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Radioatividade, o grande perigo invisível

Gudrun Heise
6 de março de 2022

Após ataques russos a usinas nucleares na Ucrânia, aumenta o medo de uma alta exposição à radiação. Entretanto, tomar comprimidos de iodo como medida preventiva é inútil e perigoso.

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Foto simbólica com um contador geiger
Níveis de radiação são medidos por contadores geigerFoto: Volodymyr Tarasov/Avalon/Photoshot/picture alliance

Quando ocorre um acidente em uma usina nuclear, como por danos extensos ou destruição do reator, um dos primeiros elementos que escapa é o iodo radioativo. Esse iodo radioativo pode então irradiar e destruir células da tireoide ou provocar câncer.

A radioatividade entra no corpo através da inalação ou é absorvida através da pele. Câncer de tireoide, tumores, leucemia aguda, doenças oculares, distúrbios psicológicos e até mesmo danos à composição genética são apenas algumas das piores consequências à saúde que a alta exposição à radiação pode causar em humanos. Se o corpo for exposto a uma grande dose de radiação em um tempo muito curto, isso leva à morte em poucas horas ou dias. 

Qual é a utilidade da administração de iodo? 

Se forem administrados comprimidos de iodo, esse iodo também se acumula na glândula tireoide, mas uma dose elevada de iodo impede que o iodo perigoso e contaminado se instale nas células do corpo.

Nosso corpo fica praticamente inundado com a substância. Ou seja, se tivermos "iodo bom" suficiente, não há mais espaço para o "mau iodo radioativo" na glândula tireoide. Como ele não pode se acumular ali, é excretado através dos rins.

Comprimidos de iodo
Nosso corpo não produz iodo. Temos que ingeri-lo por meio dos alimentos.Foto: Fabian Sommer/dpa/picture alliance

Nosso corpo não produz iodo. Temos que ingeri-lo para que nossa tireoide produza hormônios que controlam muitas das funções de nosso corpo, até mesmo o desenvolvimento de nosso cérebro.

Entretanto, é inútil tomar comprimidos de iodo como medida preventiva contra acidentes nucleares, pois a glândula tireoide só armazena iodo por um certo período de tempo. Tomar doses elevadas de iodo desnecessariamente pode até mesmo ser perigoso, já que muitas pessoas já sofrem de hipertireoidismo. Ninguém deve tomar esses comprimidos sem necessidade.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU), tomar comprimidos de iodo pode ser útil em caso de acidentes nucleares a até uma distância de cem quilômetros. Mas é importante fazê-lo no momento certo. Diz-se que o bloqueio de iodo é mais forte quando os comprimidos são tomados pouco antes ou durante o contato com o iodo radioativo.

Césio e estrôncio

O câncer de tireoide é uma das doenças que ocorrem quando há um acidente em uma usina nuclear e há evasão de radioatividade. Os isótopos radioativos de iodo 131 e iodo 133 são responsáveis pelo câncer de tireoide, por exemplo. Eles são emitidos especialmente nos primeiros dias de radiação. 

Outros componentes perigosos das emissões radioativas são os radionucleídeos estrôncio 90 e césio 137. Eles se depositam no tecido ósseo, o que também leva a um aumento do risco de câncer. O corpo confunde essas substâncias com o cálcio e incorpora as substâncias perigosas nos processos fisiológicos do tecido muscular e ósseo. A medula óssea é responsável pela produção de novas células sanguíneas, e esse processo pode ficar fora de controle devido à radiação ionizante. A consequência pode ser leucemia.

Danos ao genoma

A radioatividade também pode causar danos extensos ao genoma, como ocorreu depois que as bombas atômicas foram lançadas sobre as cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, no final da Segunda Guerra Mundial. As crianças nasceram com deformidades terríveis. 

E mesmo com um desastre como o ocorrido na usina nuclear ucraniana de Chernobyl, em abril de 1986, os efeitos tardios são inconfundíveis. Vinte anos após o acidente, a taxa de câncer aumentou em 40% na maioria das regiões afetadas. E, de acordo com estimativas, somente na Rússia morreram 25 mil pessoas que trabalharam na limpeza do reator. 

Quase nenhuma opção de tratamento

Não há praticamente nenhum remédio ou tratamento contra os efeitos da radioatividade. O fator decisivo é se trata-se de contaminação ou incorporação.

Em caso de contaminação, substâncias radioativas são depositadas na superfície do corpo. Parece banal, mas nesses casos se tenta lavar estas substâncias com água normal e espuma de sabão. A incorporação, por outro lado, é muito mais arriscada, pois as substâncias perigosas entram diretamente no corpo e é muito difícil eliminá-las. 

Intensidade e tempo de exposição são decisivos 

A radioatividade é medida em milisieverts. A exposição a 250 milisieverts ou 0,25 sievert durante um curto período de tempo pode causar doenças. De acordo com o Escritório Federal da Alemanha de Proteção contra Radiação, a exposição média no meio ambiente é de cerca de 2,1 milisieverts. Esse valor se refere a um ano.

Com 4000 milisievert ou 4 sievert, começa a chamada exposição aguda à radiação. A mortalidade aumenta enormemente. A partir de 6 sieverts, a pessoa afetada não tem nenhuma chance, pois essa exposição leva diretamente à morte.