos se Moscou reportasse apenas dezenas ou no máximo centenas de novas infecções todos os dias. No entanto, com 1,5 mil a 2,5 mil novas infecções por dia apenas na capital russa, esse não é o caso há bastante tempo.

O deputado independente moscovita Denis Shenderovitch saudou a abolição do que ele chama de medidas "ilegais", que não se destinam, em sua opinião, a combater a pandemia da covid-19, mas sim a restringir os direitos civis. Com isso, ele está se referindo às estritas regras de autorização para sair de casa e do respectivo sistema de passes eletrônicos:

"Foram passos absolutamente estúpidos e inúteis que não causaram nada além de insatisfação entre a população", diz Shenderovitch à DW, apontando que "agora as pessoas podem ser felizes novamente."

De fato, nos últimos dois meses e meio, muitos moscovitas se queixaram do que consideram multas absurdas que teriam recebido da prefeitura por violações de medidas do isolamento social. Uma paciente acamada com uma doença grave foi multada em 4 mil rublos (o equivalente a cerca de 288 reais), embora ela não consiga deixar o apartamento há anos.

Os passes eletrônicos de alguns moscovitas foram subitamente declarados inválidos, embora nada tenha mudado em seu status. Muitos ainda se lembram da prisão temporária de um amante de animais, que foi atrás de seu carrocho enquanto passeava e ultrapassou a barreira de bloqueio num parque. Para muitos, essa história se tornou um símbolo do absurdo de algumas regras.

Denis Schenderowitch critica, por outro lado, o relaxamento de outras medidas que ele acredita que poderiam conter a pandemia: "No que diz respeito à liberação de eventos de massa, considero prematuro porque o número de novas infecções não diminuiu."

Por esse motivo, Shenderovitch chama a nova decisão de "estranha" e "histérica", lembrando que, há apenas alguns dias, os moscovitas usavam máscaras e luvas protetoras em espaços públicos e eram obrigados a passeios regulamentados "como numa prisão", de acordo com um plano estabelecido pela prefeitura para cada domicílio.

Shenderovitch cita o desfile do Dia da Vitória, que ocorrerá em 24 de junho na Praça Vermelha, como uma razão para tal decisão, depois que a parada foi cancelada devido à pandemia, no histórico dia 9 de maio (o dia oficial da vitória na Rússia). O prefeito Sobyanin deve ter recebido uma ligação do Kremlin, ironiza Shenderovitch: "Seriosha, pare! Primeiro, precisamos do desfile e, em segundo lugar e talvez o mais importante, precisamos da votação das mudanças constitucionais."

Em 1º de julho, será realizado um referendo onde os russos vão decidir se aprovam mudanças constitucionais. Entre outras coisas, a reforma visa garantir à reeleição do presidente Vladimir Putin após o término de seu mandato regular em 2024. O deputado moscovita Shenderovich critica "o caos e a indiferença" das autoridades frente aos cidadãos.

No entanto, Pavel Danilin, membro da Câmara Cívica de Moscou e diretor do Centro de Análise Política e Pesquisa Social, ligado ao Kremlin, diz que discorda da opinião do deputado Shenderovitch. Ele é responsável pela estatística oficial, segundo a qual o número de pacientes recuperados de covid-19 está aumentando.

Danilin também chama as restrições do governo, como passeios seguindo um cronograma, de "medidas inúteis" que "apenas causaram tensões na capital". E diz excluir qualquer motivação política: "Eu não aprovaria essa decisão nem diante do desfile nem diante da votação em torno da Constituição." Segundo Danilin, o prefeito havia consultado profissionais médicos suficientes antes de anunciar sua decisão.

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